Saudade por mãe falecida vira coleção de 2 mil canecos em Guabiruba
Local também abriga peças artesanais criadas pelo próprio colecionador
A história da impressionante coleção de canecos de chope de Valdeci Gomes Ferreira — ou simplesmente Valdeci Boiadeiro — começa muito antes de qualquer parede forrada de prateleiras em seu sítio no bairro Pomerânia, em Guabiruba.
*Confira a galeria de fotos no fim da edição
Suas raízes estão no interior do Paraná, onde viveu desde o nascimento até os 34 anos de idade, imerso nas tradições campeiras que moldaram seu caráter.
Em 1991, mudou-se para Guabiruba, dando início a uma nova etapa de vida, sem jamais abandonar os valores que trouxe do campo.
Desde menino, os rodeios não eram apenas eventos festivos, mas sim palcos onde ele lapidava suas habilidades com a corda e o cavalo.
*Assista ao vídeo >>
Primeiros canecos
Foi justamente nesses encontros, pois, em meio à poeira levantada pelos cascos e aos aplausos das arquibancadas, que conquistou seus primeiros canecos.
Para muitos, eles seriam apenas troféus comuns, no entanto, para Valdeci, cada peça representava uma pequena vitória e, ao mesmo tempo, uma lembrança viva das tradições que tanto amava.
Legado de amor
Tudo o que ganhava seguia sempre o mesmo destino e, assim, ele levava cada conquista para sua mãe, dona Terezinha do Carmo Camargo (In Memoriam).
Ela — que viveu toda sua vida no Paraná — colecionava memórias em forma de panelas, rosários, anjinhos e pequenos adornos, enchendo a casa de histórias.
Era, segundo Valdeci, a casa mais bonita do bairro, não por luxo, mas sim pelo calor que cada objeto parecia carregar.
Com efeito, dona Terezinha sonhava em ver aqueles canecos reunidos em um espaço reservado exclusivamente a eles.
Com frequência, ela repetia o desejo de que, um dia, seu filho preservasse o acervo mesmo quando ela não estivesse mais aqui.
Afeto imortalizado em Guabiruba
Em agosto de 2018, quando dona Terezinha partiu, o vazio que ficou foi tão grande quanto o amor que sempre dedicou à família.
Foi a partir desse silêncio que Valdeci decidiu transformar o sonho da mãe em realidade.
Depois de quatro anos de trabalho paciente e cuidadoso, ele conseguiu erguer o que chama, com orgulho contido, de "o cantinho da dona Terezinha".
Nesse lugar, cada caneco não é apenas objeto moldado, mas sim uma lembrança cristalizada e também uma ponte entre gerações.
Obra concluída em Guabiruba
Hoje, em pleno 2025, com o projeto concluído, quem visita o espaço percebe de imediato que não se trata apenas de um lugar qualquer, e sim de um tributo profundamente comovente.
Morador de Guabiruba há 34 anos, Valdeci transformou o ambiente no bairro Pomerânia em muito mais que uma residência — fez dele um território afetivo, onde cada detalhe carrega a marca de uma história vivida.
A Chácara Valdeci Boiadeiro tornou-se então um pedaço vivo de memória e criatividade.
Uma parte do terreno foi destinada à casinha dos canecos, erguida como um gesto de gratidão à mãe.
Suas habilidades
Entretanto, a surpresa não para ali, pois, por onde se olha, há vestígios do talento artesanal de Valdeci.
Carrinhos de madeira cuidadosamente esculpidos, cadeiras de formatos inusitados e mesas com traços originais mostram que aquele menino habilidoso do Paraná jamais abandonou o prazer de criar com as próprias mãos.
Reunião de amigos em Guabiruba
Nos fins de semana, o lugar ganha ainda mais vida. Com frequência, cavaleiros da região costumam se reunir ali, cercados por hospitalidade e histórias.
Assim, entre risadas, lembranças e o tilintar de copos, a chácara se transforma em um ponto de encontro em que tradição e amizade se entrelaçam de maneira única.
O acervo já supera os 2 mil canecos e continua crescendo.
Valdeci, inclusive, não esconde a intenção de ampliar essa marca e acolhe com entusiasmo quem deseja contribuir para manter viva a memória que começou com sua mãe.
Em cada peça adicionada, ele vê muito mais do que um simples exemplar — enxerga capítulos inteiros de uma história que continua sendo escrita.
E é justamente nesse processo que entra o toque de quem compreende que, por vezes, um caneco pode guardar o peso de um amor imenso.
As lindas fotos
Por fim, ao final da edição — logo após os anúncios — uma galeria de imagens revela, com clareza e delicadeza, fragmentos desse pequeno paraíso onde cada caneco carrega uma história.
E é justamente nesse espaço visual que se percebe, ainda com maior nitidez, o valor afetivo que então transforma objetos em memória — e memória em legado.
Galeria após o apoio comercial
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Guabiruba em fotos
*Créditos: Ciro Groh/O Município >>
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