Guilherme Marchewsky ultrapassou as paredes da escola e se tornou o vereador mais votado de Brusque

Peemedebista recebou 2.546 votos em sua primeira candidatura à Câmara de Vereadores

Guilherme Marchewsky ultrapassou as paredes da escola e se tornou o vereador mais votado de Brusque

Peemedebista recebou 2.546 votos em sua primeira candidatura à Câmara de Vereadores

Nas eleições municipais de 2012, Guilherme Marchewsky, 53 anos, ou professor Guilherme, como é conhecido, surpreendeu muitas pessoas. Um nome novo no cenário político brusquense, ao se candidatar pela primeira vez a uma cadeira no Legislativo, professor Guilherme se elegeu como o vereador mais votado, recebendo 2.546 votos.

Casado há 28 anos com Marilete Tamanini Marchewsky, 50 anos, tem dois filhos, Nícolas, 24 anos e Flávia, 21 anos e afirma que o apoio da família foi fundamental para ter ganhado esse pleito. Tanto que o filho foi quem desenvolveu o seu material de campanha.

Natural de Brusque, o filho de João e Ana Marchewsky, chega à Câmara de Vereadores com o objetivo de atuar em prol de um Legislativo diferente. E para contar um pouco da sua história e do que pretende fazer como vereador, professor Guilherme recebeu a reportagem do Jornal Município Dia a Dia na semana que passou, em sua sala de aula.

Município Dia a Dia – Como o senhor optou por ser professor?

Guilherme Marchewsky –
No Ensino Médio conheci algumas pessoas que me apresentaram a literatura e me apaixonei pelos livros. Isso aconteceu quando tinha uns 17 anos e comecei a ler e a me envolver, também cheguei a escrever um pouco, principalmente poesia. No meio dessa paixão toda, vi que valeria a pena ingressar na profissão de professor de português. Fiz, então, a graduação em Letras pela Univali. Me formei em 1987 e parei de ser professor na época, para montar uma tecelagem, pois achei que não poderia galgar carreira de professor. Mas, não deu certo e em 1993, retornei para a escola, comecei com aulas de ACT (Admitidos em Caráter Temporário) e em 1994 fiz concurso e me efetivei no Estado. Foi aí, que comecei efetivamente a minha carreira de professor e não saí mais. E pretendo ficar na escola, pelo menos até os 60 anos.

MDD – Pela sua análise, atualmente qual é o principal desafio da Educação?

GM –
Vejo que é a formação do cidadão, aquela que vem desde a questão da educação familiar até chegar à escola. Atualmente, temos uma dificuldade muito grande, porque em muitas situações não temos a facilidade de resolver, pois existe uma legislação, que está muito engessada. O professor não tem facilidade para tomar decisões, há uma dependência muito grande do Estado, principalmente na rede pública estadual, onde tenho conhecimento. Na legislação, tanto da educação em si, quanto do cidadão, poderia haver mais flexibilidade para nós professores podermos orientar melhor os alunos, os pais e a comunidade. O professor atualmente não tem apenas a atribuição de formar o aluno, no que diz respeito os assuntos científicos, têm também a função de educar enquanto ser envolvido em uma sociedade. E, por mais que nos caiba essa função, não temos conseguido fazer da maneira que deveria ser. Um exemplo prático é que hoje mesmo (quarta-feira, 24 de outubro), minutos atrás, atendi um menino reclamando de dor nas costas e tive que fazer massagem nele, para ele se sentir acolhido por alguém. Essa questão da atenção tem pesado muito, às vezes a criança já vem para a escola com alguma dificuldade de casa, e o professor precisa ter essa sensibilidade de ver o que as ações daquele aluno podem estar revelando. E as nossas universidades estão deixando a desejar quando o assunto é preparar o professor para ter esse olhar.

MDD – O quê levou o professor Guilherme a ingressar no meio político, se filiar ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e, consequentemente, se candidatar ao cargo de vereador?

GM – O PMDB é o partido que me deu uma oportunidade muito grande, em relação à questão de gestão escolar. Depois que fiz mestrado, fui convidado para sair da escola Gregório Locks e gerenciar a escola Ivo Silveira, onde fiquei dois anos e depois fui para SDR (Secretaria de Desenvolvimento Regional), fui supervisor de RH (Recursos Humanos) e também atuei como gerente de educação e no envolvimento. Neste meio, veio a vontade de viver a política. E só neste ano, me senti preparado para me candidatar. Em 2008, fui convidado, mas não via que era o momento certo. Sempre pensei que para se candidatar precisaria estar preparado. Tinha o receio de cair de “paraquedas” no meio político, que é bastante complexo. Desde 2010, tenho assistido às sessões da Câmara de Vereadores e me preparado para ser vereador. Na campanha, quando ia pedir o voto para as pessoas, dizia que estava pronto para assumir uma cadeira no Legislativo.

