A origem de Los Bandoleiros é bem peculiar se comparada a todos os outros times do município. A equipe é recente, não tem sede, não é formada pela mobilização de um bairro, mas se baseia em sua organização e comprometimento para prosperar.

O time surgiu em 2009, por meio da mobilização de colegas que estudavam juntos ou se conheciam no Ensino Médio, no Centro. O objetivo inicial era fundar um time para a disputa de um torneio de futsal do Sesc, e o nome foi escolhido por meio de uma música que eles escutaram, sem muita pretensão. Mesmo novatos, Los Bandoleiros começaram bem sua trajetória e já conquistaram o vice-campeonato nesta competição. 

O primeiro uniforme foi pago por Elenira Comandolli, mãe de um dos meninos que formavam o time, e que tinha um mercado na época, e Jucelino Tachini, que tinha uma confecção, pai de outro integrante. O técnico que eles convidaram foi Salésio Xavier, pai de outro jogador da equipe, pela experiência que tinha em torneios, e que continua até hoje ligado aos Bandoleiros.

Depois disso, eles não pararam mais. Primeiro, começaram com participação no campeonato municipal de futsal na cidade, no qual foram campeões duas vezes.

Nos primeiros seis anos de existência, Los Bandoleiros ainda não tinham se aventurado nos campeonatos e torneios de futebol de grama, história que começou em 2015.

“Desde o começo, as pessoas queriam jogar com a gente. Botuverá sempre teve muitos times de bairros, e às vezes os mais novos têm que aguardar a vez porque a prioridade são os mais velhos. Com a gente não, a gente partiu do zero. Como tinha muita gente que queria jogar conosco, pensamos em fazer o time de campo. A gente correu atrás e conseguiu”, conta João Alexandre Dalmolini, responsável financeiro dos Bandoleiros.

Sucesso meteórico

Os bons resultados que Los Bandoleiros tiveram nas quadras se refletiram nos campos logo de cara. Na primeira vez que participaram do municipal de futebol, eles foram campeões batendo o Figueira na decisão. O sucesso imediato surpreendeu até os próprios membros da equipe.

“Na final, nossa primeira vez, tinham alguns experientes com a gente, mas éramos muito novos. Mesmo assim a gente foi campeão, e quando acabou o jogo, a gente comemorou muito, mas o treinador do Figueira perguntou: vocês não têm foguete? E a gente respondeu que não, íamos só fazer um churrasco. Era o primeiro ano que a gente disputava, o que viesse era lucro”.

Elenco campeão municipal de 2015, na primeira participação dos Bandoleiros | Foto: Arquivo pessoal

No ano seguinte, Los Bandoleiros foram campeões outra vez do municipal de futebol. Dalmolini conta que muitos na cidade apontam o sucesso dos Bandoleiros pela individualidade de um jogador em especial – o atacante Luiz Fernando -, mas acredita que a organização e o entrosamento fazem a diferença para a equipe.

“Ele sempre foi um diferencial, mas o pessoal joga junto, vem desde a escola. A gente fazia um treino na época da escola, isso foi um diferencial. É um pessoal novo, com vontade de ganhar”.

Pretensões

Da equipe original formada na escola, apenas três jogadores continuam. Apesar disso, Dalmolini conta que os Bandoleiros não encontram dificuldades para fechar o elenco para os campeonatos municipais de campo, em que podem inscrever no máximo 25 jogadores.

“Como sempre estamos disputando, o pessoal sempre vem até a gente perguntando se não tem alguma vaga no time. Algumas pessoas torcem o nariz, porque o pessoal sai dos bairros para jogar com a gente. Às vezes temos até que escolher, porque tem um limite de inscrições”.

João Dalmolini está com os Bandoleiros desde a fundação | Foto: Arquivo pessoal

Sem sede fixa, os Bandoleiros já atuaram no campo do Grêmio e, mais costumeiramente, no União. A construção de um estádio próprio ainda é mais um sonho do que uma realidade, mas, nem por isso, o time não deixa de prezar pela organização.

“A gente sempre dependeu de ajuda, e tem empresas que acompanham a gente desde 2009. Todo ano fazemos um jogo de camisas e hoje temos um caixa, uma estrutura. A gente não paga jogador, mas a gente sempre tenta juntar as famílias, valorizamos muito a amizade. Todo final do ano a gente chama os patrocinadores, organizamos uma confraternização e fazemos uma prestação de contas. Somos transparentes, acho que isso também conta. Temos prazer em reunir o pessoal. Agradecemos todas as pessoas e empresas que sempre nos ajudaram”.


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