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Bastidores da política e do Judiciário, opiniões sobre os acontecimentos da cidade e vigilância à aplicação do dinheiro público

Médico faltoso alega estar de licença-prêmio, mas não há prova disso nos registros oficiais

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Bastidores da política e do Judiciário, opiniões sobre os acontecimentos da cidade e vigilância à aplicação do dinheiro público

Médico faltoso alega estar de licença-prêmio, mas não há prova disso nos registros oficiais

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Contestação
O médico Joel Mendes, um dos citados no editorial publicado na quarta-feira, 15, o qual trata de recebimento de salário sem devida comprovação de comparecimento ao trabalho, publicou extensa nota no Facebook na qual dá sua versão sobre os fatos apontados. Diz, em resumo, que está de licença prêmio há 12 meses, e que ela ainda durará até 19 de dezembro. Afirma que sua licença foi assinada por Joel Schwamberger, ex-diretor de RH, e Gisele Moritz, ex-secretária de Saúde de Brusque, que é médica.

Não existe
Ocorre que O Município, antes de divulgar as informações contidas no editorial, tomou o cuidado de verificar, em documentos oficiais, a situação dos servidores mencionados. Essa checagem identificou que inexiste, nem no ano passado nem neste, qualquer decreto, despacho ou portaria no Diário Oficial do Município que confirme sua versão, que tornasse oficial a licença-prêmio que ele alega existir. O secretário de Saúde, Humberto Fornari, recusou-se, na entrevista coletiva concedida, a comentar casos específicos. Se realmente uma licença foi concedida, como ele afirma ter sido, isso aconteceu “por fora dos panos”, situação evidentemente ilegal.


Divulgação das informações
O secretário de saúde, Humberto Fornari, fez declarações no sentido de que a divulgação das informações sobre a assiduidade dos médicos atrapalharam o seu trabalho de quebra de acordos informais e regularização do cumprimento da carga horária. Ele preferia manter as discussões no âmbito interno e alega que a exposição desagradou, sobremaneira, os profissionais médicos.

Apoio às medidas
O Município, por sua vez, apoia as medidas que estão sendo tomadas pela secretaria desde maio, e acredita que trazer o caso à luz, em vez de atrapalhar, irá ajudar a melhorar a situação, uma vez que, quanto mais pessoas tomarem conhecimento do que acontece, aumenta o contingente capaz de ajudar na fiscalização. Além disso, como dito no editorial anterior, não há interesse público maior do que o do leitor, que tem o direito de saber o que se passa nos órgãos públicos, e como é aplicado o seu dinheiro. 


Intérprete de libras
O vereador Rafael Vargas (SD), que está temporariamente na vaga de Paulo Sestrem (PRP), apresentou uma indicação à presidência do Legislativo para que as sessões da Câmara de Brusque passem a contar com um intérprete de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). O objetivo do parlamentar é permitir que deficientes auditivos possam acompanhar as sessões do Legislativo.


Correção
O Município informou erroneamente, na edição de quinta-feira, 16, que Cléber do Nascimento e Jean Carlos de Bairros haviam sido condenados pelo assalto ao Laerte Joalheiro. No entanto, o crime relativo à condenação não tem relação com este roubo, mas com outro crime cometido contra um comércio. Nascimento já foi condenado pelo assalto à joalheria no meio do ano, enquanto Bairros não teve qualquer participação naquele ato. Nesta última sentença, Nascimento foi condenado a mais de 13 anos de prisão (regimes aberto e semiaberto) e Bairros, a oito anos e três meses.


EDITORIAL

Smart City Brusque

Ser uma Smart City ou cidade inteligente é o desejo de muitas cidades no mundo. O conceito de Smart Cities tem o enfoque numa cidade criativa e sustentável, que faz uso da tecnologia em seu processo de planejamento com a participação dos cidadãos.

De acordo com o Cities in Motion Index, do IESE Business School na Espanha, as dimensões que indicam o nível de inteligência de uma cidade são: governança, administração pública, planejamento urbano, tecnologia, o meio ambiente, conexões internacionais, coesão social, capital humano e a economia.  

Neste movimento, Brusque ensaia seus primeiros passos. Na tecnologia, em 2015 foi implantado o programa Wi-Fi@brusque, que liberou o acesso gratuito à internet em oito pontos da cidade, além de fomentar cursos de inclusão digital.

Outra iniciativa de impacto tecnológico é a vinda do Centro de Inovação de Brusque, que ligado a outros Centros vai fomentar o desenvolvimento, integrando a cidade a inovações a partir do ano que vem, quando o prédio for concluído.

Ainda nesta linha, a grande novidade aconteceu nesta semana, com a implantação de três estações inteligentes na cidade. Além da iluminação, elas têm outros serviços como internet, sensor de grandezas naturais, temperatura e carregamento de veículos elétricos, permitindo uma gestão mais eficiente de recursos. Esta ação faz parte do projeto 50 Parcerias para o Clima, que contemplou Brusque.

A iniciativa é tão importante que uma comitiva da Alemanha, que nos patrocinou neste projeto, veio para Brusque especialmente para ver sua implantação. O assunto ganhou destaque no estado por ser a primeira cidade das Américas a receber esta tecnologia.

Toda esta deferência não é fortuita, ela vem de conexões internacionais que, junto a um ambiente de coesão social, permitiu a implantação desta tecnologia a serviço do meio ambiente e da governança. Todos estes tópicos são característicos de uma Smart City e começam a ganhar musculatura por aqui.

Não precisamos ser uma cidade que cresce somente de forma vegetativa. Ela pode crescer também em cooperação e inteligência, melhorando significativamente a qualidade de vida

Estes exemplos que citamos são emblemáticos em demonstrar que é possível ser diferente. Não precisamos ser uma cidade que cresce somente de forma vegetativa. Ela pode crescer também em cooperação e inteligência, melhorando significativamente a qualidade de vida.

Mas é preciso cautela. Estes atos por si só não tornam Brusque uma Smart City, eles são um começo promissor de uma longa jornada que precisa ser percorrida. Entidades, governo, pessoas e instituições começam a se engajar no tema. A Unifebe, por exemplo, criou no mês de julho deste ano uma Comissão Gestora de Projetos Smart City, e é uma das entidades protagonistas de muitos destes avanços que estamos vivenciando.

Por enquanto este assunto parece etéreo, distante de nossa realidade, mas quanto mais nos aproximarmos dele mais revolucionário será o seu impacto em nosso cotidiano. Imagine podermos ir trabalhar com um sistema de sinalização inteligente, que funciona de acordo com o fluxo, e economize nosso tempo parado desnecessariamente numa sinaleira.

Ou que possa permitir você abastecer seu carro elétrico ou bicicleta na praça da cidade. Ou ainda poder acessar seu e-mail com uma banda larga disponível gratuitamente. São exemplos simples do que já está nos sendo oportunizado e que vai ser uma pequena amostra do quanto podemos avançar.

E, como comemoramos na quarta-feira a proclamação da República, vamos lembrar que a participação popular, que é um dos pilares da democracia é imprescindível numa Smart City. O cidadão deixa de ter direito somente no dia da eleição quando escolhe o candidato e passa a ter vez e voz nos projetos da cidade, ficando permanentemente a um clique das principais decisões e usufruindo dos inúmeros benefícios que ela trará.

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