Eliete Allein tinha 19 anos quando engravidou de Deise Mota e Denise Trebien. Na época o acesso ao ultrassom era restrito e como estava com uma barriga avantajada, imaginava que o bebê seria grande. Muitos familiares e amigos falaram que ela esperava gêmeos, mas Eliete não acreditou. Como não sabia o sexo, ela escolheu um nome para menina e um para menino. Além disso, o enxoval foi preparado para um bebê.

No dia 11 de fevereiro de 1985 veio a surpresa. A primeira a nascer foi Deise, que recebeu o nome escolhido pela mãe, mas quando veio a segunda, Eliete não sabia qual nome dar. Como a mãe queria algo que combinasse com o da irmã, a enfermeira que cuidou das três após o parto sugeriu o próprio nome, Denise, e assim ficou.

As gêmeas sempre compartilharam momentos especiais. Quando Deise começou a trabalhar em uma metalúrgica no horário noturno, pouco tempo depois Denise arranjou um emprego na mesma empresa, mas no horário diurno.

Do lado esquerdo está Deise e na ponta direita está Denise, ao centro a mãe Eliete / Foto: Eliz Haacke

Deise conheceu Amarildo Mota, com quem é casada atualmente. Ele apresentou o amigo Cleiton Trebien para Denise e o casamento veio certo tempo depois.

Por coincidência do destino, as gêmeas univitelinas descobriram a gravidez ao mesmo tempo. Quem trouxe a notícia primeiro foi Denise, que na época não tinha intenção de ser mãe tão cedo, ao contrário de Deise que estava tentando, mas não conseguia.

Ao saber da novidade, Deise decidiu fazer um teste de farmácia. O resultado positivo fez as gêmeas caírem no choro tamanha a alegria. Para elas, dividir a experiência da maternidade foi espetacular. Os pequenos nasceram com cinco dias de diferença. O filho de Denise, Nicolas Trebien, foi o primeiro seguido por Nicole Mota, filha de Deise, ambos com 10 anos atualmente.

Surpresa em dobro
Em 2014, Denise estava com 30 anos quando descobriu a segunda gravidez. Porém, a maior surpresa veio no dia do ultrassom quando o médico informou que ela esperava gêmeas. Inicialmente, Denise ficou assustada com a novidade.

Tanto a família de Denise quanto a de Trebien têm histórico de gêmeos. No entanto, a mãe não se preocupou com a hipótese por ter uma irmã gêmea. Ela sempre ouviu que as gestações de gemelares pulam uma geração.

Denise garante que Laura (azul) gosta de cuidar dos irmãos Nicolas e Valentina (vermelho) / Foto: Eliz Haacke

O esposo não estava na sala durante a consulta. Para dar a notícia, o médico o chamou e pediu para sentar no sofá. Ele levou um tempo para aceitar que em menos de nove meses teria duas meninas. “Ele disse que só acreditaria quando visse as pequenas nascerem”, relembra aos risos.

A notícia das gêmeas deixou toda a família animada, mas apesar da alegria, Deise decidiu não arriscar outra gravidez. “Só uma está bom”, contou rindo.

Denise revela que precisou tomar mais cuidado na segunda gestação. Além de não conseguir comer ou beber muitas coisas, ela teve que tomar duas injeções para enjoo todos os dias, fora os comprimidos. “Eu só conseguia comer bolacha salgada com água. Foi bem difícil”, conta.

Com 34 semanas, durante um ultrassom, os médicos descobriram que Valentina Trebien havia parado de desenvolver e que o sangue já estava indo para os órgãos vitais da pequena. Foi necessário realizar uma cesárea de emergência. A primeira a nascer foi Laura Trebien, que veio ao mundo com 2,4 kg e ficou em observação por uma semana. Em seguida veio Valentina com 1,3 kg. Ela precisou ficar durante 30 dias no hospital para ganhar peso antes de ir para casa.

Da esquerda para direita: Deise, Laura, Eliete, Valentina e Denise / Foto: Eliz Haacke

As gêmeas Trebien são bivitelinas. O médico de Denise informou que não é comum vir duas meninas, pois nesses casos, geralmente, a mãe tem um casal.

Segundo ela, o que o Nicolas não aprontou, as gêmeas de apenas 4 anos compensaram. Apesar das brigas, as duas estão sempre juntas. “A Laura cuida mais da Valentina. Ela é mais dengosinha, é mais apegada na gente, bem mais preocupada com a Valentina e com ele (Nicolas). Ela demonstra mais”, revela.

A mãe nem cogita a possibilidade de ter mais filhos pois tem medo de arriscar. Apesar do susto, Denise confessa que as filhas e o pequeno Nicolas são tudo para ela.

“Cada um é uma lição. Elas têm muito para aprender e é bem difícil pois elas têm temperamentos muito diferentes, mas vamos levando. Cada um deles é tudo para gente. Não tem nem o que dizer, é amor”, diz com sorriso no rosto.

Família mora no bairro São Pedro, em Guabiruba, e dividem a rotina diária uns com os outros / Foto: Eliz Haacke

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– Introdução
– Surpresa no dia do parto 
– Gêmeos em dobro
– Unidas pela maternidade
– O ABC da psicóloga
– As três Marias de São João Batista
– Vencendo a morte
– Rua dos cinco gêmeos 
– Superação após a perda 
– Os meninos da casa

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