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Qual caminho a água percorre até chegar às torneiras dos moradores de Brusque

Água captada no rio e nas nascentes passa por processo de tratamento com produtos químicos para chegar às casas limpa

Abrir a torneira e encher um copo de água para beber é um ato mecânico. Por trás disso, porém, há um processo químico e físico cauteloso para garantir que a água chegue limpa às casas dos moradores de Brusque. A água percorre um longo caminho até o destino, que inicia no rio Itajaí-Mirim e nas nascentes dos ribeirões.

O Serviço Autônomo Municipal de Água de Esgoto (Samae) é a autarquia que tem a missão de levar água aos domicílios brusquenses. O Samae, que tem porte de uma prefeitura de cidade pequena, conta com técnicos que exercem o papel de garantir uma boa qualidade da água que chega às torneiras dos moradores.

A grande responsabilidade pelo abastecimento de água no município recai sobre a Estação de Tratamento de Água (ETA) Central, que opera para levar água para mais de 80% de Brusque. Outras estações espalhadas pela cidade, de menor porte, são responsáveis por abastecer o restante do município.

ETA Central foi ampliada para aumentar capacidade de tratamento de água | Foto: Thiago Facchini/O Município

Atualmente, o setor administrativo do Samae concentra esforços para investir em tecnologia. O objetivo é reduzir o desperdício de água ao longo do caminho que ela percorre e aumentar a capacidade de reserva. Em 2026, a autarquia pretende ampliar o serviço e modernizar os equipamentos.

A intenção de aplicar mais recursos para melhorar a prestação do serviço parte, principalmente, de Rodrigo Cesari, novo gestor da autarquia. Ele assumiu como diretor-presidente do Samae recentemente, em setembro.

Justamente por ter porte de prefeitura, a autarquia é muito visada por políticos, já que dá poder e autonomia. Desde o início da gestão do prefeito André Vechi (PL) em 2023, o Samae era comandado por diretores-presidentes ligados ao Republicanos. Na última mudança, o prefeito nomeou Cesari, nome de confiança que integra a cúpula do governo, para chefiar a cobiçada autarquia.

O início de tudo


A captação da água que chega às residências ocorre, principalmente, na chamada “barragem do Samae”, no bairro Guarani. A represa serve unicamente para manter um nível de água que possibilite a sucção por tubos. A tubulação tem capacidade de coletar 500 litros por segundo.

Para imaginar a cena, é necessário pensar em uma caixa de água de 500 litros. A cada segundo que passa, é como se toda a água dentro desta caixa fosse removida de lá, sugada por um tubo. Do Guarani, a água é enviada à ETA Central.

A água do rio Itajaí-Mirim sugada pelo tubo passa pela rua Henrique Deichmann, cruza a ponte do Clube Guarani e segue pelas ruas General Osório e Hercílio Luz. Perto da escola de idiomas Link, o tubo sobe o morro em direção à ETA Central.

Popular barragem do Samae, no Guarani, ponto de partida da água que chega às casas | Foto: Thiago Facchini/O Município
Tubulação que capta água do rio Itajaí-Mirim na barragem do Samae | Foto: Thiago Facchini/O Município

O tratamento


Todos os dias, esgoto doméstico e industrial são despejados no rio Itajaí-Mirim. Então, a água captada do rio na região da represa precisa passar por um rigoroso processo de tratamento, para que seja possível garantir o consumo humano.

O tratamento ocorre nas ETAs, sendo a Central com maior capacidade para realizar este processo em razão de abastecer mais de 80% do município. Após o tubo subir o morro à margem da rua Hercílio Luz e chegar à ETA Central, a água passa pela primeira fase: o pré-tratamento.

No rio, há presença de ferro (Fe) e manganês (Mn). A remoção ocorre por meio do peróxido de hidrogênio (H₂O₂). Antes, o cloro (Cl) era utilizado para esta finalidade. Porém, como cria subprodutos, o H₂O₂ passou a ser utilizado.

Antes de passar para a fase de tratamento, é despejado na água também o cloreto de polialumínio (PAC). Na ETA Central, é possível observar o produto sendo colocado na água, por um pequeno cano. Na sequência, a água entra em outra tubulação e segue para os módulos.

Fase de pré-tratamento da água bruta | Foto: Thiago Facchini/O Município
Cloreto de polialumínio é despejado na água ainda na fase do pré-tratamento | Foto: Thiago Facchini/O Município

Há quatro módulos em operação na maior estação do município. O primeiro e o segundo, mais antigos, têm capacidade de tratar 100 e 180 litros de água por segundo, respectivamente. O terceiro e o quarto, novos e modernos, tratam 70 e 100 litros de água por segundo.

Ao chegar ao módulo, a água ainda bruta passa pelos floculadores. São equipamentos que se movimentam e liberam flocos da água. O material é semelhante a uma poeira. O processo é crucial para a remoção das impurezas.

