João José Leal

Promotor de Justiça, professor aposentado e membro da Academia Catarinense de Letras - joaojoseleal@omunicipio.com.br

Natal 2017

João José Leal

Promotor de Justiça, professor aposentado e membro da Academia Catarinense de Letras - joaojoseleal@omunicipio.com.br

Natal 2017

João José Leal

Então, como diz a conhecida canção, é Natal! Há dias que o comércio, que precisa sobreviver, vem criando esse clima de alegria festiva, em torno da festa natalina. Os bem elaborados jingles publicitários cantados nas rádios e TV, as alegres mensagens de paz e prosperidade, a simpática figura do bom Papai Noel prometendo distribuir sacos de presentes, criam uma onda de alegria contagiante e, miram, com precisão, a nossa sensível veia consumidora para nos induzir a comprar e presentear parentes e amigos. Afinal, quem não se sente bem, comprando um presente para a mãe, o filho, a esposa ou até para a sogra?

Assim, tem sido o Natal, depois que a data foi transformada no período de maior movimento de compras, no ponto culminante do calendário mercantil. Isso, no nosso mundo ocidental e cristão. No Oriente, onde predominam diferentes crenças religiosas, não devem faltar outras datas para as pessoas se presentearem com pacotes de agrados e de votos de felicidade.

No entanto, Natal não é só festa de regalos. É, antes de tudo, a data mais importante do cristianismo, com sua ética baseada na humildade e no amor ao próximo, virtudes tão fáceis de serem aceitas e proclamadas, tão difíceis de serem praticadas. Nem mesmo os discípulos mais próximos do Mestre foram capazes de observar seus mandamentos sem deslizes e hesitações. Assim, é compreensível que nós, homens eticamente imperfeitos, vivendo numa sociedade materializada e de tantas contradições sociais, tenhamos também os nossos pecados, as nossas fraquezas morais.

E, então, como diz um dos versos da canção, chegado o momento da reflexão de mais um tempo natalino, devemos nos perguntar, o que fizemos de bom, que atos de verdadeira solidariedade cristã praticamos no decorrer desses 365 dias, que passaram rápidos, voando. Sei, por mim. Queremos, fazemos promessas mil. Mas, não é fácil praticar os ensinamentos da ética cristã. O que nos conforta é que, se não fomos bons o suficiente e o quanto podíamos, teremos mais uma oportunidade para melhorar.

De qualquer forma, é Natal. A família vai se reunir porque Natal é momento de magia, é festa dessa tribo de gente que briga e se desentende. Porém, o sangue é mais forte e todos seguem a velha tradição. Não são mais os reis, os príncipes, os monarcas, seguindo o caminho do Oriente, marcado pela grande estrela de cauda. Agora, gente fina e gente humilde, todos, atendem ao chamado da velha matriarca e seguem o caminho do antigo lar, ninho de onde um dia partiram para construir outros lares.

Aos meus pacientes leitores, desejo um Natal de Paz.

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