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Abandono e maus-tratos aos animais aumentam em Brusque; defensores da causa relatam principais atendimentos

Setor de Bem-Estar-Animal registrou 275 denúncias e maus-tratos

ONGs e protetores independentes de Brusque relatam um aumento nos casos de maus-tratos contra animais neste ano. A Polícia Civil, até setembro de 2025, registrou 25 chamados, desses, cinco resultaram em autuações.

Os profissionais que atuam na causa animal relatam que o período com maior número de denúncias é o fim de ano. Os casos mais registrados envolvem abandono de animais, geralmente, cadelas grávidas.

A coordenadora da Acapra de Brusque, Sabrina Gomes, explica que, de outubro de 2024 a outubro de 2025, foram registrados 224 casos de maus-tratos. Esse número inclui atendimentos de cães e gatos.

Separados por espécie, os felinos são os que mais vezes mobilizaram equipes da Acapra: 156 vezes, já os cães 68. Esses números representam atendimentos de animais abandonados e aqueles em que foi preciso retirá-los de seus tutores.

Conforme ela, são animais que passaram por atendimento médico por meio de clínicas. Os que não foram encaminhados às clínicas podem aumentar o total em até 10%, diz Sabrina.

Maria Eduarda Martins, protetora independente e que coordena a página Yoda e os Resgatados, avalia que os casos sempre aumentam a cada ano. Neste ano, conta que atuou em mais de 30 ocorrências relacionadas a abandonos.

Cão resgatado pela Polícia Civil após denúncia de protetor independente em Brusque | Polícia Civil/Divulgação

Em condições que envolvem a retirada do animal dos cuidados do tutor ela explica que, geralmente, são tratadas por ONGs por terem mais estrutura para atuar junto à polícia.

A protetora Thays Pedrita, da ONG Vidaa, também aponta casos de abandono como um dos principais motivos para os acionamentos da entidade. “Muitas pessoas vão embora de Brusque, ou até mesmo trocam de casa, e acabam deixando o pet para trás”.

Ela faz menção ainda a pessoas acumuladoras que também possuem animais e, que, por conta da compulsão, acabam comprometendo a própria saúde e a dos pets.

O setor de Bem-Estar-Animal da Prefeitura de Brusque recebeu, desde setembro de 2024 até as últimas semanas, 275 denúncias de casos de maus-tratos. Entretanto, 157 registros não terminaram em investigação pelos seguintes motivos:

  • Trote

  • Denúncias infundadas (geralmente causada por intrigas entre vizinhos)

  • Situação resolvida antes da visita das equipes

  • Denúncia redirecionada a outro setor (Secretaria de Obras, Vigilância Sanitária, Fundema)


O diretor do setor, Leandro Hyarup, ressalta que essa prática é totalmente prejudicial aos trabalhos das equipes.

“Porque toda a denúncia feita pelos canais oficiais, elas são averiguadas. Então, perdemos um servidor, ocupamos um veículo, gastamos combustível e energia. Então, a gente acaba deixando de investigar um caso verdadeiro, por conta de uma denúncia falsa”.

Caso dos cavalos maltratados durante cavalgada entre Brusque e Nova Trento responsabilizou 5 pessoas | Reprodução

Principais casos


Sabrina menciona que os casos que mais tem atuado são de cadelas e gatas prenhas abandonadas.

Questionada sobre semelhanças, ela relata que vários casos envolvem pessoas que se mudam para um local que não permite animais. “É o que mais acontece. No nosso Instagram, 75% das mensagens são assim. Os outros são animais acorrentados, sem comida, na chuva ou no sol”.

Ela percebe um aumento nos casos de abandonos. “Os lares temporários ficam superlotados e as pessoas boas e responsáveis [que poderiam adotar] já adotaram. Acaba sendo raro quem vai adotar pra cuidar pro resto da vida”.

Arquivo pessoal

Maria aponta uma semelhança entre os casos que atende, a maioria das ocorrências envolvem homens e, geralmente, pessoas com algum tipo de dependência química. “Esses casos são pura maldade mesmo, pois uma pessoa sem condições, mas que ama, ela pede ajuda”.

De acordo com o setor de Bem-Estar-Animal, os atendimentos mais frequentes realizados envolvem casos de abandono em via pública, más condições de higiene e acondicionamento dos animais. Ao longo do ano, apenas 19 situações resultaram em autuações.

Para o setor, de fato houve um aumento considerável de denúncias neste ano, mas que isso não significa necessariamente um aumento de casos.

“O que se vê, na verdade, é uma maior conscientização da população em denunciar crimes de maus-tratos no município. E fica aqui nosso apelo à população que denuncie. Somente com a fiscalização eficaz é que podemos, de fato, mitigar o problema”.

O diretor de Bem-Estar-Animal explica ainda que o setor tem trabalhado em ações que possam conscientizar e readequar casos para que o animal não sofra a violência de ser retirado de seu tutor.

“O desacolhimento é a última alternativa. Isso diminuiu muito o número de autuações, porque ao orientar o tutor sobre a situação de maus-tratos e estabelecer um prazo para adequação, geralmente na maioria dos casos, esse cidadão se adequa e aí a condição de vida do animal melhora”.

Atuação e acúmulo de pendências


A maior parte das ONGs e protetores recebem denúncias por meio das redes sociais. Após isso, ocorre uma avaliação prévia da situação para então ocorrer a visita no local. Em alguns casos, há necessidade de acionar a Polícia Militar ou a Civil.

Após o acolhimento do animal, ele passa por uma consulta veterinária. Dependendo de sua condição de saúde, pode ser disponibilizado para adoção logo em seguida.

“Basicamente todos os dias temos de cinco a dez pedidos de ajuda. Nós tentamos ajudar o máximo que conseguimos, mas infelizmente tudo depende de termos lares temporários, ajuda financeira e alguma clínica que aceite o atendimento”, conta Thays, da ONG Vidaa.

Pedidos de ajuda financeira são comuns entre as ONGs que atuam na causa animal. A Vidaa, por exemplo, possui contas bloqueadas em diversas clínicas da região por conta das pendências, que hoje somam cerca de R$ 30 mil.

No final do ano de 2024, a Acapra chegou a anunciar a paralisação temporária de seus serviços por conta de dívidas acumuladas nos atendimentos. Os valores passavam de R$ 100 mil.

Maria Eduarda tem autuado com certa frequência em ocorrências de castrações e lamenta que ainda não há um projeto que permita castrações em massa gratuitas por meio de protetores independentes, como é feito com as ONGs.

Castração


Sobre o mutirão de castração que foi realizado pela Prefeitura de Brusque no último ano, Leandro Hyarup explica que o serviço foi encerrado pois o edital expirou.

Mas afirma que o novo edital está em elaboração, neste momento, passando por análise jurídica na Procuradoria. A expectativa é de que ele seja lançado no primeiro trimestre de 2026.

"Nós temos previsto para o ano que vem 3 mil castrações por meio de mutirão. Devem acontecer em etapas, mas até o final do ano que vem devemos entregar cerca de 3 mil".

E complementa que a Fundema, a diretoria de Bem-Estar Animal, continuam castrando animais, porém, esses em casos pontuais. Em uma ação realizada há pouco tempo, o setor teve cerca de 218 castrações e deve realizar mais 300 até o final do ano, "mas em clínica veterinária".

Para protetores e ONGs, a Prefeitura de Brusque permite que alguns procedimentos de castração sejam realizados em caso de comprovação de baixa renda.


Assista agora mesmo!


Conheça o avião que realizou o primeiro pouso em Brusque e que continua voando até hoje:


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