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Conheça histórias de empreendedores do Norte que prosperaram em Brusque com sabores da terra natal

Açaí, tucupi, tacacá e outras iguarias ganham espaço na cidade

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do Censo 2022, o Pará é o principal estado de origem das pessoas que passaram a residir em Brusque, entre aqueles que não viviam em Santa Catarina cinco anos antes da data de referência da pesquisa. Vários deles aproveitaram as oportunidades na cidade para empreender, em estabelecimentos que se espalham pelos bairros com os sabores do Norte do país.

No total, segundo o Censo, 3.023 pessoas que viviam em Brusque quando o levantamento foi feito, em 2022, vieram do Pará. Na sequência, entre estados do Norte do país, aparece em destaque o Amazonas, com 350.

https://omunicipio.com.br/paraenses-sao-maioria-entre-os-imigrantes-que-chegam-a-brusque-veja-dados/

Jotta Cunha é morador do bairro Centro e, antes de se mudar, morava em Ananindeua. Hoje, ele e a esposa, que vieram para Brusque em 2019, têm dois negócios, a Império do Norte, loja de produtos típicos, e o restaurante Villa Amazônica, que ficam na rua Vicente Scheffer, onde eles também residem.

“A gente não conhecia Brusque. Nunca tínhamos saído do estado e a gente morava na região metropolitana de Belém. Um carreteiro aqui de Brusque foi até o nosso estabelecimento (vendíamos açaí em um ponto comercial na cidade de Castanhal) e falou muito bem da cidade. E nos convidou para conhecermos a cidade, em 2019. Ficamos curiosos, queríamos outras oportunidades”, conta.

Café de açaí é uma das iguarias da Império do Norte | Foto: Bruno da Silva/O Município

Ele e a esposa Rosiane pesquisaram a cidade antes de se mudarem. “Achamos as ruas muito bonitas, as árvores floridas”, lembra. Ela veio quatro meses antes de Jotta, que ficou ajudando a família do Pará. Desde que chegaram, moram no mesmo lugar com os três filhos.

“Quando chegamos, trabalhamos em indústrias. Mas sempre tive o propósito de empreender, porque tinha um negócio há muito tempo no Pará. Abrimos a loja em 2022”, lembra. Eles conciliaram os dois empregos por um tempo, mas conseguiram se estabilizar e, após alguns meses, deixar seus empregos e focar na loja e no restaurante.

O carro-chefe da loja é o açaí, a farinha de tapioca e farinha d’água, mas eles também têm o tucupi, o café de açaí, peixe, camarão e outros produtos. No restaurante, os principais pratos são o tacacá e o pato no tucupi, além da maniçoba e outras iguarias da culinária do Norte.

Produtos vêm direto do Pará | Foto: Bruno da Silva/O Município

Eles trazem os produtos via caminhão ou avião por encomenda. Quem trabalha nos estabelecimentos é apenas a família.

“Conquistamos muitas pessoas naturais de Santa Catarina, mas também gaúchos e paranaenses que moram aqui e nos procuram. As pessoas gostam muito do nosso açaí, que é bem diferente, sempre natural, e também que experimentam e gostam do nosso tacacá e da cachaça de jambu. Estamos conquistando o público”.

“Comecei com apenas uma geladeira velha”


Benedito Saraiva Cardoso tem 73 anos e chegou em Brusque em 2017, com sua esposa, que conheceu o estado antes e se apaixonou de cara. “Conheci, gostei e não procurei outra cidade. Cheguei no Águas Claras e estou até hoje aqui”.

Ele é da cidade de Afuá, que fica no Norte do estado do Pará, na região do Marajó. Antes de se mudar para Brusque, ele tinha uma loja em Belém.

Inicialmente, ele começou a trabalhar com produtos importados, mas percebeu que a culinária típica de seu estado de origem era mais negócio.

“Essa região tem muitos paraenses, nortistas e nordestinos. Comecei a dividir o espaço. Todo produto do Norte que coloco aqui, eu vendo”, conta Benedito, proprietário da loja Lídia Variedades do Norte, no Águas Claras.

Benedito e esposa se mudaram para Brusque em 2017 | Foto: Arquivo pessoal

Benedito se emociona ao lembrar de tudo que conquistou ao longo desses anos em Brusque. “No começo, eu sofria com falta de estrutura. Só tinha uma geladeira velha, vendia 1 litro de açaí por dia, ou até menos. Hoje, tenho nove freezers novos e vendo 2 toneladas de açaí processados por mês. Tenho muitos clientes de Brusque, mas de outras cidades que também vêm aqui buscar o açaí”.

