Havan é destaque no jornal norte-americano The New York Times

Reportagem mostra o estilo adotado pela rede brusquense e a relação da empresa com seus colaboradores

Havan é destaque no jornal norte-americano The New York Times

Reportagem mostra o estilo adotado pela rede brusquense e a relação da empresa com seus colaboradores

A Havan foi destaque na edição deste domingo, 15 de setembro, do jornal norte-americano The New York Times, com a reportagem “Reshaping Brazil’s Retail Scene, Inspired by Vegas and Vanderbilt” (Transformando o cenário do varejo no Brasil, inspirado por Vegas e Vanderbilt). A matéria está disponível também no site oficial do jornal

O repórter Simon Romero, que atua no escritório do jornal no Rio de Janeiro, apresenta o estilo norte-americano da rede brusquense, principalmente pelos símbolos adotados: a arquitetura da Casa Branca e a Estátua da Liberdade.

A reportagem analisa também a relação da empresa com seus colaboradores, destacando a motivação das pessoas que atuam nas lojas. E ressalta também a forma como a Havan enfrenta a oposição à escolha de símbolos dos Estados Unidos para representar a sua marca.

Para produzir a matéria, uma equipe do jornal esteve em Brusque e em outras lojas do estado na última semana de agosto, quando foram recebidos pelo diretor-presidente do Conselho de Administração da Havan, Luciano Hang, e demais diretores da empresa.

Leia a matéria, na íntegra, traduzida para o português:


Transformando o cenário do varejo no Brasil, inspirado por Vegas e Vanderbilt

Enquanto os líderes brasileiros se perguntam se o consumo deve ser o antídoto para uma economia lenta, um magnata de uma loja de departamentos está correndo na frente com sua resposta, levando um consumismo sem restrições, no estilo americano, para um novo nível.

Proclamando Las Vegas, a Meca do jogo, como sua cidade ideal, Luciano Hang vem abrindo lojas de departamento a cada 15 dias, do Sul do Brasil até a Amazônia. Cada nova estrutura é uma homenagem ao capitalismo americano, com colunas que evocam a Casa Branca e réplicas gigantescas da Estátua da Liberdade posicionadas na entrada, algumas com mais de 30 metros de altura.

“Minha filosofia é pró-capitalismo, então, é claro que o melhor símbolo para isso vem dos Estados Unidos” comenta o Sr. Hang, que viaja pelo Brasil em um Learjet para visitar as quase 60 lojas da sua rede, chamada de Havan. “Eu falo para as pessoas que nosso lema é liberdade: a liberdade de permanecermos abertos quando quisermos, a liberdade de trabalhar para nós e a liberdade de comprar” acrescenta. “Eu sei que isso pode ser controverso, mas eu acho que são poucos os que não concordam com minha abordagem”. 

Na verdade os consumidores parecem concordar, atraídos pelos preços baixos, pela grande variedade e também pela temática das lojas. Dentro da matriz em Brusque, no estado de Santa Catarina, compradores param para tirar fotos com réplicas de uma Ferrari vermelha e um Corvette cor de rosa.

Alguns economistas questionam se o Brasil deveria confiar no consumo para aquecer a economia, um comportamento estimulado por um aumento no crédito fornecido pelos bancos do governo, em uma época em que os níveis de débito dos trabalhadores atingem uma alta recorde. A Caixa Econômica Federal, uma gigantesca instituição financeira controlada pelo estado, ainda permite que consumidores endividados tenham uma “pausa” nas suas obrigações, para que possam aumentar seu débito.

Mas os economistas dizem que as autoridades deveriam fazer mais para aumentar os investimentos em áreas como fábricas e infraestrutura, diminuindo a burocracia e um sistema tributário complexo e perverso. Se medido como uma porcentagem da economia, os níveis de investimento do Brasil são mais baixos que os da Argentina e do México.

Inspirado pela cultura consumista que testemunhou nas suas várias viagens aos Estados Unidos, o Sr. Hang, um cinquentão esguio, que se veste casualmente com jeans encontrados nas prateleiras de suas lojas, pensa que este consumo combina com o Brasil. “Terei 100 lojas em 2015 e o dobro disso alguns anos depois” afirma.

Nem todos concordam que copiar o consumismo americano ou construir Estátuas da Liberdade em várias cidades é o melhor caminho.

