Entre as décadas de 60 e 70, a torcida do Clube Esportivo Guarani não precisava se preocupar: Milton Mattioli, o Mica, estava lá para balançar as redes. Maior artilheiro da história do clube, foi protagonista de suas maiores conquistas no campeonato amador. Se hoje o clube do bairro de mesmo nome exibe com orgulho em uma bela galeria as conquistas do passado, deve muito aos gols de Mica.

Mas o carinho é recíproco. Embora tenha jogado por seis anos profissionalmente no Paysandú – onde enfrentou Avaí, Figueirense, Metropol, Marcílio Dias e Barroso -, é no clube azul e branco que Mica se sente em casa. Nascido em Brusque e morador do Guarani desde então, ele é sócio e membro do conselho deliberativo.

Agora aos 70 anos, há apenas dez Mica deixou o futebol após sofrer uma lesão. Contudo, ficam ainda registrados na memória e nas antigas fotografias em preto e branco os momentos especiais em que foi atleta. Em seu currículo há conquistas históricas, como o primeiro gol da história do campo do Santos Dumont, atuando pelo Paysandú em um quadrangular realizado para a inauguração do estádio, junto com Marcílio Dias, Barroso e Carlos Renaux.

Primeiros toques na bola

Mica guarda ainda fotos dos tempos de atleta. Foto: Cristóvão Vieira

Morador do Guarani no tempo em que havia muito pasto no bairro, Mica gostava de aproveitar o campo aberto para jogar futebol com os amigos na infância. A primeira bola do atleta era improvisada: uma bexiga de gado que seu pai doou para o jogo que contava com traves feitas de bambu.

Já aos 16 anos, ele foi convidado para jogar pelo Guarani pelo técnico Valdemiro Rios. Chamava atenção pela habilidade em marcar gols, e logo foi titular da equipe mesmo com pouca idade. “Eu era um ponta esquerda que batia bem com os dois pés. O meu preferido era o direito. Meu lance característico era cortar pra dentro e bater no gol”, explica.

A qualidade despertou atenção do Paysandú, que disputava o Campeonato Catarinense, e em 1969 ele vestiu a camisa do alviverde pela primeira vez. Desde o começo, era visto como um expoente do futebol brusquense.

Mesmo sem deixar de lado sua profissão de açougueiro, no tradicional Açougue Mattioli que era localizado próximo à ponte estaiada Irineu Bornhausen, ele era um dos principais atletas do plantel. “Eu trabalhava no açougue da minha família até as 15h. Só depois conseguia ir para o clube treinar. Os jogadores que vinham de fora faziam treino físico de manhã e a tarde, mas mesmo assim no fim de semana o titular era eu”.

Ex-atleta se reconheceu em fotos expostas na galeria do Guarani. Foto: Cristóvão Vieira

O jogo que ficou em sua memória foi contra o Olímpico, de Blumenau, na época uma importante potência do esporte estadual. “Vencemos por 5 a 3 aqui em Brusque, e eu marquei três gols. Depois disso tentaram me caçar dentro de campo e precisei ser substituído”. Segundo ele, o ex-prefeito de Brusque Danilo Moritz, chegou a dizer que o considerava o melhor ponta-esquerda da cidade.

Foram anos importantes para o desenvolvimento de seu futebol, mas com o passar dos anos, fora das quatro linhas, as coisas não iam bem. “Eles pararam de me pagar, passaram a dar salários somente para atletas de fora. Uma vez fui pedir uma chuteira nova para o clube, e eles pagaram só uma parte, a diferença tive que pagar do meu bolso”.

Embora fosse muito bem visto no cenário do futebol – chegou a ser consultado por Flamengo, Figueirense e América de Joinville – Mica optou por encerrar a carreira profissional em 1975 e voltar a jogar pelo Guarani. Ele segue com a profissão de açougueiro, agora no supermercado do bairro.

Entre as décadas de 60 e 70, a torcida do Clube Esportivo Guarani não precisava se preocupar: Milton Mattioli, o Mica, estava lá para balançar as redes. Maior artilheiro da
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