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José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

John Lennon e os mortos do Camboja

José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

John Lennon e os mortos do Camboja

José Francisco dos Santos

Quando eu era pré-adolescente, havia dois ícones que todos admirávamos e queríamos imitar: John Lennon e Che Guevara. Lembro-me de que queria ter problemas de visão, para poder usar um par de óculos redondos, iguais àqueles do ex-Beatle. Nunca quis usar uma boina ao estilo Che Guevara, mas me lembro de o quanto a imagem dele era quase onipresente, símbolo de gente inteligente e revolucionária. Era o início da década de 1980, e isso mostra o quanto a propaganda comunista e a revolução cultural já eram fortes. Na escola, aprendíamos a odiar os militares e a exaltar os “heróis da resistência”.

Anos antes, John Lennon, como quase todos os artistas de sucesso da época, estava engajadíssimo na campanha contra a guerra do Vietnã. Segundo a onipresente propaganda antiamericana, os Estados Unidos estavam violentando uma nação. Lennon e Yoko Ono foram símbolos dessa resistência. Até hoje, a versão brasileira de uma música italiana, gravada pela banda “Os Incríveis” e depois por muitos outros, faz sucesso. Quem não se lembra do “era um garoto, que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones”? Pois é, a letra da música é parte da propaganda contra a intervenção norte-americana no Vietnã, e embalou ideologicamente a juventude.

O exército norte-americano deixou o Vietnã em 1973. E o que se sucedeu? Os comunistas tomaram a região, inclusive o Camboja, que foi governado pelo grupo Khmer Vermelho. Esses comunistas fizeram, proporcionalmente, o maior massacre da história da humanidade, pois mataram cerca de 2 milhões de pessoas, um quarto da população total. É algo como matar 50 milhões de brasileiros (Vejam o filme “Fisrt they killed my father”).

Ora, alguém mandou a fatura dessas mortes para Lennon, Yoko ou para qualquer dos defensores da “liberdade”, que exigiam a saída do exército norte-americano da região? Era o exército dos Estados Unidos que mantinha, ainda, o frágil equilíbrio, numa região já invadida pelos russos e chineses. Alguém se lembra de alguma campanha contra os exércitos comunistas da China e da União Soviética, que davam suporte aos vietcongues e ao Khmer Vermelho?

Vejam como a visão que normalmente temos das coisas é, em grande parte, uma aberração histórica, causada pelo domínio comunista dos meios de propaganda e de cultura. Há décadas, somos doutrinados a pensar nos Estados Unidos como país imperialista e desrespeitador da democracia. É um verdadeiro massacre ideológico contra um país essencial para o equilíbrio político do planeta, enquanto a Rússia e a China avançam, violando tudo o que é razoável em relação à liberdade e à democracia, sob o olhar conivente do jornalismo mundial e dos formadores de opinião.

Esse jogo precisa ser virado. É inconcebível que os jovens da década de 1960, agora sessentões, continuem mantendo as mesmas opiniões e cultuando os mesmos ídolos, sem ao menos reconhecerem sua ingenuidade à época. Necessitamos urgentemente de novas ideias, novos pensadores e artistas, que nos ajudem a sair dessa masmorra intelectual, que nos mantém atados a uma versão fantasiosa do passado, que já dura 60 anos.

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