É preciso recomeçar sempre. Os dias, às vezes nublados, podem nos trazer a memória da cor, do sol…Sem isso, viciados, perdemos o eixo. Deixamos de ver as maravilhas que nos rodeiam. Com Carlos Hanck, foi assim. O olhar novo dele me convenceu a um novo olhar meu. Esse, que estava refém da pressa, da perfeição, do vício. Nossas tardes de sexta, com as conversas mais interessantes possíveis, que iam sobre os seriados da TV, programas de decoração e até mesmo os personagens bizarros das novelas… culminavam em arte, em artistas… em possibilidades de apropriação, hibridação, interfaces.

O diálogo é uma ferramenta das mais incríveis quando se pensa em arte. No nosso caso, a expressão pontual e concreta das formas de meu pupilo, assim como seu uso da cor vibrante, primárias e puras…garantem lirismos ousados. Cada construção de personagens se vê habitando cenários geométricos e poéticos. Esse novo olhar vai além da convenção do que seja pintura, do que seja desenho… é um olhar que mistura, que arrisca, que ultrapassa o óbvio… Adentra paisagens físicas e também outras, intimistas. Sua história de vida e sua superação, não vem com lamentos, mas com vitórias.

Desde 2015 que percebo esse crescimento, esse desejo que ele possui de adentrar visibilidades possíveis, composições idiossincrásicas. Cada dia se enche de encantamentos e estruturas… ele não para… ele me dá um suador!!! São muitas as propostas, e juntos, aos risos, ao gosto do café da tarde feito pela irmã, nós escolhemos aquelas que iremos produzir. E ele, com seu silêncio cheio de intenções me convence, me provoca, me faz ficar a mercê de seu traço, de suas pinceladas.

Esse dia, mostrar esse processo que já dura dois anos, é um brinde a ele, e a mim também, que tanto aprendo. Principalmente vejo, que o olhar se expande, se modifica, alcança as mais incríveis descobertas. Olhar que não se restringe ao perfeccionismo, mas que se liberta e encontra o cênico e o lúdico. Olhar que se atreve a ver para além do real, aquilo que do real podemos vivenciar… e digo, é essa a maravilha da arte.

 
Silvia Teske – artista

É preciso recomeçar sempre. Os dias, às vezes nublados, podem nos trazer a memória da cor, do sol…Sem isso, viciados, perdemos o eixo. Deixamos de ver as maravilhas que nos
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