Nadador paralímpico brusquense representará o Brasil nos EUA

Matheus Rheine tem desafio com a Seleção Brasileira Paralímpica

Nadador paralímpico brusquense representará o Brasil nos EUA

Matheus Rheine tem desafio com a Seleção Brasileira Paralímpica

O nadador paralímpico brusquense Matheus Rheine vive uma grande expectativa em sua carreira. Ele defenderá a Seleção Brasileira Paralímpica no Pan Pacific Para-Swimming. A competição internacional será realizada em Pasadena, nos Estados Unidos, de 6 a 9 de agosto. Nesta sexta-feira, o atleta viaja para São Paulo onde participa de outra competição, a primeira fase nacional do Circuito Brasil Caixa Loterias de Natação, representando a Associação dos Deficientes Visuais de Brusque (ADVB). No domingo, Rheine voará para os Estados Unidos, visando o Pan Pacific, onde competirá nas provas de 50, 100 e 400 metros livres.

O atleta pretende aproveitar a competição em São Paulo como um treino para o evento na Califórnia. “Vou poder avaliar melhor meu desempenho e pontuar o que preciso corrigir. É o momento de aprimorar e baixar meu tempo. Nunca vou para uma competição só pensando em conquistar uma medalha, mas também buscar marcas cada vez melhores”.

Será a terceira vez neste ano que o atleta brusquense representa a Seleção Brasileira Paralímpica. Em março, Rheine competiu no Aberto da Dinamarca, onde trouxe o ouro na prova dos 100 metros. Este é considerado pelo atleta como o seu melhor resultado no ano. O Brasil conquistou 50 medalhas ao todo na competição. Em abril, Rheine esteve na Holanda. No país europeu obteve o quinto lugar na prova dos 400 metros livre. “Acredito no meu potencial. Minha maior expectativa é fazer um tempo abaixo de 4m50s nos 400 metros livres, superando o desempenho que tive na Holanda”, salienta.

Categoria desafiadora

Em todas as competições que participa, Matheus Rheine integra a categoria S11, onde só nadam os paratletas totalmente cegos. Mesmo assim, o brusquense aponta uma certa desvantagem que tem diante de outros nadadores. “Sou cego de nascença. As únicas referências que tenho nas piscinas são as que eu projeto, imagino. Quem teve a visão em parte da vida tem o benefício da memória visual”, explica.
Mas este fato não o desmotiva. Pelo contrário, apenas engrandece cada conquista do atleta que tem a superação como um hábito de vida. Rheine sabe que o Pan Pacific trará grandes desafios. Nesta edição, o competidor mais comentado e ‘temido’ é o norte-americano Brad Snyder. Ele era capitão do time de natação da Marinha dos Estados Unidos quando, ao servir no Afeganistão em 2011, pisou em uma mina terrestre e perdeu os dois olhos. Com 30 anos de idade e há apenas dois sem a visão, Snyder surge como favorito à medalha de ouro da categoria de Rheine no Pan Pacific. O nadador brusquense aponta como outras “‘pedras no sapato” os nadadores ucranianos, sul-africanos, russos, chineses e japoneses.

O brusquense já provou que com esforço e dedicação é possível vencer os obstáculos, mesmo os mais desafiadores. Ele coleciona vitórias nos mundiais que participou, ficando, inclusive, acima de atletas com memória visual e que competem nos Jogos Paralímpicos. Rheine obteve prata e bronze em Montreal, no Mundial do Canadá, ano passado. No seu histórico, também participou das Paralimpíadas de Londres, em 2012. Em competições nacionais, mais conquistas. No ano passado, no mesmo evento em que o brusquense inicia amanhã, ele faturou três medalhas de ouro, nos 50, 100 e 400 metros livres. Rheine conta com o apoio do Ministério do Esporte, Caixa Loterias, Havan, Aradefe Malhas, Clínica de Imagens Brusque (CIB) e Fundação Municipal de Esportes (FME).

 

 

Sem renovação

Em competições, Matheus Rheine gosta de raia cheia. “Quanto mais gente disputando, melhor o sabor da vitória no fim”, diz. O problema, segundo o atleta, é que não há renovação na categoria S11. O nadador vence a maioria dos campeonatos nacionais com folga, já que há poucos competidores. “Precisa haver mais incentivo aos deficientes visuais para que busquem a natação”, diz. E não é só no Brasil que a safra de nadadores da S11 está escassa. No Aberto da Dinamarca deste ano, pela prova de 400 metros, Rheine nadou sozinho.

 

Pan Pacific

O evento que será realizado em solos norte-americano iniciou em 1985. Surgiu a partir da ideia de quatro países: Canadá, Estados Unidos, Austrália e Japão tinha o objetivo de integrar os atletas paralímpicos em uma competição de alto nível. Inicialmente, só eram permitidas delegações destes países. Mais tarde, foi aberto a todos as nações banhadas pelo Oceano Pacífico, afim de fazer jus ao nome. A partir daí também passaram a ser aceitas participações de países não europeus, como Brasil e África do Sul. A competição é considerada um dos campeonatos internacionais mais difíceis de natação depois das Paralimpíadas.

 

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