Mortalidade infantil cresce em Brusque

Os números no município aumentaram, principalmente no ano passado, quando a cidade apresentou 32 óbitos

Mortalidade infantil cresce em Brusque

Os números no município aumentaram, principalmente no ano passado, quando a cidade apresentou 32 óbitos

A redução da mortalidade infantil ainda é vista como um desafio para a saúde pública. Apesar de o Brasil já ter alcançado a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir em até dois terços os indicadores de mortalidade de crianças de até cinco anos, os números sempre estão entre as preocupações dos gestores de saúde.
“Este é um índice que ficamos tristes de falar porque uma mulher quando engravida tem uma expectativa, e às vezes, acaba não conseguindo levar a gravidez até o fim, ou acontece alguma intercorrência no nascimento que não possibilita que a alegria seja, de fato, efetivada”, afirma a secretária de Saúde de Brusque, Ana Ludvig.

No município, os números oscilam. Em 2009 e 2010, apenas o número de bebês que nasceram vivos, mas que, por algum motivo, morreram antes de completar um ano de idade, foi de 14. A partir de 2011, o índice dessa faixa etária pulou para 19 mortos, em 2012 reduziu para 16, e no ano passado, subiu para 17. Até o fim do mês de junho deste ano, este número estava em nove bebês que morreram antes do primeiro ano de vida, o que significa que neste índice permanece estável. “Os nossos índices permanecem estacionados. Gostaríamos que isso reduzisse. Tentamos sempre puxar este número para baixo, mas nem sempre é possível”, diz a secretária.

Dentro da mortalidade infantil, o Ministério da Saúde trabalha também com a mortalidade fetal, que é o índice dos bebês que já nascem mortos, os chamados natimortos.

Natimortos

Nos índices dos natimortos, os números de Brusque apresentaram a maior oscilação nos últimos anos. Em 2009 foram 12 casos de bebês que já saíram do útero da mãe sem vida. Em 2010, o número foi reduzido para oito, em 2011 foram 10 casos, em 2012, o município registrou nove, e no ano passado, o número pulou para 15. Até junho deste ano foram sete casos. “A maioria dos casos de natimortos, infelizmente, não estão ao nosso alcance. Geralmente, são situações de má formação congênita, anomalias, descolamento da placenta. Mesmo com todo o cuidado, com os procedimentos adotados para evitar a perda prematura dos nossos bebês, a natureza tem sua característica e, muitas vezes não conseguimos evitar”.

Na somatória dos dois índices – natimortos e bebês com menos de um ano de idade – o número de óbitos infantil registrados em Brusque em 2013 foi 32. Até junho deste ano foram registrados 16.

Trabalho preventivo

Ana afirma que é realizado todo um trabalho preventivo com as gestantes de alto risco para que os índices de mortalidade no município reduzam. “Trabalhamos para buscar minimizar, evitar e dar um atendimento especial à gestante”, diz.

A partir do momento que a gravidez é confirmada, a mulher pode procurar os serviços da rede municipal para ter o acompanhamento durante os nove meses. “O enfermeiro solicita os primeiros exames e encaminha a gestante para a consulta com os médicos das unidades de saúde. Todo pré-natal é realizado nessas unidades, mas se há algum problema que pode colocar o bebê em risco, essas gestantes são encaminhadas para a Clínica da Mulher, para um atendimento mais específico, voltado para a gravidez de risco”, explica.

Hoje, a Clínica da Mulher está acompanhando uma média de 70 gestantes de alto risco. “Esses números são muito dinâmicos. Todos os meses temos mudanças. Agora em agosto estamos acompanhando essas 70”, diz a enfermeira responsável pela Clínica da Mulher, Edilaine Martins Oliveira.

Dentre as gestantes de alto risco, o maior número são as hipertensas. “Fazemos o acompanhamento de 10 gestantes hipertensas. Nesses casos, os cuidados precisam ser redobrados, e a atenção à gestante é bem maior porque é um fator grande de risco. Fazemos toda a orientação a essa gestante, passando os cuidados necessários para este tipo de gravidez”, explica a enfermeira.

A hipertensão é uma das maiores causas que levam recém-nascidos à morte. “A hipertensão é um fator de muito risco. Tivemos alguns casos de mortalidade deste tipo no ano passado. Essa é uma das causas mais sérias de natimortos”, ressalta Ana.

Segundo os dados repassados pela secretaria de Saúde, no ano passado, foram três casos de bebês natimortos devido à hipertensão materna. E um já registrado neste ano pelo mesmo motivo.

Além das hipertensas, existe o acompanhamento para as gestantes diabéticas, obesas, com hepatite, com sífilis. Gestantes menores de idade e também àquelas com idade avançada. “A questão da idade também é um fator de risco, principalmente acima de 40 anos. Essas gestantes tem um acompanhamento mais específico também”, diz Edilaine.

Na gestação de alto risco, o acompanhamento é feito durante os nove meses, e após o nascimento do bebê, os cuidados permanecem. “Quando essa criança nasce com dificuldade, é feito todo um acompanhamento, a partir do momento que ela tem alta do hospital. Os cuidados continuam, principalmente com doação de leite materno, já que a maioria dessas mães não vai conseguir amamentar o seu bebê”, afirma Ana.

A secretária acredita que com a implantação total da Rede Cegonha em Brusque, os números da mortalidade serão reduzidos. “A Rede Cegonha foi criada pensando na lógica dessa gestante e do acolhimento específico do alto risco. Vai desde as unidades básicas, até os hospitais que realizam o parto. Desde o começo do ano isso está sendo discutido para ser melhorado e colocar em prática e reduzir cada vez mais o número de bebês que acabam morrendo com poucos dias de vida”.

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