Morte de adolescente reacende debate sobre o mal súbito

Mais de 50% dos casos não apresentam indícios, como no caso do estudante neotrentino

Morte de adolescente reacende debate sobre o mal súbito

Mais de 50% dos casos não apresentam indícios, como no caso do estudante neotrentino

O mal súbito que ocasionou a morte de Matheus Girola Orsi, de 16 anos, durante uma aula de Educação Física na quinta-feira, 27, em Nova Trento, traz à tona a discussão de doenças cardíacas entre jovens.

Orsi frequentava a 2ª série do Ensino Médio na Escola de Educação Básica Francisco Mazzola e teve um mal súbito durante a prática de exercícios físicos. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Imaculada Conceição, mas não resistiu.

Basicamente existem três causas para a morte súbita, conforme explica a cardiologista intensivista e responsável pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital e Maternidade Evangélico (HEM) de Brusque, Flávia Gomes Galdeano: problemas no sistema de condução do coração (arritmias), problemas no sistema arterial do coração (infartos) e problemas na parte estrutural/muscular do coração (miocardiopatia hipertrófica).

Ela afirma que geralmente a primeira manifestação da doença já é a morte e, por isso, não há muito a fazer. “Na maioria das vezes não apresenta sintomas. Já acontece a parada cardíaca, que em muitos casos é irreversível”. No entanto, segundo a médica, o jovem (abaixo de 40 anos) pode sentir cansaço demasiado, ter desmaios, falta de ar e palpitações.

Flávia diz que mais de 50% dos casos de parada cardíaca súbita ocorre sem sintomas, e que o gatilho pode ser uma atividade física, o uso de bebidas ou drogas.
A cardiologista ainda afirma que o ideal é que qualquer pessoa que realize atividades físicas passe por avaliação médica. “É imprescindível que o paciente faça um eletrocardiograma. É um exame básico que deve ser realizado antes de iniciar exercícios. Por meio dele é possível identificar muitas doenças”.
Prevenção

O gerente de Educação da Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR) de Brusque, Rodrigo Cesari, lamenta a morte do estudante e diz que foi prestado socorro à família. Ele diz que os pais de Girola contaram que neste ano o adolescente fez exames médicos e nenhuma anormalidade foi detectada.
Cesari afirma que nas aulas de Educação Física das escolas da rede é feito um trabalho antes do início dos exercícios.
Causas

Tanto recém nascidos como adultos podem ter uma morte súbita. Fatores genéticos hereditários podem estar relacionados. Nos jovens e adultos, sedentários ou atletas, a grande maioria dos casos de morte súbita acontece por doenças do coração, que podem ser congênitas, degenerativas, inflamatórias, infeciosas, provocadas por reflexos nervosos, tóxicas ou por excesso de atividades físicas.

Fonte: Guenther von Eye – Médico pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

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