Após trabalhar por um período em uma fábrica de vinagres em Blumenau, Max Heinig decide se mudar para Brusque e montar a sua própria empresa.

No bairro Bateas, bem próximo da estrada que levava a Blumenau, ele instalou a sua própria fábrica: a Vinagre Heinig.

Em uma casinha de madeira, bem rústica, ele começou as atividades de sua empresa que, 119 anos depois, continua ativa e no mesmo lugar.

O início é datado de 17 de abril de 1900, entretanto, acredita-se que a fábrica tenha iniciado alguns anos antes, no fim da década de 1890.

“Não temos muitos registros deste início. O que nos garante que a fábrica já existia em 1900 é um documento daquela época que achamos há alguns anos”, conta Hermes Heinig Filho, o Chico, atual proprietário da empresa.

Documento foi encontrado pelo pai de Chico por acaso | Foto: Reprodução

Ele é bisneto do fundador e representa a quarta geração à frente da fábrica iniciada por Max.

O documento que dá à fábrica do bairro Bateas o título de mais antiga do país neste segmento foi encontrado pelo pai de Chico, Hermes Heinig, por acaso.

O documento, escrito a mão, diz que “servirá este livro para escripturação do movimento da fábrica de Vinagre de Max Heinig”. No final, a data é 17 de abril de 1900.

“O documento ficou guardado por alguns anos, até que eu mandei restaurar. É esse documento que prova que ela já existia em 1900”, diz.

De lá para cá, muita coisa aconteceu. A forma de se trabalhar mudou e o processo se modernizou. Se na época de Max Heinig tudo era muito manual, hoje, a fábrica é totalmente automatizada e com uma linha ampla de produtos.

Atualmente, são vários tipos de vinagres produzidos pela fábrica centenária: o tradicional de álcool, de maçã, de vinho tinto, de vinho branco, de arroz, o balsâmico e o condimentado.

Max Heinig e sua primeira esposa | Foto: Arquivo pessoal

“Por muito tempo a fábrica só fazia o vinagre de álcool. Na época do meu bisavô, do meu avô, esse vinagre era usado para tudo, pra limpar machucado, pra aliviar dor. Com o passar do tempo, a fábrica foi se modernizando e criando novos produtos”.

Chico conta que ele foi criado dentro da fábrica e lembra que o processo era bem diferente do que é hoje. “Quando eu comecei, não tinha garrafa de plástico. Era tudo vidro, garrafa de cerveja. A gente pegava a garrafa, lavava, engarrafava o vinagre, colocava a tampinha e vendia. Levava dez caixas no mercado e trazia outras dez vazias”.

Apesar de ser a maior fábrica de vinagre de Santa Catarina e estar presente nos três estados do Sul e também em alguns pontos de São Paulo, a Vinagre Heinig continua sendo uma empresa familiar, assim como na época de seu criador.

De Max Heinig, a fábrica passou para seu filho, Arthur Erico Heinig, depois para o neto, Hermes Heinig, e agora está sob o comando do bisneto. “Tenho duas filhas que trabalham comigo na fábrica e elas que serão as responsáveis por continuar essa história. Sempre digo: eu tive a responsabilidade de três gerações, elas terão que continuar a história escrita por quatro gerações”.


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