MDD – Na sua análise, o que fez o senhor ser o vereador mais votado?

GM – Quero acreditar que todos os 160 candidatos tinham potencial de chegar, porque o eleitor estava interessado. A minha candidatura veio no sentido de dar esperança, pois de modo geral, havia um desgosto muito grande da maneira como alguns políticos estavam agindo. Me envolvi na política, pois tudo é política, tudo é decisão e precisa ser buscado por alguém, por um líder, e busquei me tornar esse líder, primeiro na escola, depois na comunidade. Quando me lancei candidato, não foi para ser o mais votado, sabia que tinha na disputa homens que vivem a política da cidade há muito mais tempo. Por isso, quando comecei a me preparar para concorrer, procurei saber quem era o meu universo de eleitores em potencial, que foram aquelas pessoas que pediram para eu ser candidato. Eles eram as pessoas da comunidade Luterana, das famílias dos alunos, os próprios alunos e os meus ex-alunos, pessoas que a gente educou, ensinou que política é coisa séria e pode ser feita de maneira diferente, no chão, com propostas de melhoria.

MDD – Na Câmara, qual o principal projeto ou ação que o senhor vai defender?

GM –
Quero defender a educação e os professores. Não só o professor, aquele da sala da aula, mas o professor aquele que atua em prol da educação do aluno como cidadão, que dá caminho e um Norte para as pessoas. Tenho comentado muito que a população está precisando de educação, seja no trânsito, na saúde, na infraestrutura. Muitas vezes, tenho percebido que as pessoas querem que aconteçam as mudanças para si, mas elas não pensam no outro, que também pode estar precisando. Vou defender a educação do povo. Quero contribuir para uma Câmara de Vereadores diferente, onde o Legislativo possa devidamente exercer o seu poder e isso seja reconhecido pela comunidade. O Legislativo é um poder fiscalizador, e o Executivo é o poder que executa as obras, pois eles que detêm os recursos. O meu objetivo é dar o máximo de cobertura para a administração do Paulo e Farinha, que vai para a sua segunda gestão. Quero apoiar, para que eles possam atender as pessoas, para que quando terminarem os próximos quatro anos de gestão, o cidadão se sinta realizado e atendido nas expectativas que eles tinham quando depositaram o voto.

MDD – Qual será a sua proposta para recuperar a credibilidade do Poder Legislativo na comunidade?

GM – Penso que devemos ser efetivamente 15 representantes do povo. Ser vereadores que usem a tribuna para realmente mudar a qualidade do legislativo, no sentido de projetar a cidade que se quer no futuro, trazer propostas de melhorias. Também enfatizar para a comunidade que o vereador tem um papel fundamental para fiscalizar o Executivo. Quero contribuir para evidenciar para a comunidade a diferença dos poderes e a importância de cada um. O que vimos durante a campanha, é que a população quer ver os políticos falando de coisas novas, não mais do que passou, do que foi feito e sim, do pode ser feito daqui para frente. Pois há muitas coisas para serem construídas em Brusque. A cidade precisa melhorar muito. Não foram suficientes os dez anos da gestão anterior e nem os quatro anos desta gestão. É preciso ter a visibilidade e propor projetos que considere como se quer a cidade daqui 30 anos. Cresce pra onde e para quê? Uma das principais questões é o trânsito, nós temos mais de 84 mil veículos e praticamente não foram construídas novas vias nos últimos anos, exceto a Beira Rio.

Perguntas rápidas:

Guilherme por Guilherme: Apaixonado
Um lugar: A minha escola
Um sabor: Doce
Uma lembrança: Minha infância
Uma oração: Pai nosso
A maior conquista: A minha esposa, há 28 anos
Momento inesquecível: Essa campanha de vereador. Era uma coisa que eu queria muito fazer em minha vida
Maior sonho: Como diz Lindolf Bell: “É ser aquilo que eu quero ser”
Um livro ou autor: Tem vários, mas cito o autor Khalil Gibran
Um ídolo: Falaria na questão política, que é o nosso atual líder do PMDB, o ex-governador Luiz Henrique da Silveira

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