Ir para o conteúdo

Em meio ano, número de acidentes com cobras em Brusque se aproxima do total registrado em 2024

Jararaca é espécie de cobra com maior número de ataques em Brusque

Brusque registra, até o início de julho, quase a mesma quantidade de acidentes com cobras que foram para as estatísticas em todo o ano de 2024. Em apenas seis meses de 2025, há oito notificações, duas a menos que o ano passado inteiro. Todos os ataques foram ocasionados por jararacas.

Os dados são da Diretoria de Vigilância em Saúde, e representam situações em que a vítima da picada de cobra buscou atendimento. O setor, vinculado à Secretaria de Saúde de Brusque, monitora os acidentes botrópicos, ou seja, provocados por jararacas.

Desde 2023, foram registrados 24 acidentes com cobras no município. Homens são maioria entre as vítimas, sendo 18 delas, ante seis mulheres.

Nos três anos, a vítima mais idosa a sofrer uma picada de jararaca possui 70 anos, e a mais jovem, 2 anos. Ambas as vítimas são do sexo masculino, e o acidente aconteceu neste ano.

A bióloga Mariana Martins esclarece que o período de maior incidência de acidentes com cobras é no verão. A estação é a época do ano em que os animais se movimentam para se reproduzir e se alimentar. Assim, ficam mais próximos das pessoas, quando acidentes acontecem.

“Acidentes com cobras estão ligados às épocas mais quentes do ano, pois elas dependem do calor do ambiente para se aquecer. Quanto maior a temperatura, maior o metabolismo. No inverno, as cobras tendem a ficar mais recolhidas”, explica a especialista.

Mais jararacas em Brusque


No Brasil, são mais comuns acidentes com cobras das espécies cascavel, jararaca, surucucu e coral. No entanto, na região de Brusque, entre os animais venenosos, são encontradas somente jararacas e corais.

Todos os dados registrados pela Diretoria de Vigilância em Saúde estão ligados a ataques de jararacas. Mariana detalha que a predominância da espécie está relacionada às características ofensivas.

“A jararaca, naturalmente, tem um comportamento mais agressivo e tende a se aproximar de casas. Procura áreas em que há entulho. Quando a pessoa mexe, acaba sofrendo um acidente, pois a cobra tem um movimento mais agressivo”, comenta.

Por outro lado, corais dificilmente fazem vítimas, a não ser que a pessoa cometa algum ato específico, como pisar na cobra. As características entre jararacas e corais são diferentes, o que explica o alto número de acidentes com a primeira espécie.

Mudanças climáticas aumentam casos


A bióloga analisa que o alto número de casos em relação ao ano passado, ainda na metade de 2025, está relacionado às mudanças climáticas. Os verões estão mais quentes. Sendo assim, pode haver mais cobras em áreas residenciais durante a estação.

A expansão urbana também é um fator que pode aumentar o número de acidentes, já que mais imóveis estão sendo construídos, sobretudo com avanços em áreas de mata.

“Esses animais estão ficando sem espaço e acabam se aproximando das cidades. Uma coisa junta com a outra, o que pode ter causado aumento do número de acidentes com cobras em 2025”, finaliza Mariana.

Fui picado por uma cobra. E agora?


A Diretoria de Vigilância em Saúde mantém um estoque de soro antiofídico eficaz para toxinas presentes no organismo após picadas de cobras. O antídoto está armazenado no Hospital Azambuja e disponível para casos de urgência.

Desta forma, a recomendação da Vigilância é buscar o atendimento especificamente no Hospital Azambuja. Isso vale tanto para moradores de Brusque quanto para a região, atendidos no hospital em caso de emergência.

“Em caso de acidentes com cobra, por mais difícil que seja, é importante que o paciente se mantenha calmo e realize a limpeza do local com água e sabão. Se possível e for seguro, é necessário tirar uma foto ou levar o animal junto no momento do atendimento médico”, afirma a diretora-geral de Vigilância em Saúde, Carol Maçaneiro.

O objetivo de realizar a captura do animal ou registrá-lo por foto é facilitar na escolha do soro a ser aplicado na vítima no momento do atendimento. O antídoto varia de cobra para cobra, e a informação de qual animal picou a pessoa importa para a eficácia do atendimento.

“Ao identificar a espécie da cobra, é possível identificar o soro adequado. Assim, garante o tratamento mais eficaz, sem risco de complicações. Quando não for possível identificar o animal, o diagnóstico é feito a partir dos sintomas e características da picada”, explica Carol.

Como evitar acidentes com cobras


O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBM-SC) afirma que a maior parte dos acidentes envolvendo cobras ocorre em membros inferiores, até a altura do joelho. Assim, para pessoas que desenvolvem atividades agropecuárias, a recomendação é utilizar botas de cano alto. O mesmo vale para atividades de lazer ao ar livre.

“Deve-se também evitar colocar a mão em buracos ocos, amontoados de folhas secas, tocas ou qualquer outro local que possa ser utilizado por esses animais como abrigo”, recomenda o Corpo de Bombeiros.

Além disso, a orientação é também para eliminar montes de entulho, lenha, acúmulo de lixo, folhagens secas ou quaisquer condições que sejam propícias ao abrigo de cobras. Com isso, será possível evitar também ratos, que são alimento de cobras.


Assista agora mesmo!


Lendas cercam antigo cemitério polonês de Botuverá, marca da imigração ao município:


Siga-nos no Instagram
Entre no canal do Telegram
Siga-nos no Google Notícias