Lenda do dragão de Guabiruba perdura há quase 40 anos

Viúva de Pedro Ismanioto, que morava no Lageado Alto, conta relato do marido

Lenda do dragão de Guabiruba perdura há quase 40 anos

Viúva de Pedro Ismanioto, que morava no Lageado Alto, conta relato do marido

Uma das famosas lendas do município nasceu na região montanhosa do Lageado Alto: o dragão voador de Guabiruba. A primeira aparição da criatura se deu em meados de 1982. Depois disso não se sabe ao certo se o dragão apareceu novamente.

Uns contam histórias assustadoras, outros são mais cautelosos ao falar sobre o assunto e preferem contar apenas o que ouviram. No meio de crentes e descrentes, estão os mais engraçados, que não perdem tempo e muito menos a piada. Daí a lenda do dragão ganha mais uma versão e continua sobrevoando Guabiruba.

O primeiro a ver o dragão foi o agricultor Pedro Ismanioto, que morava no Lageado Alto. Pedro já é falecido, mas sua viúva, Laura Ismanioto, de 66 anos, que hoje mora em Brusque, lembra muito bem da primeira e única vez que seu marido viu o animal.

Dona Laura conta que, naquela manhã de 1982, Pedro voltou assustado do mato onde tinha ido buscar o trato (folhas de caeté) para os animais. “Estava em casa quando ele chegou assustado e com os joelhos sujos. Estranhei, porque ele estava apenas com um maço pequeno de caeté, o facão e sem os bois. Na mesma hora ele disse: ‘eu preciso que você volte comigo, mas você não vai acreditar no que eu vi’”, diz.

Dona Laura Ismanioto vivenciou o desespero do marido em 1982. Ele foi o primeiro morador do Lageado Alto que diz ter visto o dragão / Foto: Arquivo O Município

Amedrontada, ouviu atenta a história de Pedro: “Ele disse que escutou pessoas  conversando muito alto, vozes. Aí ele disse para essas vozes: ‘podem vir eu não tenho medo, estou com o facão e vocês estão querendo me botar medo’. Na mesma hora passou um pássaro marrom de asas abertas por cima da cabeça dele. Um bicho bem feio.”

Segundo ela, apesar do susto e do medo, Pedro continuou cortando o caeté até que viu o bicho mais perto ainda. “Ele foi cortando o caeté quando olhou para cima e num galho tinha o bicho marrom com língua de fogo grande que quase bateu na cabeça dele. Quando ele viu aquilo caiu duro de joelhos e não podia mais se mexer”.

Ao ouvir a história ela acreditou no marido, mas ficou com medo de ir junto. “Eu disse: ‘pai, eu tenho medo, vai que eu vejo também?’ Mas, como eu sempre tive muita fé, peguei um galho de ramo bento, coloquei sobre meu peito por dentro da roupa e com meu rosário na mão fui com ele até o local”. Lá, Laura sentiu o desespero do marido e viu o lugar onde ele ficou ajoelhado. “Eu disse: ‘olha pai, vamos acabar de cortar o pasto, eu te ajudo’, mas ele não quis nem saber e me disse: ‘não Laura, vamos para casa com o boi, assim como estamos’”.

A manhã seguinte
No outro dia, um tio disse que o vulto que ele viu poderia ser um mono (macaco), mas Pedro discordou: “eu volto com vocês, mas tenho certeza que não são monos”. Ele foi até próximo à grota, mas começou a ouvir vozes e não continuou em busca da criatura voadora.

Depois da aparição, o local virou roça de fumo. O dragão nunca mais apareceu, pelo menos para seu Pedro. Ele, que antes tinha pouca fé, rezou por um ano inteiro o terço e passou a andar com o rosário no bolso. “Foi assim que ele me contou e isso que eu lembro. Não sei o que pode ter sido, mas eu acredito que foi um sinal de Deus”, diz dona Laura.

Essa história foi contata pelo próprio Pedro ao jornal O Município no dia 17 de agosto de 1990. Pedro relembrou os momentos de terror vividos no meio da mata e descreveu o bicho como “grande, com língua vermelha de fogo e escamada”.

Arlindo Lana, outro morador do Lageado, também teria visto o dragão voador. As características apuradas na época em reportagem do jornal são idênticas.

Em Guabiruba são se sabe ao certo se mais gente viu o dragão voador. Além disto, existe também muita polêmica a respeito do caso e os moradores não gostam de falar sobre o assunto. O que se sabe é que muitas pessoas acabaram inventando novas versões que mantêm viva a lenda.

Queda do avião
Uma das histórias que circulam na cidade, é que o dragão seria o responsável por um acidente aéreo em Guabiruba em 1996. O animal teria destruído um avião que sobrevoava a região do Aymoré. Contam na cidade que as conversas da caixa preta foram rapidamente escondidas, para evitar o pânico na região. Até hoje ninguém sabe ao certo se isso realmente aconteceu. A reportagem tentou localizar informações sobre o acidente, mas não obteve sucesso.

Na rede
Para intrigar ou animar os interessados no assunto, várias páginas na internet foram criadas contanto um pouco sobre o dragão. No entanto, a maioria possui o mesmo texto e poucas informações sobre o fato. Tem ainda vídeos no YouTube de apresentações teatrais e outras montagens sobre a lenda. Basta pesquisar por “dragão de Guabiruba” e se divertir!

Colabore com o município
Envie sua sugestão de pauta, informação ou denúncia para Redação colabore-municipio