Trabalhando como gerente de vendas em uma empresa têxtil de Guabiruba, Marcelo Kohler, 51 anos, foi alimentando o sonho de ter o seu próprio empreendimento.

Em 1988, ele decidiu sair do emprego e, na cara e na coragem, criar seu próprio negócio.

O guabirubense viajou até Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, para acertar algumas pendências e lá encontrou o japonês Mitzu Nishimura, que o encorajou a tornar-se seu fornecedor de cuecas.

“Ele disse que tinha um modelo de cueca que vendia bastante, mas o fornecedor não estava dando conta de fazer. Ele me propôs e eu resolvi produzir”, conta.

Marcelo Kohler é um dos fundadores da Mc’Ju | Foto: Bárbara Sales

Kohler voltou para Guabiruba e, na garagem da casa de seu pai, iniciou a produção de cuecas que, mais tarde, originou a Mc’Ju Indústria e Comércio de Confecções.

Em 1991, Kohler se associou ao seu tio, Juliano Schumacher – hoje proprietário da Guabifios – para criar a empresa, que seguiu com a produção de moda íntima, sobretudo, cuecas. Com o passar dos anos, a produção aumentou tanto que a Mc’Ju ficou conhecida na região como “o rei das cuecas”.

“Começamos muito forte. Fazíamos um número exagerado de cuecas por mês, quase uma para cada habitante de Guabiruba diariamente”, diz.

A sociedade com Schumacher seguiu até 2004, quando ele saiu para fundar a Guabifios. Kohler continuou com a Mc’Ju e, em 2005, a empresa passou também a revender tecidos em rolo.

Em 2006, procurando diversificar o mercado, a empresa deixou de produzir cuecas para se dedicar somente à moda feminina. “Devido a grande concorrência na época e já tendo outro foco de mercado em cima da confecção, ficamos somente com a linha da moda feminina”.

Hoje, a empresa conta com 120 colaboradores diretos e em torno de três mil indiretos. A produção de moda feminina chega a uma média de 600 mil peças mensais entregues em todo território nacional. Também são produzidos 1 milhão de quilos de tecidos por mês.

“Na confecção feminina, trabalhamos com os principais magazines do Brasil, do Nordeste ao Sul. Temos mais de três mil clientes cadastrados na região Sul só para confecção. Nos tecidos, atendemos principalmente o Nordeste, o Rio de Janeiro e Minas Gerais”, destaca Kohler.

Em 2010, a empresa criou mais um braço: a M7 Malhas, que é importadora de tecidos e integra o grupo.

Valorização da cidade
O empresário se orgulha em fazer parte de uma das empresas que integram a ‘virada’ da economia de Guabiruba. “Em 1988, quando tive o sonho de ter uma confecção, era tudo muito difícil. A cidade tinha muitos empregados e poucos patrões, dependia 110% de Brusque. As poucas empresas que surgiram no início da década de 1990, como a Mc’Ju, contribuíram muito para o crescimento da economia de Guabiruba. Me orgulho muito disso”, afirma.

Kohler destaca que o sucesso da empresa está, principalmente, nos colaboradores, que se dedicam e dão o seu melhor para que a empresa continue crescendo. “Não conseguiríamos produzir esse volume de peças se não fosse a dedicação deles. Eu sozinho não sou nada”.

O empresário afirma que a intenção é que a Mc’Ju continue se fortalecendo e levando o nome de Guabiruba para todo o Brasil. “O importante é manter o bom trabalho que vem sendo feito, assim, a expansão da empresa vem naturalmente”.

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