Sérgio Sebold

Economista e professor independente - sergiosebold@omunicipio.com.br

Jogo “limpo” de homens sujos

Sérgio Sebold

Economista e professor independente - sergiosebold@omunicipio.com.br

Jogo “limpo” de homens sujos

O delator da JBS que tem boa fatia do mercado mundial da carne, abriu o verbo sem qualquer escrúpulo de como agia nas águas turvas das falcatruas e chantagens para obter benesses de governos corruptos. As dimensões de seus negócios mundiais chegam às raias de colocar o Brasil numa situação de risco soberano, por uma eventual “quebra” de seu império construído com os recursos do país.

A JBS é uma nova cara da Friboi, onde o filho de Lula se beneficiou com a proximidade palaciana de seu pai, segundo a grande imprensa; se tornou a maior fornecedora de carnes do planeta. É muito estranho que de um pequeno açougue em 1953 do interior de Goiás chegue a um gigante de proteínas animais. Pelas dimensões da livre iniciativa pode abalar os alicerces do mercado mundial desta commodity, com mais de 200 mil empregados diretos ao redor do mundo. Mas, para alcançar esta posição corrompeu direta e indiretamente com apoio financeiro a mais de 1829 candidatos de 28 partidos, para manter uma “reserva” de manobra política no congresso. No campo ético muita coisa é possível, mas milagre é uma possibilidade remota.

Mais estranho, que a delação premiou os irmãos metralha de nenhuma sanção penal, a continuarem com livre trânsito em todas as camadas do Jet Set internacional. Isto coloca o Brasil diante de um impasse ético nos meios diplomáticos. Com uma fatia mundial de 10%, gera um risco enorme onde qualquer anormalidade de fornecimento, pode passar constrangimentos de sanções econômicas sem precedentes. Neste mercado de bens do setor primário, a carne é a proteína de maior consumo no mundo, a diferença entre a produção e o consumo é mínima. Esta diferença ocorre com grãos, onde a queda de um ano (embora os estoques mundiais são para cinco anos), gera flutuação dos preços no mercado internacional. Mas, carne não há estoques para tanto tempo. A operação “carne fraca” deixou o mundo em polvorosa, pelo risco de suprimento mundial. Embora houveram escaramuças diplomáticas e ameaças, ninguém deixou de comprar carne, porque é impossível substituir um fornecedor imediato por outro, mesmo que seja por um mês, dado os estoques mundiais. Os demais fornecedores como Argentina, Estados Unidos e Austrália estão com suas produções já comprometidas.

Salvo algumas crises de confiança da qualidade, o mercado logo voltou ao normal. Um boi para o mercado, precisa com toda tecnologia dois anos e meio para o abate. Os países dependentes não podem esperar por este tempo. Os fornecedores de similares, frango, porco, ovelha…, estão também no limite de suas produções. E agora?
Estes detalhes não são desconhecidos dos irmãos metralha, logo estão prontos com a “faca” na garganta de qualquer político que venha ameaçar suas posições, inclusive a Presidência.

Qualquer risco empresarial decorrente de suas delações, o mundo se jogará sobre o Brasil como um tsunami arrasador.

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