Nove pessoas morrem no trânsito de Brusque nos primeiros sete meses do ano

Imprudência e falha humana representam 77,8% das causas dos acidentes

Nove pessoas morrem no trânsito de Brusque nos primeiros sete meses do ano

Imprudência e falha humana representam 77,8% das causas dos acidentes

Por Brenda Pereira

Alvaristo do Amaral foi a primeira vítima do trânsito em 2018. O senhor de 80 anos foi atropelado por um veículo que transitava sobre a calçada na contramão. Assim como neste caso, a imprudência e a falha humana somam 77,8% das causas dos acidentes com mortes neste ano.

O comandante do 18º Batalhão de Polícia Militar (18º BPM), tenente-coronel Otávio Manoel Ferreira Filho, avalia que “os condutores estão precisando se conscientizar mais” porque a falta de atenção, o consumo de álcool, a imprudência e a negligência são a maioria das causas de acidentes.

O policial acredita que é preciso “mais rigor na formação de condutores” e uma melhor educação como um todo, principalmente a que vem da família.

“Quando a gente fala em imprudência e falha humana, temos que lembrar do triângulo da segurança no trânsito. São três palavrinhas-chave: educação, engenharia e fiscalização. As três coisas têm que andar juntas”, diz Paulo Sestrem, técnico em Circulação de Tráfego e pós-graduado em Gestão e Segurança de Trânsito.

Sestrem fala que é preciso promover campanhas e atividades de conscientização para melhorar a educação no trânsito, acompanhadas de engenharia, que inclui estar atento às tecnologias para melhorar a estrutura e a segurança das vias.

Para ele, a presença da polícia e do agente de trânsito nas ruas também “cria uma sensação de fiscalização na cidade, porque quando o condutor passa por uma blitz, mesmo que não é abordado, percebe que tem fiscalização na rua”, ressalta.

Causa das mortes
Dos nove óbitos, dois são de motociclistas que colidiram com um poste. “Diria que muitas vezes é a velocidade somada a falta de maleabilidade da moto”, avalia Ferreira Filho. Quanto ao acidente envolvendo o dentista Vicente Henrique Ocon Dias, de 48 anos, que colidiu com a pilastra da ponte dos Bombeiros, o oficial informa que não há uma explicação, pois o caso ainda está sendo estudado.

As demais causas incluem: atropelamento, queda em buraco, queda de carroceria de caminhão, choque contra veículo e queda de caminhão sobre carro.

“A grande maioria deles é por falta de atenção, por motivos alheios, por exemplo, o uso do aparelho do celular”, diz o tenente-coronel. “É por frações de segundos de atenção. São detalhes pequenos que causam um grande dano”, complementa.

O secretário interino da Secretaria de Trânsito e Mobilidade de Brusque, Valério de Morais Kosel, acredita que é possível melhorar este quadro. “Podemos mudar isso e começar a dar o exemplo, o poder público fazendo a sua parte, melhorando a segurança no trânsito, através da sinalização, condições das vias, fiscalização e programas de educação no trânsito e conscientização, e a população brusquense respeitando a sinalização e a legislação do trânsito. Cada um fazendo sua parte”, diz Kosel.

Perfil
Das nove vítimas fatais deste ano, duas eram mulheres e sete eram homens. “A gente percebe que o homem é mais corajoso que a mulher no trânsito, vamos dizer assim. Claro que tem mais homens dirigindo, mas nesse caso, a gente não pode defender a questão de gênero, a mulher é mais prudente no trânsito. E os números comprovam isso na nossa cidade”, comenta Sestrem.

A idade concentra-se na casa dos 20: cinco tinham entre 24 e 29 anos. Kosel pensa que não existe um motivo específico para que morram mais jovens no trânsito. “Acredito que pode variar desde a falta de habilidade na condução do veículo até o comportamento compulsivo e desafiador, muito comum nessa faixa de idade”, diz o secretário.

“O jovem naturalmente é mais exaltado, tem mais energia e é menos maduro. Além do mais, é prematuro na habilitação e não tem maleabilidade”, observa o tenente-coronel.

Alta velocidade
A alta velocidade foi confirmada em dois acidentes e, em outro, foi constatado um provável excesso. “Não tem limite de velocidade hoje na cidade. Existe a placa, mas quem desrespeita não tem forma de se punir. Então a velocidade hoje em Brusque está liberada”, salienta Sestrem.

O tenente-coronel defende que Brusque precisa de radares, “não para arrecadar, mas para reduzir a velocidade” e assim garantir a segurança. Entretanto, ele considera que, antes da instalação de equipamentos de fiscalização, é preciso realizar um estudo para avaliar os limites de velocidade existentes.

Três dos nove acidentes aconteceram na avenida Bepe Rosa, a Beira Rio, sendo dois no trecho próximo a ponte dos Bombeiros. “Fortalecemos a sinalização horizontal e vertical no local, focando no alerta para a situação da curva acentuada e o limite de velocidade de 40 km/h que consideramos ser seguro para o trecho. A próxima medida será intensificar a fiscalização”, destaca Kosel.

Fora da estatística
Dois acidentes com óbitos não foram contabilizados pela Polícia Militar como mortes no trânsito.

O primeiro aconteceu na madrugada do dia 24 de fevereiro. Jefferson Liesch, de 30 anos, ficou ferido após se envolver em uma briga na Boate Luck e, quando estava indo ao hospital, colidiu em um poste na avenida Getúlio Vargas, no Centro de Brusque. Ele morreu no local. A morte não foi contabilizada pois a PM considera um homicídio devido a briga que antecedeu o acidente.

O segundo acidente aconteceu na noite do dia 2 de junho no bairro São Pedro. O condutor Lourival Correa do Nascimento, de 52 anos, teve um mal súbito na direção e colidiu na traseira de um veículo estacionado. Ele estava em alta velocidade, alcoolizado e sem cinto de segurança. Devido ao mal súbito, a PM não considerou como morte no trânsito.

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