Herbert Pastor

Empresário - herbertpastor@omunicipio.com.br

Neymar e Temer

Herbert Pastor

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Neymar e Temer

Herbert Pastor

O presidente Michel Temer e o craque Neymar foram, sem a menor dúvida, as figuras públicas que monopolizaram a mídia e as redes sociais durante as últimas semanas.

Neymar, em função de sua inesperada saída do Barcelona FC para juntar-se ao Paris Saint-Germain, transferência que envolveu a assombrosa quantia de R$ 800 milhões, número, até então, inédito no mundo esportivo. Alegam os catalães do Barcelona que a repentina saída do atleta representou um ato de traição, por não ter sido claro e transparente na negociação de seu afastamento, motivado por seu imensurável apetite por bens materiais, bem como pela irrevogável decisão de não ser mais obrigado a viver à sombra de Messi.

Reputo como vergonhosa esta operação financeira de transferência de um jogador de futebol, num momento em que milhões de brasileiros lutam com dificuldades para fechar as contas no fim do mês, em que milhões de crianças morrem de fome no Iêmen, Somália, Sul e no Sudão do Sul, e centenas de milhares de africanos tentam chegar a Europa, fugindo da fome, da miséria e dos conflitos armados em seus países de origem. A “Operação Neymar” foi, a meu ver, um afronta à ética e à moral da cultura ocidental.

O julgamento e a consequente absolvição de nosso presidente da República pela Câmara dos Deputados foi o outro assunto que mobilizou a opinião publica por envolver os destinos do país a curto e médio prazos.

A absolvição de Temer da acusação de corrupção deixou a maioria da população indignada, pois mais uma vez ficou comprovado o total desinteresse dos políticos pelos anseios da população, continuando a classe conivente com as falcatruas, solidarizando-se com os pares envolvidos em atos ilícitos. O julgamento de Temer definitivamente não serviu para aumentar a credibilidade da Câmara, que continua em queda vertiginosa.

A votação na Câmara dos Deputados foi um espetáculo despojado daquela dignidade parlamentar que a Casa exige. Gritos, brigas, safanões e histerismos marcaram as 12 horas de tensão que reconfirmaram Michel Temer em seu cargo de Presidente da República, absolvendo-o com uma maioria de 263 deputados, que votou pelo arquivamento da ação.

A absolvição de Temer repercutiu negativamente no exterior e jornais importantes como Le Monde, de Paris, e o Washington Post, da capital dos Estados Unidos, que classificaram o julgamento como “um triste espetáculo para a democracia”. Já o influente Financial Times, de Londres, vaticinou que “a permanência de Temer no poder garantiria tranquilidade ao mercado, que faria voltar os investimentos externos que o país tanto necessita”.

Confesso que concordo com o veículo em número, gênero e caso, pois intimamente sempre torci para que Temer não fosse apeado do cargo. A sua permanência seria dos males o menor, pois a escolha de um novo presidente, ministros, presidentes das estatais e a acomodação de milhares de apadrinhados políticos num lugar confortável nas tetas do estado, produziria um caos total e um prejuízo incalculável ao país.

Jamais senti o mais leve lampejo de simpatia por este político com cara de mordomo inglês em filme de terror, pois não encontro nele os pressupostos éticos e morais imprescindíveis ao cargo que ocupa. Como vice-presidente de Dilma Rousseff, limitou-se a usufruir das mordomias do Palácio do Jaburu, de onde conspirou contra a presidente, traindo-a e e usurpando-lhe a faixa presidencial. Mostrou falte de caráter e no posterior exercício do poder, sucumbiu facilmente às tentações do enriquecimento ilícito, do qual acabaria sendo absolvido pela Câmara dos Deputados

Com a permanência de Temer no poder, deveremos apoiar as reformas da Previdência, política, trabalhista e fiscal sem as quais o país não poderá fechar as suas contas num futuro próximo.

O julgamento de Temer pela Câmara dos Deputados também deveria servir de alerta aos eleitores para um aprimoramento seletivo de deputados e vereadores na hora de enfrentar as urnas. Costumeiramente, o brasileiro só se entusiasma com a eleição do Executivo, concedendo a eleição do poder Legislativo uma importância menor. Está em cima da hora para uma mudança de hábito!

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