Cansado de trabalhar na lavoura de fumo em Presidente Getúlio, Jaime Hoepers, 57 anos, chegou em Guabiruba em 1993, com a expectativa de ter uma vida melhor. Com poucos recursos, arrendou uma pequena marmoraria e, logo depois, criou coragem para abrir seu próprio negócio, continuando no mesmo ramo.

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Assim surgiu a Marmoraria JC, uma das principais empresas do segmento na região. No início, Hoepers lembra que era preciso vender uma chapa de granito para que, com o lucro, fosse possível comprar mais chapas e engrenar o negócio. Hoje, a loja já conta com um estoque de mais de 1,5 mil chapas, possibilitando a pronta-entrega para o cliente. “Isso é uma coisa que há 20 anos não acontecia”, diz Hoepers.

O crescimento da marmoraria, inclusive, fez com que o empresário sentisse a necessidade de contar com equipamentos melhores. As máquinas comuns para fazer o polimento do granito não são tão resistentes, por isso, Hoepers desenvolveu uma máquina própria, de baixo custo e fácil manutenção.

Marcos, Júnior, Jaime e Alexandre administram a Polifácil e a Marmoraria JC | Foto: Bárbara Sales

A nova máquina despertou o interesse de outras empresas do ramo e, assim, há quase dez anos, o empresário vislumbrou a possibilidade de diversificar as atividades dentro do mesmo segmento. Nascia, então, a Polifácil.

“A marmoraria começou a crescer muito, começamos a comprar em quantidade e as marmorarias pequenas da região começaram a comprar da gente, tanto o granito bruto, quanto o abrasivo para fazer o polimento, e a máquina desenvolvida pelo pai. Então começamos a vender no atacado também”, conta Jaime Hoepers Júnior, responsável pelo setor financeiro da Polifácil.

Hoje, a família administra as duas empresas, cada uma voltada a um público específico: a marmoraria mais focada para o consumidor final e a Polifácil para empresas. “Temos tudo que uma marmoraria precisa”, destaca Júnior.

As pedras vem direto das pedreiras do Espírito Santo, principal pólo graniteiro do país. Lá, as pedras são serradas e só depois enviadas para Guabiruba onde serão polidas e poderão ser comercializadas. Hoje, são mais de 50 tipos diferentes de pedras, entre mármore, granito e quartzo. Alguns tipos também são importados da China.

 

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Expansão
De acordo com Júnior, atualmente a Polifácil fatura cerca de quatro vezes mais que a marmoraria, já que o mercado é bem mais amplo, por isso, o foco da família é na expansão da empresa. “Hoje na marmoraria estamos bem satisfeitos pela demanda e pelos clientes que a gente tem. Percebemos que a maior possibilidade de crescimento está na Polifácil, por essa facilidade de entrega e venda, por isso, estamos buscando abrir cada vez mais regiões”.

A família já estuda, inclusive, adquirir máquinas próprias para fazer a parte de serragem e polimento das pedras, pois hoje dependem de serrarias parceiras do Espírito Santo. “Como compramos o bloco bruto na pedreira, pagamos a empresa terceirizada para fazer a parte de serraria. O problema é que dependemos da programação dessas empresas. Já estamos buscando comprar o maquinário para ter as pedras com mais agilidade, sem depender do serviço de terceiros”, destaca Júnior.

A família ainda avalia se instalará o novo braço da Polifácil em Guabiruba ou no Espírito Santo, já que lá é mais fácil encontrar mão de obra e manutenção especializada para as máquinas. “O plano é fazer tudo dentro da empresa, sem terceirizar nada”.

Planejamento é chave do sucesso
Jaime destaca que um dos pontos fundamentais para o sucesso tanto da marmoraria quanto da Polifácil é o planejamento. “A gente nunca tirou dinheiro da empresa para usar para nossa diversão”, diz.

Além de Júnior, outros dois filhos de Jaime também trabalham na Polifácil: Marcos, que é responsável pela manutenção, e Alexandre, que é do setor de vendas. A esposa de Jaime, Ereni Hoepers, é a responsável pela marmoraria.

“Toda família trabalha aqui, mas temos empregados que ganham mais do que meus filhos. Tiramos salário igual como se fosse um funcionário, não temos participação nos lucros. Tudo é revertido para o crescimento das empresas”, destaca.

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