Moradores reclamam de falta de transporte escolar

Crianças menores e com problemas de saúde da localidade da Boêmia têm de ir andando para a escola; Secretaria de Educação alega que está seguindo a lei

Moradores reclamam de falta de transporte escolar

Crianças menores e com problemas de saúde da localidade da Boêmia têm de ir andando para a escola; Secretaria de Educação alega que está seguindo a lei

Estudantes da localidade da Boêmia, no bairro Limeira, estão sem transporte escolar. Desde o início do ano, a empresa particular que fazia o transporte das crianças e adolescentes no local não presta mais o serviço. Hoje, contudo, está marcada uma conversa para negociar a retomada do atendimento, mas sem garantias. A Prefeitura de Brusque também não oferece transporte para os moradores do local.

Um grupo de moradores procurou o Município Dia a Dia alegando que procurou o auxílio do poder público para o transporte das crianças mais novas e as que possuem problemas de saúde, mas não teve sua reivindicação atendida. “Não estamos pedindo transporte para todas as crianças, as de 15 ou 16 anos podem ir andando. Estamos pedindo para os menores e para os doentes”, diz Tatiane Rodrigues, dona de casa de 29 anos. Ela diz que entrou em contato com o Conselho Tutelar, que recomendou que ela procurasse o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC).

Tatiane tem quatro filhos. Dois estudam na Escola de Educação Fundamental Alberto Pretti – como a maioria -, um no Centro de Educação Infantil (CEI) Vó Rosa Dallago e outro no CEI Tia Ana. Sem transporte para os filhos, ela diz que está impedida de trabalhar. “Vou trabalhar como? Não tem como deixar eles sozinhos”, afirma. Um filhos dela, de nove anos, possui uma deficiência visual e não pode andar sozinho, por isso ela vai diariamente buscá-lo na escola.

Jaqueline Falcão, ajudante de serviços gerais de 39 anos, também mora na Boêmia e passa por situação semelhante. Ela tem dois filhos que estudam na escola Alberto Pretti e afirma que não tem condições de deixar as crianças transitarem sozinhas pela rua Alberto Muller. “Ninguém faz calçada e tem caminhões passando a todo momento. Eu não tenho coragem de deixar as minhas crianças irem sozinhas”, diz.

Larissa Oliveira tem 15 anos e estuda no quinto ano da escola Alberto Pretti. Ela está atrasada nos estudos, reprovou um ano, por faltas, alega. “Eu fico muito cansada, passo mal quando chego lá e me mandam de volta para casa”, afirma a jovem. A mãe dela, Lucia Oliveira, dona de casa de 46 anos, ressalta que a filha é hipertensa e sofre de diabetes e por isso não pode fazer sequer as aulas de Educação Física.

Tudo legal

A secretária de Educação, Gleusa Fischer, afirma que a localidade fica a apenas 1 km de distância da escola Alberto Pretti, enquanto a lei determina o mínimo de 3 km. Além disso, ela salienta que a Educação Infantil não é contemplada pelo Programa Nacional do Transporte Escolar. No que se refere às crianças doentes citadas por Tatiana, a prefeitura diz que é preciso seguir uma trâmite para ser atendido. “Se a criança tem algum tipo de deficiência, o pai ou responsável pela mesma deve procurar a escola, que dará o devido encaminhamento para a concessão do transporte”, afirma.

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