Um dos clubes esportivos mais tradicionais de Guabiruba, a Sociedade Beneficente e Recreativa Lageadense, do bairro Lageado Baixo, surgiu muito antes de sua própria fundação. Em 2 de novembro de 1978, foi oficializada a fundação da instituição, à época com o nome Clube Esportivo Lageadense, mas muitos anos antes o time de futebol já existia por este nome, sem ser registrado legalmente.

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De acordo com Cesário Martins, presidente do clube de 1983 a 1992, o time começou ainda em Brusque. Isto porque o Lageadense já existia desde os anos 50, quando Guabiruba era território brusquense. “Meu pai era goleiro do Lageadense, e jogava por todos estes pastos por aí afora. Quando eu tinha cinco anos, já via o time jogar”, relembra.

A fundação se fez necessária para oficializar o clube e torná-lo uma instituição possível de receber apoios financeiros de empresas e do Estado. Na verdade, existem dúvidas sobre qual é o time de futebol mais antigo do município.

“Hoje, qual é o mais antigo da Guabiruba? O Guabirubense [hoje desativado]? Porque o Cruzeiro foi depois de nós…”, indaga Martins aos ex-colegas de clube, também presentes na entrevista. Em 24 de outubro de 2018, a reportagem de O Município reuniu seis membros de diferentes gerações do Lageadense para fazer boa parte do resgate de sua história.

A administração do clube era feita de forma totalmente voluntária, às custas de seus membros mais ativos. José Zancanaro, hoje vereador de Brusque, teve participação atuante na parte jurídica do clube, e também foi jogador.

Só em 1993 foi feita a cancha de bocha na sede | Foto: Lageadense/Arquivo

Os oponentes
Os primeiros adversários do Lageadense foram equipes que não existem mais como Peñarol do Holstein, Guabirubense, Aymoré, Continental, Guabiruba Sul, Asa Branca do Lageado Alto, Planície Alta e Pomerânia. Havia também outros clubes tradicionais, como o Cruzeiro, do Aymoré.

“Quando a gente perdia muito, chamava o Planície Alta pra animar. Tinha que animar o time. Aí a gente chamava o pessoal da Planície Alta, aí goleava e animava de novo”, conta Martins, aos risos.

“A gente perdia pro Guabirubense de 5 a 0, aí chamava o pessoal do Lageado Alto pra ganhar deles”, completa Vilmar Ebel, de 57 anos, que foi presidente de 1995 a 1999.

O craque
Na entrevista com personagens importantes do Lageadense, um nome foi lembrado como sendo um dos maiores jogadores da história do clube: Pedro Pollheim, que reside até hoje no bairro.

Folclórico e lendário, o atacante era um jogador habilidoso e desregrado. Jogador do Lageadense desde antes da fundação oficial, quando as chuteiras começaram a se tornar equipamento indispensável, ele as dispensava.

“Ele tirava as chuteiras logo depois que começava o jogo, ficava de meias. O pessoal dos outros times reclamavam para o juiz, e o Pollheim inventava desculpa, dizia que tava com o pé machucado”, lembra Vilmar Ebel, que também relata tê-lo visto marcar um gol de bicicleta segundos antes de prever o feito. Cesário e Vilmar afirmam que ele foi extremamente habilidoso, e hoje, com mais de 70 anos, ainda joga bola, de brincadeira, fora das partidas oficiais.

Em campo, Pollheim era também irreverente e brincalhão. Vilmar conta às gargalhadas que, em um jogo, foi substituído por seu irmão gêmeo. Vendo a alteração, o craque gritou: “Mas não vai mudar m* nenhuma!”

Diz o mesmo Vilmar que um adversário do bairro Planície Alta é conhecido até hoje como Vaca Braba por causa de Pollheim. Após muitos carrinhos  em uma partida e com um comportamento agressivo, o craque do Lageadense teria dito que “não consegue parar em pé, parece uma vaca braba”. E o apelido pegou.

O time em 1987: Em pé: Lula, Coti, Mauri, Natal, Moacir, Valmir, Beno, Dino, Ade e Isaias.
Agachados: Chico Baron, Jair, Toninho, Cesário, Ademir, Chico Ebel e Picada. | Foto: Lageadense/Arquivo

Sede e campo
A sede do clube funcionou sempre no mesmo lugar, desde 1978. “Havia uma barraquinha de lona para as pessoas se reunirem. Foi feito um baile, num sábado à noite, 25 de novembro de 1978. Não me esqueço disso nunca mais, foi o primeiro dia em que saí com minha mulher”, recorda o ex-presidente.

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Foi o sinal de partida para a compra do terreno. Foram reunidas 40 pessoas, e cada uma precisaria contribuir com quantias em dinheiro. Nem todos tinham condições. “Teve gente que vendeu o porquinho da estala [estábulo] para contribuir com o clube. Não foi fácil”. Os nomes de 40 pessoas da comunidade constam no Livro de Ouro do clube, que ajudaram financeiramente.

O campo do Clube Esportivo Lageadense, no entanto, foi inaugurado de fato em 1987, com uma estrutura propícia para a prática do esporte em nível mais alto. Antes, as traves eram de bambu, sem rede, marcação de área, nem nada. Alguns jogadores chegavam a disputar as partidas descalços. Para que fosse finalmente instalada a estrutura, eram organizados bailes e bingos.

Nas décadas de 70 e até o início da de 80, alguns jogadores disputavam as partidas descalços. Em pé: Beto, Ciro, Adário, Lole, Alvim, Irineo, Raul e Lourenço. Agachados: Lelo, Erico, Ambrósio, Arnaldo, Zeca Zancanaro e Nico. | Foto: Lageadense/Arquivo

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