Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

A indústria têxtil em Brusque – Parte I

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

A indústria têxtil em Brusque – Parte I

Rosemari Glatz

Brusque é conhecida como “Berço da Fiação Catarinense”, pois a fiação de Carlos Renaux foi a primeira instalada em Santa Catarina. Também foi em Brusque que teve início um dos maiores polos têxteis do estado e do Brasil, nascido a partir do último decêndio do século XIX. Anteriormente já houvera empreendimentos tendentes para o ramo industrial. Mesmo antes do início da colonização já haviam funcionado na zona de Brusque umas serrarias instaladas por comerciantes de Itajaí, e após 1860 surgiram vários empreendimentos que se ocupavam com o beneficiamento e conservação de produtos, de preferência, agrícolas. Mas todos eles tinham o caráter de improvisações.

Funcionavam sem grande capital, simplesmente porque a matéria-prima abundava e exigia um beneficiamento. Paravam quando começava a faltar a matéria-prima que provinha da roça.

Não eram indústrias propriamente ditas, cujas produções em larga escala independessem das quantidades limitadas de matérias-primas, de cada vez disponíveis na mesma praça, por tê-las garantidas em outras partes. A primeira iniciativa no segmento têxtil coube à família Bauer, seguido dos Renaux, Buettner e, finalmente, da família Schlösser, responsáveis pelo novo impulso econômico dado à região.

Era chegado o tempo para a criação de uma indústria
Só nos dois últimos decênios do século XIX, ou seja, uns 20 a 30 anos depois da fundação da colônia, é que a economia de Brusque havia atingido um grau de adiantamento que permitia a criação de uma indústria.

Era indispensável para tanto a existência de capital e de braços. O que era preciso havia-o, na Brusque de então, em modesta escala. Os vendeiros tinham feito bons negócios, chegando a fazer algumas economias.

A população da colônia tinha aumentado o bastante. Nem todos os imigrados que se haviam inicialmente dedicado à lavoura, desejam continuar nessa ocupação. Se lhes oferecia uma oportunidade, muitos estavam prontos a abandonar o trabalho na roça. Havia, pois, o que era imprescindível.

A indústria têxtil em Brusque pelas mãos dos tecelões poloneses
Buggenhagen (1941) conta que em 1889 tinham emigrado, para o Brasil, vários tecelões da região de Lodz, na Polônia.

A pequena turma daqueles imigrantes de Lodz que aportou a Brusque estava resolvida a exercer, também aqui, o ofício de tecelão, pois não eram adeptos do trabalho na roça. Dentre eles, vamos encontrar os Haacke, Hartke, Kreibich, Petermann, Wilke, Yescke e Yankowsky, mestres na arte da tecelagem.

Os Schlösser chegam mais tarde, em 1896 e já vêm contratados para trabalhar na Fábrica Renaux. Eram todos “auslandsdeutsche”, assim chamados os imigrantes alemães que estavam estabelecidos em território polonês.

O fato, porém, de ter surgido uma indústria, e, sobretudo, uma indústria têxtil, deve-se a um acaso. A historiadora Maria Luiza Renaux (2010) escreveu que inicialmente o trabalho dos tecelões poloneses em Brusque era doméstico.

Em teares simples de madeira construídos por eles próprios, teciam fios fornecidos pelos comerciantes e, depois, revendiam o pano pronto. Yankowsky, Kreibich e Petermann se estabeleceram em terras no interior de Brusque, acima do centro de Guabiruba, no lugar chamado Sibéria.

Tietzmann esteve primeiro em Blumenau, como tecelão da firma Hering. Depois veio para Brusque, produziu tecidos para Carlos Renaux em sua própria casa, até que, mais tarde, este o financiasse para abrir uma fábrica de artigos de malha no centro da cidade. Os demais poloneses, querendo transformar o caráter artesanal e doméstico de seu trabalho, procuraram Carlos Renaux para que este constituísse uma fábrica de tecidos.

Continua na próxima semana.

Fontes:
BUGGENHAGEN, E. A. von. História Econômica no Município de Brusque e a obra do Cônsul Carlos Renaux. [SI]. Brusque, 1941. Não publicado.

RENAUX, Maria Luiza. Colonização e Indústria no Vale do Itajaí: O Modelo Catarinense de desenvolvimento. 2ª ed. Florianópolis: Instituto Carl Hoepcke, 2010.

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