José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Mentira e doutrinação

José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Mentira e doutrinação

José Francisco dos Santos

Um dos filósofos mais influentes do século XX, senão de todos os tempos, é o comunista italiano Antonio Gramsci. Gramsci fundou o partido comunista italiano e elaborou uma estratégia para espalhar as ideias socialistas através do mundo da cultura.

A estratégia inclui a mentira e a dissimulação, para influenciar as mentes e furar o bloqueio da cultura cristã ocidental. No Brasil, um dos seus mais fiéis seguidores é Paulo Freire, herói de onze entre dez integrantes do mundo educacional. Fiel à estratégia de seu mestre, Freire nunca citou Gramsci nos seus textos, plagiou um método de alfabetização de um missionário norte-americano e inspirou legiões de admiradores. De lá para cá, o nível da formação intelectual entrou em queda livre, mas a escola se tornou uma trincheira poderosa para o avanço das ideias socialistas.

Outras áreas da cultura, especialmente o cinema, foram e ainda são essenciais nessa estratégia. Na década de 1990, um curta metragem produzido no Rio Grande do Sul se tornou uma celebridade nos meios acadêmicos. Trata-se do vídeo “Ilha das Flores”, do cineasta Jorge Furtado, um gramsciano de carteirinha. O vídeo começa com frases escritas na tela, dizendo que “não se trata de obra de ficção”, que “existe um lugar chamado Ilha das Flores” e que – prestem atenção – “Deus não existe”. A partir daí, com uma linguagem revolucionária, critica o sistema capitalista, alfineta a religião e mostra a “realidade” de moradores da tal ilha, nos arredores de Porto Alegre, onde pessoas comiam restos de comida rejeitados pelos porcos. O curta ganhou prêmios e ficou famosíssimo. Lembro-me de tê-lo visto pelo menos quatro vezes, inclusive numa formação para professores universitários. Na última semana, por indicação de um aluno, fiquei sabendo de outro vídeo (Ilha das Flores: depois que a sessão acabou”), que desvenda as mentiras sem fim de “Ilha das Flores”. Os moradores mostrados são de outra ilha, ninguém comia restos de porcos, mas recebia alimentos em bom estado, mas impróprios para o comércio, que eram selecionados antes que os imprestáveis para consumo humano fossem para os porcos, e mais uma lista de mentiras e manipulações.

Os moradores retratados queriam, “assar o cineasta no espeto”, porque o sucesso do filme aumentou o preconceito contra eles. O cineasta se defende laconicamente, dizendo que “não tinha pretensão de retratar a realidade”. Mas todos os que viram o filme, especialmente os professores que o exibiram reiteradamente em suas aulas, não sabiam desse “detalhe”.

Essa gente está tão influenciada pela falácia de que “não existe verdade”, que muitos acreditam que podem manipular a realidade e criar as narrativas que bem entendem, em vista dos ideais revolucionários preconizados por Gramsci e Cia. Nossas opiniões podem ser falhas, podemos errar em muitas ocasiões, mas uma pessoa honesta sempre está pronta a rever seus pontos de vista. Já esses “revolucionários” pensam que podem criar a verdade que bem entendem. Se você viu “Ilha das Flores”, dê uma olhada na sequência aqui indicada. Não existe consciência crítica sem informação e honestidade intelectual.

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