Morro do Rosário, no Santuário de Azambuja, completa 75 anos como símbolo de fé e devoção em Brusque
Local abriga 15 monumentos em tamanho natural que representam os Mistérios do Rosário
Inaugurado no dia 15 de agosto de 1950, há 75 anos, o Morro do Rosário, localizado no Santuário de Azambuja, em Brusque, é um dos principais espaços de peregrinação da região.
O trajeto leva ao cume do morro situado atrás do santuário e é marcado por 15 monumentos que representam os Mistérios do Rosário.
Cada estação é composta por esculturas ou conjuntos escultóricos em tamanho natural, moldados em cimento. As imagens acompanham os fiéis em uma jornada de fé e contemplação.
Segundo a pesquisadora e professora Jaqueline Kuhn, a construção foi fruto do esforço conjunto de seminaristas, administradores e da comunidade. “Foi inaugurada em uma noite com uma procissão”, relembra.
“Muitos se emocionaram ao ver os ‘pontinhos de luz’, em movimento, rumo ao alto do morro. Nos anos seguintes, e até 1954, todas as pesadas estátuas já haviam sido instaladas”, complementou a professora em um grupo do Facebook.
O padre e escritor guabirubense Eder Claudio Celva, autor de um livro sobre o Santuário, descreve como era a participação dos fiéis durante os primeiros anos da obra.
“Ao final das missas no santuário, os fiéis eram convidados a subir o traçado, em oração, levando alguns tijolos, conforme a resistência física de cada um, até o alto da colina; os tijolos foram levados pelos fiéis, enquanto areia, cimento e similares para a obra passaram pelos ombros dos seminaristas”.
Início do projeto
O pesquisador Aluizio Haendchen Filho destaca que o Morro do Rosário era originalmente chamado de "Mistérios do Rosário". A proposta surgiu como forma de marcar, de maneira solene, o Ano Santo de 1950, proclamado pelo Papa Pio XII.
Na época, o cura do Santuário e o ecônomo do Seminário, cônego Afonso Niehues e padre Guilherme Kleine, decidiram transformar o morro ao lado do templo em um caminho visual de oração. A proposta recebeu aval imediato de Dom Joaquim, que manifestou o desejo de inaugurar o primeiro monumento já na festa de agosto daquele ano.
As informações foram reunidas por Aluizio com base na obra Azambuja 100 anos, de José Artulino Besen. Segundo Besen, a postura de Dom Joaquim era direta: "não era muito criativo, mas queria imediatamente postas em prática as grandes ideias dos outros. Não era homem de muitas esperas. Assim deu-se também na construção do Seminário”.
Padre Kleine iniciou os trabalhos com o engenheiro João Backes, responsável por medir o morro e projetar o ajardinamento. Depois, foi a São Paulo para contratar a confecção das esculturas. “Eram imagens pesadas, de cimento armado”, afirma Aluizio.
O Altar-Monumento, situado no topo, foi inaugurado em 14 de agosto de 1950. A cerimônia contou com uma procissão luminosa com a participação de fiéis, Marianos de Brusque e membros do Apostolado da Oração. “O Altar-Monumento representa a coroação de Nossa Senhora como Rainha do Céu e da Terra”.
Em 1952, mais quatro monumentos foram inaugurados, completando os mistérios gloriosos: Ressurreição, Ascensão, Pentecostes, Assunção e Coroação.
Dois anos depois, em 8 de dezembro de 1954 — no centenário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição — o conjunto foi finalizado com os mistérios dolorosos (Prisão, Flagelação, Coroação de Espinhos, Carregamento da Cruz e Calvário) e gozosos (Anunciação, Visitação, Presépio, Apresentação e Encontro no Templo).
“É uma visão magnífica, que ostenta, nesses 15 monumentos, grandes blocos de cimento armado transformados em beleza e piedade”.
História do Santuário
O Santuário de Azambuja teve origem em 22 de outubro de 1875, com a chegada de imigrantes italianos do distrito de Treviglio. Unidos por laços de fé, prometeram permanecer juntos e, como símbolo dessa união, decidiram erguer uma capela em honra à Madonna de Caravaggio.
Com o passar do tempo, parte do grupo se dispersou, e apenas nove famílias permaneceram no Vale de Azambuja.
A região, antes chamada de Caminho do Ribeirão ou Caminho do Meio, passou a ser conhecida como Azambuja, possivelmente em homenagem ao diretor do Departamento de Terras, Conselheiro Doutor Bernardo Augusto Nascentes d’Azambuja.
No fim de 1884, começaram os trabalhos para a construção da primeira capela. O terreno foi doado por Pietro Colzani. A capela media 6 metros por 3 e foi abençoada em 24 de abril de 1887, pelo padre Marcello Ronchi SJ, com a presença do vigário de Brusque, padre João Fritzen SJ.
Com o aumento do número de fiéis, o padre Antônio Eising iniciou a construção de uma nova igreja em 1892, concluída dois anos depois. A estrutura tinha 10 metros de largura por 12 de comprimento. A antiga capela guardava o quadro de Nossa Senhora de Caravaggio, trazido da Itália.
A tradicional festa de 26 de maio, data da aparição de Nossa Senhora de Caravaggio, começou a ser celebrada ainda em 1892. Em 15 de agosto de 1900, ocorreu a primeira festa da Assunção. Relatos da época indicam a presença de cerca de dois mil romeiros na celebração daquele ano.
Diante da relevância do local, o bispo de Curitiba, Dom Duarte Leopoldo e Silva, elevou a capela à condição de Santuário Episcopal em 1º de setembro de 1905.
A pedra fundamental do novo santuário foi lançada em 8 de dezembro de 1939. As paredes da nova igreja foram erguidas em torno do templo anterior, que foi demolido entre junho e setembro de 1941.
O projeto, assinado por Simão Gramlich, previa uma torre de 40 metros e nave com 45 metros de comprimento, 16 de largura e 20 de altura.
O templo passou a ser utilizado a partir de 1943, mas sua consagração oficial ocorreu apenas em 26 de maio de 1956, presidida por Dom Joaquim Domingues de Oliveira.
Assista agora mesmo!
Festa do Búfalo marcou época em Botuverá com carne exótica, acampamento e jipeiros:
Siga-nos no Instagram
Entre no canal do Telegram
Siga-nos no Google Notícias