Missionários visitam e evangelizam famílias no bairro Steffen

Projeto da Paróquia São Luís Gonzaga começou no sábado, na Comunidade Nossa Senhora Aparecida

Missionários visitam e evangelizam famílias no bairro Steffen

Projeto da Paróquia São Luís Gonzaga começou no sábado, na Comunidade Nossa Senhora Aparecida

Na manhã de sábado, 10, foram iniciadas as Missões Populares da Paróquia São Luís Gonzaga, na comunidade Nossa Senhora Aparecida, no bairro Steffen. Mais de 1,7 mil casas devem ser visitadas pelos missionários, que irão conversar e rezar com cerca de 5 mil pessoas. No período da manhã, 57 voluntários estavam fazendo o trabalho missionário e cerca de 130 casas foram visitadas.

O coordenador da pastoral de comunicação e do Conselho Pastoral Comunitário, Jorge Deichmann Miguel, explica que, para mapear o bairro, foi desenhado um mapa com base nos satélites do Google. “Desenhamos casinha por casinha”, afirma.

Detalhe do mapa do Steffen, dividido em setores para organizar as visitas missionárias. | Foto: Natália Huf

A paróquia realiza as Missões Populares desde 2010. Hoje, já está formado um grupo de animação missionária, projeto que incentiva a ideia da “Igreja em saída”, reforçada pelo Papa Francisco. Segundo Norma Maria Lira, coordenadora da animação missionária paroquial, o grupo identifica as principais necessidades da comunidade e realiza, juntamente às missões, um censo para conhecer os moradores do bairro e qual é a realidade das pessoas que lá vivem.

Alexandre Andreola, também coordenador do grupo, afirma que o intuito das missões é levar a palavra da igreja à comunidade, escutar quais são os problemas enfrentados e anunciar o evangelho. “Quando se entra nas casas, a gente vê que muitas pessoas não têm contato com Deus. Uma visita, uma palavra do missionário muitas vezes já desperta o interesse pela igreja”, diz.

De acordo com Andreola, Brusque recebe muitas pessoas de fora, até de outros países, que, quando se estabelecem aqui, acabam não procurando as entidades religiosas. Às vezes, no caso de estrangeiros, explica Lira, “eles, por uma questão cultural, acabam não se engajando na comunidade, e isso cria uma distância entre as pessoas”.

“Nossa comunidade acolhe muitas pessoas de fora. É uma comunidade de muita carência, tanto financeira quanto afetiva”, diz a integrante do núcleo da comunidade Dolores Steffen. O padre Jairson Hellmann concorda, e afirma que, com as missões, é possível atingir essas pessoas. “Deus se importa com a vida das pessoas, então isso é falar de Deus. Com a graça da fé, tudo pode ser transformado.”

Através das missões, a Comunidade Nossa Senhora Aparecida quer resgatar as pessoas do bairro, levá-las de volta à igreja, envolver os residentes locais nas atividades. O padre Hellmann explica que há muitas maneiras de ser missionário, desde participar das atividades da igreja até tornar-se catequista.

“A religião é fundamental na sociedade, e nós precisamos valorizar todas, não criar intrigas. É uma parte integrante da nossa vida em sociedade”, diz, ao explicar que o objetivo missionário não é converter os visitados, mas incentivar a participação em qualquer comunidade religiosa a qual a pessoa pertença.

Para o seminarista Carlos Daniel Arendt, as missões são o primeiro passo para a acolhida da igreja ao pessoal da comunidade, que “é muito carente tanto em dinheiro quanto em atenção”. Ele avalia que o momento pós-missão, em que será analisado o censo, é muito valioso, pois é dessa avaliação que a comunidade vai obter as informações para criar um plano de ação para agir nos pontos que se mostrarem mais necessários.

Segundo Alexandre Andreola, uma das dificuldades encontradas no bairro em missões anteriores foram a falta dos sacramentos, ou seja, pessoas que não foram batizadas e casais sem matrimônio religioso, por exemplo.

“O Papa Francisco colocou uma luz sobre as missões, a ‘Igreja em saída’, que é o nosso slogan. Viver a religião não é só no templo, mas também nas ruas, visitando as famílias”, diz o padre Hellmann. Para ele, o maior desafio é restaurar na comunidade o vínculo de pertencimento à igreja, e por isso é tão importante a ideia de os leigos estarem evangelizando os vizinhos.

“Cerca de 80% da igreja católica no mundo é formada por leigos. Jesus fez muitas missões, a igreja continuou esse trabalho, e agora o Papa tem chamado atenção para isso, colocando suas atenções e preocupações pra que a igreja esteja em saída”, afirma Hellmann.

Almoço dos missionários na Comunidade Nossa Senhora Aparecida. | Foto: Natália Huf

O seminarista Carlos Arendt acredita que a melhor parte das missões é a visita às residências: “O ser humano precisa de conversa, precisa de ajuda. Se você vai até as pessoas com Deus no coração, sem impôr a sua religião e tratando com docilidade… as pessoas ficam maravilhadas. É uma experiência incrível tanto para o missionário quanto para quem o recebe”.

Visitação
Flávio da Costa Pavesi realizou quatro visitas no período da manhã e, segundo ele, que participa das missões desde 2010, tanto em Brusque quanto em cidades da Bahia, o objetivo é despertar o interesse pela igreja.

Integrante da comunidade Nossa Senhora de Lourdes, na Rua São Pedro, Pavesi tinha o desejo de participar das missões e se apaixonou pelo trabalho: “A missão não é nossa, é de Jesus Cristo. E não adianta preparar um roteiro, cada família que a gente visita tem uma realidade que só se conhece na hora. Nós só falamos o que Jesus quer”.

Ele identifica que um dos maiores desafios é reverter a falta de participação e busca pela igreja nas pessoas da comunidade. “Nós, católicos, às vezes somos muito acomodados. O Papa Francisco insiste que se vá ao encontro do povo. E, se eu me realizo nas missões, com certeza a família que nos recebe também sente isso”.

Raquel Hochsprung Miguel, publicitária de 22 anos, acompanhou Pavesi nas visitas da tarde. Embora já tivesse uma breve experiência com evangelização nos acampamentos e retiros de jovens cristãos dos quais participou, estava saindo em missão pela primeira vez.

Assista ao vídeo da evangelização no bairro Steffen

“É importante conhecer a realidade das pessoas do bairro, e não só pelo contato na igreja. O mais legal é essa integração com pessoas de outras comunidades, que estão todas em prol do mesmo objetivo”, diz ela, que já foi coordenadora dos coroinhas da comunidade Nossa Senhora Aparecida, que frequenta desde criança.

E Pavesi afirma que as famílias se sentem valorizadas pela comunidade. Após uma breve reunião de organização na sede da igreja, duplas de missionários saíram em direção às casas, e um dos visitados foi Sérgio Todt, morador da rua Pedro Steffen.

Todt recebeu a dupla de missionários, que fizeram a leitura de uma passagem da Bíblia e realizaram a bênção na casa. Para ele, que é católico, porém não costuma frequentar as missas, “foi muito bom receber a visita, acredito e sou muito devoto à Deus, só não tenho o hábito de ir à igreja. Mas é sempre muito bom quando a igreja vem pregar a palavra”.

As missões acontecem neste final de semana e no próximo, em todas as ruas do bairro Steffen.

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