Industriais de Brusque marcaram história na presidência da Fiesc

Guilherme Renaux e Carlos Cid Renaux foram fundamentais para a consolidação da entidade

Industriais de Brusque marcaram história na presidência da Fiesc

Guilherme Renaux e Carlos Cid Renaux foram fundamentais para a consolidação da entidade

Não há como falar da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) sem tratar de duas figuras ilustres de Brusque: os empresários Guilherme Renaux e Carlos Cid Renaux, o Calinho.

A importância da família Renaux foi documentada por vários autores. Para essa reportagem, foram usados o livro “Fiesc 65 Anos: O passo à frente da indústria catarinense”, escrito Nei Duclós, a revista comemorativa “80 anos Sifitec”, escrita por Saulo Adami, além de arquivos históricos.

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Os dois ex-presidentes foram primordiais para que a federação chegasse onde hoje está. Mas a história da Fiesc está ligada a Brusque por um fato anterior: a sua fundação.

“O Sifitec foi um dos sindicatos fundadores da Fiesc e teve o privilégio de ter dois brusquenses na presidência. Brusque sempre foi participativa pela sua pujança”, comenta Marcus Schlösser, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem, Malharia e Tinturaria de Brusque, Botuverá e Guabiruba (Sifitec).

Filho do Cônsul Carlos Renaux, Guilherme experimentara o pioneirismo em 1937. Foi neste ano que ele, ao lado de outros industriais de Brusque, fundaram o Sifitec, o primeiro sindicato deste gênero em Santa Catarina.

O mesmo Guilherme, que no dia 11 de fevereiro de 1937 havia lido a ata fundacional do Sifitec, teve papel importante para que o sindicato, junto com outros seis do estado, participasse da fundação da Fiesc.

Guilherme não sabia à época, mas teria uma tarefa difícil a cumprir no futuro. O primeiro presidente da Fiesc foi Celso Ramos, que depois foi governador e ocupou outros cargos públicos.

Ramos ficou na presidência de 1950 a 1960, ano em que se licenciou para concorrer ao governo do estado. Venceu, nas eleições, Irineu Bornhausen.

Guilherme Renaux, então vice-presidente, assumiu o restante do mandato deixado por Ramos. Em 1962, o industriário foi reeleito presidente para o mandato até 1966.

Formado em Agronomia, a gestão dele ficou marcada pela busca por novas tecnologias. Ele fez pesquisas de novas linhagens de algodão que tiveram impacto na cadeia têxtil.

Foi durante a gestão de Guilherme, em 1963, que o Palácio da Indústria, sede da Fiesc, foi inaugurado, em Florianópolis.

Carlos Cid Renaux e a modernização da entidade

Carlos Cid Renaux nasceu em 1920, foi presidente de 1968 a 1971, e faleceu em 2002 | Foto: Divulgação

Curiosamente, Calinho também recebeu a presidência, em 1968, de Celso Ramos, que havia voltado ao cargo em 1966. O industriário de Brusque derrotou o ex-governador na eleição da Fiesc.

Calinho teve uma gestão exitosa, com vários avanços e um legado que ainda hoje é percebido não só na indústria têxtil, mas em diversos segmentos. Ele representou a modernização da entidade e um ponto final ao ciclo de Celso Ramos.

A década de 1970 foi marcada pelo milagre econômico. Os diversos segmentos da indústria, desde a agroindústria até o têxtil, registravam alto crescimento.

Mas esse boom da economia nacional era custeado com investimentos externos. Não demorou para que a conta da política econômica do regime militar viesse, e com isso a indústria desacelerou.

Foi a partir daí que Calinho foi fundamental. Visionário, ele focou a sua presidência na busca de novos mercados. Se o brasileiro estava sem dinheiro, era preciso achar quem comprasse.

Até aquele momento, a maior parte da exportação catarinense era formada por madeira. Poucas indústrias arriscavam-se além das fronteiras.

Calinho viu uma oportunidade e, em 1969, criou o Consórcio Catarinense de Exportação (Concatex) para incentivar a internacionalização dos produtos do estado.

A contribuição para a profissionalização não parou por aí. Calinho também criou, no mesmo ano, a Divisão de Produtividade da Fiesc. Era um órgão voltado à capacitação, com cursos sobre planejamento, finanças e outros assuntos relacionados à gestão.

A educação sempre foi uma preocupação para Calinho. O empresário considerava que os problemas sociais caminhavam ao lado dos econômicos.

O industriário brusquense, neste campo, trabalhou para trazer o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) para Santa Catarina, o que conseguiu em 1969. Promoveu também a ampliação do Senai pelo estado, com a abertura de novas unidades.

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Foi durante a gestão de Calinho Renaux que o Senai chegou a Brusque. Ele também trouxe o Centro Esportivo do Sesi.

Ao mesmo tempo que promoveu ações para o fortalecimento da entidade, Calinho foi um hábil articulador político. Em 1968, a Fiesc cedeu espaço na sua sede para a instalação do gabinete provisório do governo federal.

O resultado prático foi o início da construção da BR-101, em 1969. A rodovia era fundamental para interligar o Sul ao Nordeste e ajudar no escoamento da produção.

Internamente, Calinho também fez um organograma com cargos, modernizou a estrutura da Fiesc e desenvolveu ações para fortalecer a entidade no interior do estado.

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