Jovens empreendedores se destacam em Brusque

Falta de conhecimento e planejamento são as principais dificuldades destes profissionais

Jovens empreendedores se destacam em Brusque

Falta de conhecimento e planejamento são as principais dificuldades destes profissionais

Cada vez mais jovens empreendedores se destacam no mercado de trabalho. A Associação Empresarial de Brusque (AciBr), por exemplo, tem o Núcleo de Jovens Empreendedores, que conta atualmente com 25 membros. Por meio do associativismo, realizam reuniões com o intuito de fazer networking (expandir redes de contatos), conhecer cases, participar de palestras e discussão acerca de seu próprio negócio. O objetivo é fortalecer, aprimorar e buscar soluções para suas empresas.

O presidente da AciBr, Edemar Fischer, explica que o jovem empreendedor não cria barreiras e nos momentos de crise busca ser mais assertivo e criativo. “Ele vem procurando incentivo, capacitação para ampliar a representatividade, e está provendo o desenvolvimento e o crescimento pessoal”. Segundo ele, em Santa Catarina o número de jovens empreendedores está crescendo muito.

Falta de conhecimento

A principal dificuldade encontrada por esses profissionais, segundo o presidente da AciBr, é a falta de conhecimento para gerir o próprio negócio, tanto na questão administrativa como financeira. Outro problema é o apoio das instituições financeiras para o incentivo e subsídio de abertura de novas empresas. “Por serem jovens empreendedores existem barreiras para abertura de crédito, apesar de haver linhas de apoio como o Sebrae, BRDE, BNDS. Mas poderia haver mais investimentos nas futuras empresas e credibilidade aos jovens que hoje querem abrir o seu próprio negócio”, frisa.

Os núcleos setoriais da AciBr, mais especificamente o jovem empreendedor, promovem capacitações, palestras, workshop, visitas empresariais, consultorias individuais, parcerias com universidades e treinamentos para incentivar esse novo empresário.
Além disso, a entidade tem parcerias com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Serviço Social da Indústria de Santa Catarina (Sesi), Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
Cursos técnicos

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Brusque realiza cursos técnicos em parceria com o Sebrae para estimular jovens no início dos seus negócios. O diretor da unidade, José Vanderlei Cardoso, destaca que a cidade possui um celeiro de juventude empreendedora e que é uma tendência abrirem empresas ou seguirem as atividades da família. “Há muita participação desse público em cursos e atividades extracurriculares. O envolvimento neste segmento é grande”, diz, afirmando que muitos órgãos se preocupam com este tema.

O Sebrae-SC, por sua vez, desenvolve o Programa Jovem Empreendedor (Jeep), que busca inserir em crianças e adolescentes da rede de ensino a visão e importância de ser um agente de negócios. O coordenador regional do Serviço da Foz do Itajaí, Alcides Sgrott Filho, explica que o objetivo é envolver desde a infância o cidadão para que tenha capacidade de criar produtos. Atualmente, em Brusque, este projeto não está sendo desenvolvido em nenhuma escola. No Centro Universitário de Brusque (Unifebe), porém, anualmente acontecem seminários de empreendedorismo que promovem e debatem o tema.
Burocracia e falta de incentivo dificultam trabalho

Ricardo Gianesi é um jovem empreendedor. Ele tem 30 anos e desde 2009 é proprietário da Zanata Bordados, uma prestadora de serviços para confecções, especificamente bordados e corte a laser. Ele considera a burocracia e a falta de incentivo do governo a maior dificuldade para os jovens empresários. “Os financiamentos possuem taxas de juros altíssimas que assustam quem vai abrir um novo negócio. Acho que mentalidade do governo é errada, pois os juros deviam ser bem baixos e deveria ter uma linha de crédito com carência para quem realmente quer e tem um projeto de negócio”, afirma.

Gianesi frisa que “trabalhou duro” para conseguir comprar uma máquina à vista, porque não conseguia nenhum tipo de financiamento. Além disso, diz que para abrir a empresa e conseguir os alvarás e as licenças necessárias para poder trabalhar dentro da lei, demorou muito.

O empreendedor afirma que é válido o trabalho da AciBr, já que todo o tipo de informação é bem-vinda, no entanto, acha que a divulgação destes programas ainda é pequena. “Sempre tive vontade de ter o meu negócio e gosto muito do que faço”. Segundo ele, é preciso confiar que o cenário atual irá melhorar. “Não podemos baixar a cabeça perante as dificuldades de se empreender no Brasil. Não é fácil, mas não podemos desistir”, ressalta.
Planejamento é primordial para o negócio

Em dezembro de 2014, Carlos Eduardo Bonamente, de 27 anos, abriu o seu próprio negócio – o Mexicali Delivery, que oferece comida mexicana na casa do cliente. No entanto, atrelado a isso, ele trabalha como vendedor no setor elétrico da Walpa Instaladora e Comercial e se divide nas duas funções. “Minha motivação veio de uma oportunidade de negócio que não existia na região, após ter a ideia, fui aprimorando”, conta, dizendo que é importante haver questionamentos sobre o que o seu negócio pode oferecer que o concorrente não oferece.

Para Bonamente, as dificuldades de abrir o próprio empreendimento está dentro de cada um, já que “com a tecnologia, abrir um negócio e fácil, rápido e sem burocracia”.

Para o cidadão que deseja abrir como um Micro Empreendedor Individual (MEI), as contabilidades podem dar apoio, gratuito. Bonamente cita também que o Sebrae lhe ajudou no aprimoramento do seu “eu” empreendedor. “Descobri lá, que por mais que seu negócio seja inovador, sem planejamento não se alcança resultado algum”, diz, ressaltando que devido à inexistência de conhecimento sobre o seu negócio, que é o ramo gastronômico, dedicou aproximadamente um ano e meio para aprender e conhecer o tipo de mercado.

Ele afirma que o trabalho da AciBr, por exemplo, é gratificante ao jovem empreendedor, pois eles discutem dificuldades e repassam uma experiência vivida no cotidiano. “Eles fazem visitas em empresas consolidadas para aprenderem mais experiências”.

Bonamente observa que o mercado vem passando por dificuldades e que ainda não se consegue prever uma melhora significativa, porém, ele está com ótimas expectativas, já que o número de clientes está aumentando.
Número de novas empresas aumenta no Brasil

A pesquisa “Global Entrepreneurship Monitor”, divulgada no primeiro trimestre deste ano, diz que 34 em cada 100 brasileiros adultos (ou seja, com idades entre 18 e 64 anos) possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de um negócio próprio. Há dez anos eram 23%.

Na comparação internacional, o empreendedor brasileiro também se destaca. A fatia de habitantes que já têm uma empresa ou que estão envolvidos na criação de uma é maior do que a da China, por exemplo, que é de 26,7%. Nos Estados Unidos, a fatia é de 20%. No Reino Unido é 17%; na Índia, 10%; e na África do Sul, 9,6%.

Colabore com o município
Envie sua sugestão de pauta, informação ou denúncia para Redação colabore-municipio