Lídia Variedades do Norte, no Águas Claras, vende cerca de 2 toneladas de açaí por mês | Foto: Divulgação

Além do açaí, outros produtos bastante procurados são as farinhas, o charque, os camarões e peixes do Norte. Na loja, trabalham ele, a esposa Nazaré, a filha e netos.

“Todo o dia também recebo visita de gente que quer conhecer a loja. Muita gente do Rio Grande do Sul vem aqui na loja conhecer, por exemplo. Tudo que tem do Norte a gente compra com um fornecedor, que traz aqui na porta da nossa loja”, explica.

“Todo produto do Norte que coloco aqui, eu vendo”, conta Benedito Saraiva Cardoso | Fot: Divulgação

“Brusquenses querem experimentar o x-caboquinho”


Lucilene de Souza Santos é proprietária do Café Chaminé, que fica na rua Afonso Pena, no Centro de Brusque. Natural de Manaus, no Amazonas, ela abriu seu primeiro negócio em Brusque em 2022, na rua Moritz Germano Hoffmann.

“Fiquei um ano e acabei indo para Blumenau, onde fiquei mais um ano e quatro meses. Mas acabei retornando para cá novamente e comecei o Café Chaminé há quatro meses”, conta.

Lucilene de Souza Santos é a proprietária do Café Chaminé | Foto: Bruno da Silva/O Município

Ela explica que acabou indo para Blumenau porque achava que tinha mais clientela – ela abriu o café Sabor do Norte no bairro Escola Agrícola. Mas acabou voltando, porque se sentia muito sozinha. “Tenho sobrinhas que moram aqui em Brusque e lá conhecia quase ninguém, apenas os clientes”.

O seu produto mais diferenciado é o x-caboquinho, com tucumã, que é uma fruta natural do Amazonas, banana-da-terra e queijo coalho. Outros produtos típicos são a tapioca, a farofa feita com charque, pães, bolos e sucos.

O tucumã vem de avião já em polpa. “Toda a semana eu vou buscar, em Navegantes ou Curitiba. Tem toda uma logística para conseguir”, explica.

X-caboquinho é o carro-chefe do Café Chaminé | Foto: Divulgação

A primeira vez que Lucilene veio para Santa Catarina foi em 2018, a passeio, quando visitou as sobrinhas, que hoje trabalham com ela, em Brusque. Em 2022, veio para cá para morar.

“Nesses últimos dois anos, chegou muito pessoal do Norte aqui. A maioria do meu público é de nortistas. Mas também tem brusquenses que querem experimentar o x-caboquinho e as farofas. A maioria gosta”, conta. “O negócio está indo bem, graças a Deus. Quando me mudei para Blumenau, deixei os meus clientes de Brusque órfãos de cafeteria. Agora, tenho clientes que vêm de Blumenau para cá porque sentem falta”.

“É um pedacinho do céu”


Para Lucilene, o que ela mais valoriza em Brusque é a segurança. Já Benedito conta que se sente abençoado por ter se mudado para a cidade e agradece pela acolhida.

“Quero ficar aqui para a eternidade, é um pedacinho do céu. Brusque é um lugar muito bom para se viver. A saúde aqui é muito boa, eles inclusive me procuram para marcar atendimentos. Eu trabalho quase noite e dia, de domingo a domingo. É uma rotina intensa para ter as conquistas que a gente tem. Agradeço muito a Deus e à cidade, que me amparou. Peguei cesta básica para sobreviver, agradeço também aos governantes do estado, são pessoas capacitadas. Tenho orgulho de morar em Brusque e fazer parte da comunidade”.

Jotta conta que, desde que chegaram, ele e a família foram bem recebidos e acredita que o respeito em relação às diferentes culturas é a chave para uma boa convivência.

“Eu entendo que cada estado tem sua particularidade e eu não posso impor a minha. As pessoas aqui são mais reservadas e nós somos mais agitados. Minha esposa e os meus filhos gostaram muito desde que chegaram, eu levei um pouco mais tempo para me acostumar, queria voltar de imediato porque lá eu trabalhava por minha conta, não era por questões culturais. O mais importante é a educação e aqui a gente está ganhando espaço. Fomos muito bem acolhidos, respeitando todos”.

Jotta e a família moram em Brusque desde 2019 | Foto: Arquivo pessoal

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