Os belos móveis de madeira fabricados por José Belli ainda fazem parte da mobília de muitos brusquenses. Ele foi o proprietário da fábrica de móveis e construção de casas que levava o seu nome e até hoje é lembrado pela dedicação e qualidade de seu trabalho, que tornavam cada móvel único e especial.

José nasceu em Brusque, em 25 de novembro de 1888. Filho de Sebastião Belli e Maria Gertrudes Steiner, frequentou as escolas alemãs da época e depois foi para Blumenau, onde permaneceu três anos no colégio dos padres. Lá, aprendeu o ofício de marceneiro.

Depois, voltou para Brusque e trabalhou dois anos na marcenaria de Paulo Moritz. Em 1909 foi para Florianópolis para trabalhar na fábrica de móveis de Carlos Reinich. Um ano depois, foi convidado para ocupar o cargo de contra-mestre da fábrica e estudou como envergar madeiras para realizar o sonho de Carlos Reinich: fazer as mesmas cadeiras que importava da Europa.

“Era uma fábrica muito grande, e meu avô contava que estudava muito para fazer envergar os braços da poltrona, com o uso daquilo que eles chamavam de sargento, ele ia cortando a prensa até conseguir desenvolver. Ele ficou muito realizado por esse feito”, conta Márcio Belli, um dos netos de José.

O feito do brusquense, inclusive, tornou a fábrica de Reinich a primeira da América do Sul a fabricar cadeiras envergadas e empalhadas.

Selo colado em um móvel fabricado por José Belli; o registro foi feito no Grupo Curto Fotos Antigas de Brusque por Alessandro Rocha | Foto: Divulgação

Depois de um tempo em Florianópolis, Reinich abriu uma fábrica em Porto Belo e José Belli foi designado como gerente da empresa, cargo que ocupou até 1920, quando retornou para Brusque. Primeiro, instalou-se em Águas Claras, depois veio para o Centro da cidade com sua fábrica de móveis e construções de casas.

Márcio conta que até hoje tem em seu sítio uma mesa elástica fabricada pelo avô. O neto lembra que, naquela época, todos os móveis precisavam sair com selos, que eram uma espécie de controle sobre os impostos. “Lembro que ele mandava a gente colar os selos nos móveis, atrás dos guarda-roupas. Se tinha que pagar 150 de imposto, colocava uma fileira de 10, outra de cinco e o imposto estava recolhido”.

Depois de pronto e dos selos colados, José e os netos levavam o móvel de carroça até o cliente. “A gente fazia a entrega em casa. Se o fiscal parasse, ia conferir se os selos estavam colados”.

A marcenaria de José Belli ficava na rua Almirante Barroso, hoje Marcos Malossi, no Centro, nos fundos de sua residência. Márcio recorda que na casa do avô tinha uma sala que ficava sempre fechada e só era aberta em ocasiões muito especiais. A sala era toda mobiliada com móveis feitos por ele. 

No museu Dom Joaquim, no bairro Azambuja, um altar todo em madeira feito por José Belli está em exposição, demonstrando que ele tinha muito talento e era um verdadeiro artista. “Para nós é uma alegria. Meu avô sempre teve muito orgulho do seu ofício, viveu para aquilo, e saber que ainda hoje ele é lembrado nos deixa muito felizes”, destaca.

José Belli trabalhou fabricando móveis e utensílios em madeira até os 85 anos. Quando parou, ainda por várias vezes era solicitado para dar soluções a problemas de construções, especialmente em questões de escadas, por ser um verdadeiro especialista. Ele faleceu em 1984, aos 95 anos.


Você está lendo: José Belli: exímio marceneiro e carpinteiro


Leia também:
– Introdução
– As aventuras e desventuras de Heinz Willrich
– A geladeira brasileira nasceu em Brusque
– O brusquense que criou Sadol e Melagrião
– A caleça de Rodolfo Pruner
– Pelas águas do rio Itajaí-Mirim
– O primeiro circular de Brusque
– Revolução no comércio de Brusque
– Banco catarinense, mão brusquense
– As aventuras do alfaiate Gustavo Krieger
– A loja dos brusquenses
– Anos de glória e queda da Casa do Rádio
– Brusque eternizada
– A breve e bela história da Rojan
– A história centenária das salas de cinema
– O hotel da família Schaefer
– As cervejas que marcaram época
– Vida e morte da Loja das Malas
– História de 109 anos
– A pioneira da metalmecânica
– O inconfundível sabor da geladinha
– O primeiro jornal dos brusquenses
– A companheira dos brusquenses
– História centenária
– A fábrica de arroz do Bateas
– Helga Kamp, a proprietária da primeira escola de idiomas de Brusque
– O point chique dos anos 50 e 60