Adaptar-se rapidamente às mudanças constantes do perfil do consumidor é um dos segredos do desenvolvimento da Talinda, empresa de confecção brusquense que atua há mais de três décadas em quatro cidades da região.

Liderada pela empresária Tânia Regina Pehnk, ao lado da filha Franciele, as lojas da Talinda hoje são abastecidas com 50% de produção da marca própria, e por 50% de outras marcas diversas.

Nos últimos anos, a empresa tem evoluído em produção, vendas e faturamento nas atuais cinco lojas – duas em Brusque, e uma em Itajaí, Itapema e São João Batista

A matriz, na rua Barão do Rio Branco, no Centro, recentemente foi reformada para ficar um pouco menor, o que revela um dos traços da Talinda: as constantes mudanças e aprimoramentos.

“A loja antiga estava muito grande, queríamos uma loja mais aconchegante para os produtos girarem mais rápido, uma nova cara, um espaço mais bonito, com pé direito mais alto, mais vitrines”, explica Tânia.

Seus planos de modernização da rede de lojas não param. Está saindo do forno um novo projeto para construir uma sede própria da Talinda em São João Batista. Atualmente, a loja no município vizinho funciona em espaço alugado.

A Talinda vai construir uma nova loja, do zero, no estilo da matriz de Brusque. Conforme Tânia, os projetos já estão prontos para serem mandados para a construtora e em breve a expansão se tornará realidade.

Tânia começou a costurar em casa, e hoje é a filha Franciele quem coordena a produção da marca | Foto: Marcelo Reis

Toda semana, uma nova cara nas lojas

Para colocar a marca própria nas lojas, há um trabalho constante por parte da empresa. Franciele, responsável pelas peças, atualmente já faz pesquisas e desenvolve a coleção de inverno do próximo ano, assim como trabalha na produção de alto verão, que será lançada em entre novembro deste ano e janeiro de 2018. O restante dos produtos é adquirido por meio da compra de multimarcas, para que sempre haja bastante variedade nas vitrines.

Franciele, que é sócia da empresa, atua como estilista da marca e é encarregada de toda a produção própria. Segundo a mãe, ela começou a se interessar por moda de forma natural, ainda jovem.

Cursou faculdade e especializou-se na área. Quando Tânia decidir se aposentar, a filha dará continuidade ao negócio.

A empresa tem modificado sua forma de produção constantemente, de forma a não ficar para trás no mercado. Há alguns anos atrás, se fazia uma coleção inteira com cerca de 30 modelos, dos quais se produzia uma grande quantidade de peças.

Atualmente, isso não é mais possível, é necessário ter cinco vez mais modelos, produzindo-se peças em menor quantidade para cada um deles. Quando a Talinda iniciou, o mercado consumia basicamente os mesmos modelos, com poucas variações de estampas e tecidos, e tudo era vendido.

“O próprio cliente quer entrar toda a semana aqui na nossa loja e quer ver coisa diferente, ele não quer a mesma coisa. Tem que ser outra mercadoria, não a mesma”

“Hoje em dia tem que ter um pouco de cada coisa, variar bastante, e às vezes ainda sobra no estoque. Poucos modelos não vende, tem que ter muita variedade. A mercadoria circula em pouca quantidade e de forma rápida”, afirma Tânia.

“O próprio cliente quer entrar toda a semana aqui na nossa loja e quer ver coisa diferente, ele não quer a mesma coisa. Tem que ser outra mercadoria, não a mesma”.

Hoje a Talinda investe na produção e venda de roupas para todas as mulheres, tornando-se referência em moda feminina em Brusque e região.


O início por acaso e o crescimento das vendas

A Talinda começou na casa de Tânia, que, à época, não tinha grandes pretensões de atuar no ramo de confecções. Ela era dona de casa e cuidava das duas filhas pequenas, quando ganhou uma máquina de costura da mãe. Começou a fazer roupas paras as meninas, e tinha a atividade como um passatempo.

Logo, ganhou outra máquina de costura, desta vez do marido, o qual percebeu o gosto dela pela confecção e seu talento para o negócio. Desde então, Tânia nunca mais parou de trabalhar.

“Estava em casa sem trabalhar, em busca de uma ocupação. Sou uma pessoa muito dinâmica e ativa, não gosto de ficar parada. Estou sempre pensando em alguma coisa, não tenho preguiça. Meu nome é trabalho, porque gosto de trabalhar”, afirma.

Começaram a surgir pedidos, inicialmente das suas vizinhas. Outros conhecidos ficaram sabendo e, no boca a boca, as peças elaboradas por Tânia começaram a se tornar conhecidas. A partir de então, já não dava mais para trabalhar em casa.

Um galpão foi alugado, na avenida Otto Renaux, para poder absorver a produção crescente da empresária, que até então confeccionava roupas para todos os públicos: feminino, masculino e infantil.

Em 1985, a loja foi fundada. Segundo a empresária, o nome surgiu naturalmente. As pessoas falavam que “quem compra na Tânia, fica linda”.

A mudança para a sede própria ocorreria mais de uma década depois, em 1998, isso porque o espaço na Otto Renaux também foi ficando limitado para o crescimento da produção e das vendas.

“Sempre gostei de vendas, desde adolescente trabalhei de vendedora em uma loja de calçados. Devagarinho, sem querer, estava com uma loja”, diz.


Pés no chão nas questões administrativas

A empresária relata que, apesar de ter passado por dificuldades, nunca passou grandes apertos na gestão da loja, fato que credita à forma racional com que sempre conduziu os negócios.

“Sempre tive meu pé no chão na parte administrativa. Eu fazia o que eu tinha condições de fazer. Nunca me atropelei para fazer um financiamento sem saber se eu poderia pagar”, explica.

Ela conta que, por vezes, no início do negócio, teve vontade de desistir da vida de empreendedora.

“Sempre tive meu pé no chão na parte administrativa. Eu fazia o que eu tinha condições de fazer. Nunca me atropelei para fazer um financiamento sem saber se eu poderia pagar”

“Eu pensava, agora este ano vou parar. Mas aí começava de novo. Quando vi, minha casa estava cheia de rolo de malha, aí comecei a ir, não dava mais para parar”, conta.

Para ela, o governo não tem dado vida fácil aos empresários, sobretudo por causa das leis trabalhistas, consideradas muito intrincadas, e os impostos abusivos.

“Vendo essa injustiça toda, a gente trabalha e paga os impostos tudo certinho, e o Brasil não anda. Mas a gente tenta ir, se adaptando ao mercado”, afirma.

Nos últimos anos, a Talinda também tem sentido a crise financeira que assola o país. Porém, tem mantido um crescimento médio de 5% nas vendas, em número de peças, mantendo os mesmos 38 colaboradores.

Do início em casa com uma máquina de costura, em três décadas Tânia transformou sua atividade em uma rede de lojas regional, tornando realidade algo que, àquela época, era impensável para ela. “Não imaginava que a pequena confecção fosse se tornar uma rede de lojas com alcance em toda a região”, diz.

 

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