A Casa Avenida fez parte da vida de muitos brusquenses que, até hoje, guardam lembranças daquela que pode ser considerada a primeira loja de departamentos do município.

Fundada em 1945 por Frederico Heil, a Casa Avenida começou vendendo, sobretudo, artigos para presentes e máquinas de costura. Com o tempo, entretanto, ampliou para o comércio de tecidos, confecções, eletrodomésticos, lambretas e motos.

Quem administrava a loja eram os irmãos Francisco e Antônio (Neco) Heil que, com o passar dos anos, transformaram a Casa Avenida em uma das potências de Brusque. A loja estava localizada no Centro da cidade, na avenida Cônsul Carlos Renaux, onde atualmente estão as lojas Americanas e Koerich.

“Os dois é que realmente tocaram e formaram o império da Casa Avenida. Na época, era como se fosse a Havan, a diferença é que não havia todo esse número de lojas, mas vendia de tudo”, diz Ademir Pereira, que trabalhou durante 35 anos na empresa.

Pereira começou na loja em 1962 como office boy, fazendo o arquivamento de papéis. Em 1969, se formou em contabilidade e assumiu o setor da empresa. Nos anos 1990, assumiu a assessoria da diretoria da loja e lá ficou até o fim das atividades.

Casa Avenida durante a enchente de 1954 | Foto: Curto Fotos Antigas de Brusque/Erico Zendron

O ex-funcionário tem muitas lembranças da loja que marcou época em Brusque. Entre uma das suas principais recordações está o período de Natal, em que o local ficava muito movimentado. Todos queriam garantir os presentes na Casa Avenida.

“O fim do ano era uma festa porque a loja tinha os melhores brinquedos. Tinha também uma variedade de produtos, tecidos, confecção, eletrodomésticos, móveis, utensílios, tapetes, cortinas e o canto jovem com as marcas mais famosas do Brasil”.

Na semana de pagamento, a loja também ficava muito movimentada. Eram filas e mais filas de clientes pagando os carnês da Casa Avenida e, claro, já aproveitando para comprar novos produtos também.

“Chegava o começo do mês que saia o pagamento, a loja ficava cheia. Não tínhamos convênio com bancos, então recebíamos o crediário e o pessoal ia tudo pagar na loja, eram filas e filas de pagamento”.

O ex-funcionário afirma que o auge da Casa Avenida foi nos anos 1970 e 1980. A loja, inclusive, recebeu várias premiações por bater metas de vendas. “Quando chegou a TV colorida em Brusque, teve um mês que vendemos 550 televisores. Era muita coisa”.

Para Pereira, a fidelidade do brusquense à Casa Avenida também foi uma das marcas daquela época. “Todo sábado via pessoas conhecidas que iam lá comprar. Lembro que uma vez o pai levou o filho para abrir conta lá e, anos depois, eu vi esse filho pedir para abrir o crediário para o neto. Passou de geração a geração. O brusquense era muito fiel nas compras”.

Apesar da fidelidade do brusquense, os anos de glória da Casa Avenida sucumbiram aos anos 1990. O ex-funcionário conta que a loja teve uma série de problemas desencadeados pelos planos econômicos dos governos Sarney e Collor e, pouco depois de completar 50 anos em Brusque, fechou as portas, colocando um ponto final em uma história de sucesso.


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