Gosto
de imaginar nossa vida como uma jornada. Desde que fomos concebidos, temos uma
estrada a percorrer. Quanto mais cedo tivermos consciência da direção que
devemos seguir, mais bem sucedida será a peregrinação.

A
ideia de jornada nos faz lembrar que não estamos aqui para permanecermos
imóveis, nem para vagarmos sem rumo. A estagnação é, talvez, o principal erro
que podemos cometer contra a nossa vocação natural de caminhantes. No fluxo constante
do tempo, corremos o risco de apenas vermos a vida passar, ignorando que
estamos embarcados nela e que, como diz uma antiga música popular, “ninguém
veio ao mundo a passeio”.

Olhe
para você mesmo(a) e reveja os seus últimos cinco anos. O que foi acrescentado
de positivo na sua jornada? Que tipo de crescimento você teve? Como tem lutado
contra os seus defeitos? Você está se tornando uma pessoa melhor? O que
aprendeu de significativo? Essas são perguntas cruciais, que medem a
responsabilidade com que encaramos a dádiva da vida e do tempo.

Um
dos maiores escândalos do nosso tempo é o hábito que adquirimos, com cada vez
mais voracidade, de desperdiçarmos a vida. As vozes que controlam nossa cultura
nos ensinaram a “aproveitar” a vida exatamente do pior jeito: dissipando nosso
tempo numa “curtição” vã e infrutífera, como se a vida fosse uma balada eterna
e inconsequente. Quem pensa que “veio ao mundo a passeio” quer usufruir do
sagrado direito de estar o tempo todo se divertindo. Aquilo que não provoca uma
satisfação imediata provoca tédio e irritação. Como o alcoólatra diante da
cachaça, muitos ouvem apenas a voz de sua sensibilidade contaminada, que pede
mais um trago, ou mais uma dose de alguma coisa que os faça esquecer que têm
responsabilidades e que a vida as cobrará a seu tempo. Desse modo, ao invés de
partirem em jornada, permanecem patinando no mesmo lugar, enquanto o tempo
passa e os transforma em analfabetos funcionais, profissionais incompetentes,
trabalhadores desleixados, pais e mães despreparados, que se encarregarão de
garantir que a próxima geração seja ainda pior.

Mais
do que nunca, é necessário retomar a consciência de que estamos em jornada e
que as dificuldades do caminho são estratégicas para que possamos crescer
enquanto caminhamos.

Esse
é o espírito da Jornada Mundial da Juventude. Quando uma imensa quantidade de
jovens se reúne, em espírito de jornada, tentando se colocar de novo em conexão
com sua natureza superior, é possível pensar que nossa civilização ainda tem
jeito. Que esse espírito atinja e afete a todos nós.