Na sequência, entram em ação os decantadores, que separam os materiais sólidos do líquido. Antes de deixar o local de tratamento, a água atravessa o filtro. Na sequência, é destinada aos reservatórios do Samae para seguir caminho rumo às residências de Brusque.

Tubo que leva água do pré-tratamento aos módulos. Foto: Thiago Facchini/O Município
Floculadores em ação | Foto: Thiago Facchini/O Município
Decantadores separam materiais sólidos do líquido | Foto: Thiago Facchini/O Município

Destinação


Dos reservatórios, a água totalmente limpa e apta para consumo humano é despejada em tubos que são conectados às residências. Passado todo o processo químico e físico, cabe aos moradores usufruir do serviço prestado. Para ter acesso à água captada e tratada pelo Samae, basta realizar o ato mecânico diário: abrir uma torneira.

Muitas vezes, porém, a autarquia enfrenta dificuldades. Quando algum tubo que liga aos domicílios rompe, identificar o ponto de rompimento não é fácil. A água que é perdida no caminho final encharca o solo, o que deixa o asfalto mole e gera um buraco, momento em que o Samae consegue descobrir o ponto.

O investimento tecnológico planejado pela autarquia inclui a aquisição de um medidor para identificar o ponto de rompimento de tubos. Assim, o reparo será imediato, evitando transtornos de falta de água.

Em relação à falta de água, há ocasiões em que todo o processo de tratamento precisa ser interrompido por problemas em ETAs. Quando isso acontece, para evitar desabastecimento, os técnicos do Samae realizam manobras para mandar água de uma ETA para determinada região fora da cobertura da estação.

Reservatórios da ETA Central; há outros dois no parque Leopoldo Moritz | Foto: Thiago Facchini/O Município
Reservatório da ETA do Zantão | Foto: Thiago Facchini/O Município

A água das nascentes


O rio Itajaí-Mirim é alvo de poluição diária. Isso exige do Samae um custo com produtos químicos para tratar a água bruta. A futura implantação do sistema público de esgoto doméstico, com concessão prevista para o início de 2026, deve promover um processo de despoluição do Itajaí-Mirim. Não resolverá completamente o problema, mas pode gerar economia ao Samae.

Porém, nem toda água que chega às casas dos moradores de Brusque é captada do rio Itajaí-Mirim. As ETAs menores, espalhadas pelos bairros, captam água diretamente de nascentes dos ribeirões. A boa qualidade torna o processo de tratamento mais simples.

Nas pequenas estações, a captação e o tratamento ocorrem de forma concentrada. A nascente fica próxima ao módulo. Diferente da ETA Central, não há tubos que precisam cruzar ruas para fazer o caminho do rio Itajaí-Mirim até a estação. Uma represa de menor porte mantém o nível de água necessário para garantir a captação.

Represa garante captação de água no bairro Limeira Alta | Foto: Thiago Facchini/O Município
Água captada na represa do Limeira Alta é levada à estação do bairro por pequeno cano | Foto: Thiago Facchini/O Município

Na ETA do Limeira, no bairro Limeira Alta, que é a maior das menores estações, a água praticamente cristalina entra em um cano e segue à margem do ribeirão por poucos metros até o módulo. A água que não entra no tubo segue o fluxo natural após a represa, sem interrupção à vida do ribeirão.

A ETA do Zantão é uma das que integra o processo de modernização dos equipamentos do Samae. O novo módulo está em operação ao lado do equipamento antigo de tratamento e água, que foi desativado.

ETA do Zantão foi substituída por estrutura moderna | Foto: Thiago Facchini/O Município

Medidas para evitar perdas


A falta de água que gera críticas por parte dos moradores pode ocorrer, em casos pontuais, por má conduta dos vizinhos. O furto de água é uma prática que o Samae busca combater, mas a punição prevista é irrisória e faz com que o crime prossiga.

A pressão de água destinada a cada rua é calculada. Caso algum morador que busca se beneficiar realize um “gato de água” no meio da rua, as últimas residências podem não ser abastecidas. Hoje, a punição pelo crime é de somente R$ 200.

O Samae vai iniciar uma campanha de conscientização contra o furto de água. Porém, a autarquia pretende endurecer a punição. O planejamento inclui aumentar o valor da multa para R$ 5 mil. Além disso, boletins de ocorrência serão registrados e os infratores terão que responder à Polícia Civil pelo crime.

O objetivo é evitar com que tanto os moradores que pagam regularmente pela prestação do serviço quanto o próprio Samae sejam prejudicados pela falta de água. Além disso, a medida também faz parte do projeto de redução de perdas. Inclusive, um setor na autarquia será formado para esta finalidade.

Quanto mais água captada, tratada, destinada às residências e consumida, menor será o prejuízo financeiro. Isso fará também com que todo o processo químico e físico para garantir a boa qualidade da água para consumo humano não seja em vão.


Assista agora mesmo!


Conheça o avião que realizou o primeiro pouso em Brusque e que continua voando até hoje:


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