“É uma espécie de colonialismo” diz Henrique Perazzi de Aquino, 53, professor de história de Bauru, no estado de São Paulo, onde ele e outros moradores recentemente formaram um movimento que se opõe à estátua defronte à nova loja da Havan. “Nós ainda estamos dependentes dessa cultura norte americana. Nós poderíamos gostar mais de nós mesmos”.

Como alternativa, propôs um monumento ao Bar da Eny, um renomado bordel local que já foi frequentado por políticos e escritores. Mas no final, o Sr. Hang conseguiu o que queria, enfatizando que a chegada da Havan em Bauru criaria 200 empregos. Outra Estátua da Liberdade foi construída.

O Sr. Hang comenta que está consciente que seu entusiasmo a respeito do estilo consumista americano contrasta com o ambiente atual, onde os líderes estão irritados com as revelações de que a NSA espionou a presidente Dilma Rousseff.

Fora da elite política e dos círculos intelectuais, o sentimento pró-americano ainda é forte, insiste o Sr. Hang. O Consulado Americano em São Paulo, onde 3.000 pessoas por dia vão solicitar vistos para os Estados Unidos, parece comprovar a sua opinião. O consulado está entre os primeiros emissores de vistos para os Estados Unidos do mundo.

A América está profundamente entrelaçada na identidade do Sr. Hang assim como na sua marca. A proteção de tela de seu smartphone mostra uma fotografia de sua esposa com a atriz Sharon Stone, tirada em um lançamento imobiliário em uma praia brasileira. Ele dirige somente Chryslers importados.

Ele chama suas lojas de “Casa Branca Brasileira” e contratou atores brasileiros para falar com sotaque americano nos comerciais para televisão, representados como cowboys, rappers e membros de gangues de motocicletas.

Enquanto algumas companhias americanas usam termos criativos para descrever seus empregados (na Starbucks, por exemplo, eles são “parceiros”), as 10 mil pessoas que trabalham para o Sr. Hang são chamadas de “colaboradores”. Ele é o único proprietário da Havan e não revela os resultados financeiros, mas diz que a receita das vendas anuais ultrapassa US$ 1 bilhão. A cada nova inauguração, os colaboradores são encorajados e criar seu próprio “grito de guerra”, uma canção frenética que bradam, motivados pelo Sr. Hang, com punhos pulsando no ar. “Gostamos de mostrar aos nossos colaboradores que o trabalho não precisa ser chato, mas divertido e revigorante” afirma o Sr. Hang.

Filho de trabalhadores de fábricas têxteis, com descendência de imigrantes alemães e italianos, o Sr. Hang diz que admira a cultura europeia, mas prefere os Estados Unidos. Ele diz que recentemente foi inspirado por um documentário do History Channel, “Os homens que construíram a América”, sobre titãs industriais como John D. Rockefeller e Cornelius Vanderbilt.

“Não consegui dormir depois que vi aquele programa” afirma.

Seu modelo de negócios é parcialmente baseado no Walmart, cujas origens a partir de pequenas cidades ele admira, assim como o método de transformar economias de escala em preços baixos.

Alguns dos críticos do Sr. Hang não enxergam dessa maneira. Ademir Brunetto, um deputado de Mato Grosso do Sul, critica as deduções de impostos conseguidas este ano pela Havan, que o Sr. Brunetto vê como uma estratégia para esmagar pequenos competidores.

“Posso conviver com a Estátua da Liberdade, que até acho bonita” diz o Sr. Brunetto, membro do Partido dos Trabalhadores. “Apenas não posso concordar com a ideia da Havan chegando nos lugares e tirando lojas com décadas de história na comunidade fora dos negócios”.

O Sr. Hang diz que desistiu do plano para abrir uma loja em Alta Floresta, cidade do Sr. Brunetto. “Se ele não quer essa injeção de vitalidade na economia, é uma decisão dele”.

Onde a Havan coloca estacas, impressiona. Em Barra Velha, Sul do Brasil, a réplica da Estátua da Liberdade tem 57 metros, quase duas vezes a altura do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Um elevador leva os visitantes até o topo, onde podem ver a vista sobre a rodovia.

“A loja, a estátua, o estacionamento, são tão limpos, tão bonitos, tão grandes” diz Adilson Rezende, um motorista de caminhão de Conselheiro Lafaiete que parou na frente da loja para tirar fotos. “Parando aqui, eu quase sinto como se não estivesse no Brasil”.


Fonte: The New York Times
Tradução: Assessoria de imprensa – Havan

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