Todos os anos, o bom velhinho leva alegria ao Natal das crianças de São João Batista. No ano passado, Vitório José Braitbach completou cinquenta anos de barbas brancas e roupas vermelhas do Papai Noel e, em 2018, não deixará de fazer mais uma vez a felicidade dos pequenos da cidade onde vive há mais de 20 anos.

A primeira vez que Vitório vestiu as roupas de Noel foi em 1968, ainda com seus 17 ou 18 anos, em Curitiba (PR), onde morava. “E nunca mais parei. Uma criança me pediu bala, eu dei uma bala. Pediam para eu me abaixar para elas me darem um beijo, eu abaixava e sentia a emoção, a felicidade das crianças”, relembra.

No ano passado, ele completou cinco décadas de Noel e sente que é muito difícil deixar o trabalho. “São tantas crianças pobres que querem alegria no Natal, mas os pais não têm condições de dar um presente”, comenta. A atividade é desenvolvida, há alguns anos, em parceria com o Conselho Tutelar da cidade, que ajuda na distribuição de brinquedos para mais de mil crianças batistenses.

Vitório distribui presentes para crianças de bairros mais carentes de São João Batista | Arquivo Pessoal

Natural de Balneário Piçarras, Vitório é morador de São João Batista há 24 anos. Antes de mudar-se para a cidade, ele conta que morou e viajou muito por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná – e, claro, não poderia deixar de ser Papai Noel em cada uma das cidades por onde passou os Natais, como Lages, Rio do Sul e Blumenau.

Preparação
O trabalho de Noel começa muito antes do Natal: ainda no início de novembro, geralmente por volta do dia 5, Vitório começa a buscar parcerias com os lojistas. Em São João Batista, praticamente todas as lojas onde ele procura colaboração com o projeto participam e doam brinquedos para os pequenos. “Na verdade, são eles, os lojistas, os verdadeiros responsáveis pela alegria das crianças.”

Esse adiantamento é necessário para garantir que se consiga a quantidade necessária de brinquedos para a distribuição, que acontece no mês de dezembro, alguns dias antes do Natal. A média de crianças que recebem visita e presente do Papai Noel é grande: são entre mil e 1,5 mil crianças. “É um número grande, mas com a colaboração do Conselho Tutelar, se torna fácil”, conta.

Quando começou a atuar como Papai Noel, Vitório trabalhava por conta própria, visitando famílias aleatoriamente. Ele lembra que era muito mais difícil ter que fazer tudo sozinho, desde conseguir os presentes até distribui-los para as crianças mais necessitadas.

“Agora, o Conselho me leva a quem realmente precisa. Quando sobra, aí sim vamos até outras famílias. Mas antes da distribuição eu gosto de passar um tempo nas ruas, nos bairros mais carentes, para saber onde podemos entregar os presentinhos.”

Vencendo o câncer
Vitório tem também uma história de batalhas: ele já venceu dois cânceres, mas, mesmo quando a saúde não estava tão boa, ele não deixou de arrumar a barba e as roupas vermelhas para fazer a alegria das crianças.

“Há uns cinco ou seis anos, eu pesava 40 quilos, por causa do câncer na próstata. Estava bem debilitado, não deveria ter ficado saindo por aí, mas eu falei para a minha família que, se não me deixassem ser Papai Noel, eu ia partir mais cedo. Isso é minha vida.”

Atualmente, ele está em tratamento de um câncer na boca, e passou por uma cirurgia no mês de dezembro. Mas, mais uma vez, isso não o impediu. “Quando comecei, pedi para que Deus me desse mais 50 anos de vida, e eu me vestiria de Papai Noel por esses 50 anos.”

“Às vezes me questiono as razões de fazer isso todo ano. Não tenho lucro, não tenho retorno financeiro. Mas não é essa a questão. A melhor recompensa é ver a felicidade das crianças.”


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