Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Heidelberg, Alemanha e o uso das bicicletas

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Heidelberg, Alemanha e o uso das bicicletas

Rosemari Glatz

Na primeira quinzena de junho passei por alguns lugares do Velho Continente. Sempre é uma rica experiência, e hoje compartilho com você um pouco sobre a cidade de Heidelberg onde, ao passear pela cidade, dois aspectos me chamaram a atenção: o ambiente universitário e o intenso uso da bicicleta para o ir e vir diário.

Heidelberg turística
Localizada a aproximadamente 80 km ao sul de Frankfurt, e situada às margens do rio Neckar, o que se percebe em Heidelberg é a harmonia entre natureza e arquitetura, onde o conjunto arquitetônico parece integrado ao meio ambiente. O Castelo de Heidelberg é o ponto mais importante da cidade e três milhões de pessoas o visitam todos os anos. Um ponto do castelo que faz sucesso entre os turistas é o maior barril de vinho do mundo, com capacidade para 221 mil litros, construído em 1751. Ao contrário de tantas outras cidades alemãs, Heidelberg foi poupada da destruição trazida pela segunda guerra mundial. Um dos trechos mais bonitos da cidade é conhecido como Caminho do Filósofo (Philosophenweg) e está situado na margem norte do rio Neckar, de onde se tem excelente vista da cidade e do castelo. Outro ponto que merece ser visitado é o impressionante Portão da Ponte Velha. Mas Heidelberg é muito mais que um simples atrativo turístico e histórico. A cidade ainda mantém viva a tradição de importante centro educacional.


Universidade de Heidelberg
Fundada em 1386, a instituição de ensino mais antiga da Alemanha fez da turística Heidelberg, famosa por seu castelo, também uma típica localidade universitária, repleta de bares e cafés. Um em cada cinco moradores da cidade é estudante. Hoje é uma das universidades mais procuradas por alemães e estrangeiros. Na cantina da Universidade – que funciona em um armazém do século 16 -, a movimentação é intensa. Jovens de diferentes faculdades encontram-se no coração do centro histórico da cidade. Quando inaugurada, a universidade oferecia apenas três possibilidades de estudos: Teologia, Direito e Filosofia. Ao longo dos seus mais de 600 anos, a instituição cresceu, criou as faculdades de Medicina e de Ciências Naturais e abriu as portas das salas de aula para as mulheres. Hoje, com cursos nas mais importantes áreas científicas, Heidelberg é considerada uma instituição de ensino superior completa e construiu sua imagem como uma das melhores faculdades de História da Alemanha. Apesar do sucesso e da boa reputação em pesquisa, a universidade não escapou de escândalos de plágio. Na história recente, a política alemã e parlamentar europeia Silvana Koch-Mehrin teve de devolver seu título de doutora por Heidelberg, pois havia copiado parte de sua tese.


O uso da Fahrrad (bicicleta)
Uma das características de Heidelberg são as ruas estreitas e o uso intenso das bicicletas. A propósito, andar de bicicleta é algo definitivamente incorporado à cultura alemã. O movimento de bicicletas pela cidade é algo que chama a atenção. Mesmo os frios invernos alemães não impedem o ir e vir e o pedalar frequente, cada um buscando o seu destino, fazendo deslizar suavemente, por entre os amontoados de neve formados naturalmente, as duas rodas de sua exuberante e bem cuidada bicicleta (Fahrrad). Esta cena, repetida diariamente por estudantes também por muitos professores, é estranha e quase inacreditável para nossos costumes brasileiros: como é possível um professor de universidade ir para o trabalho de bicicleta e ainda mais com neve na rua? Pois é, talvez tenhamos a aprender um pouco mais com eles. Afinal, andar de bicicleta faz bem para a saúde, ajuda a preservar o meio ambiente e, de quebra, é chique!

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