Ser psicóloga, mãe de três filhos e trabalhar no Colégio Cônsul Carlos Renaux. Esses eram os sonhos de Larissa Dirschnabel aos 13 anos. Eles não só moldaram sua personalidade mas fizeram ela batalhar por eles.

Hoje, com 35 anos, Larissa se orgulha por ter conquistado cada um deles, em especial o de ser mãe. Ela e o esposo Fabricio Sedrez, 36, tentaram ter um filho durante dois anos, mas não conseguiram. A psicóloga sempre soube que sofria com ovário policístico e após uma consulta médica descobriu que uma das alternativas seria tomar injeções diárias de hormônio na barriga.

O intuito do medicamento é fazer o folículo do óvulo crescer entre 6 a 10 milímetros para que ele pudesse ser fecundado. Devido ao desgaste do procedimento para engravidar, Larissa chegou à conclusão que seria melhor ter três filhos de uma só vez. Antes de passar pelo processo, achava que seria muito trabalhoso.

Depois de fazer o tratamento por uma semana, Larissa estava tão ansiosa para saber se estava grávida que foi até um laboratório para fazer o exame. O resultado positivo deixou ela e o esposo em êxtase. Com 12 semanas, ela fez um ultrassom para descobrir o sexo da criança. O médico mostrou a imagem no ultrassom identificando os fetos como g1, g2 e g3.

Crianças nasceram prematuras, mas hoje estão fortes e saudáveis / Foto: Eliz Haacke

Larissa perguntou ao médico se aquilo era o que ela imaginava. Ela lembra que o pai a acompanhou no dia da consulta e que ele ficou espantado com o resultado. Enquanto isso ela ria de nervosismo. Ela conta aos risos que ao sair de lá, ligou para Fabricio e que ao informar que esperava trigêmeos, o esposo ficou chocado e pediu para ligar depois. “Foi um susto, mas para mim foi uma alegria”, revela.

A família ficou extremamente feliz com a novidade. Larissa recorda que precisou ir ao médico diversas vezes pois como esperava três, precisava de cuidados extras.

Ela confessa que desde o tratamento mentalizou que teria três filhos, duas meninas e um menino, que era o que ela sonhava desde criança. Os nomes das meninas foram escolhidos ainda na infância: Clara e Beatriz.

Com a confirmação de que carregava o que sempre sonhou, ela não se conteve de tanta felicidade. O esposo ficou responsável pelo nome do menino e ele decidiu homenagear o avô Arthur. Ele também colocou um segundo nome pois gostava e ficou Arthur Felipi.

Larissa sabia que os trigêmeos nasceriam antes de completarem nove meses e, por isso, perto do último trimestre da gravidez, ela decidiu morar em Balneário Camboriú para ficar próxima do hospital onde teria os filhos. Eles nasceram com 31 semanas e dois dias.

Da esquerda para direita: Larissa, Beatriz, Arthur, Fabrício e Clara / Foto: Eliz Haacke

A primeira a vir ao mundo foi Beatriz, com 1,8 kg, depois veio Arthur Felipi, com 1,6kg, e por último chegou Clara, com 1,2kg. Os bebês ficaram 39 dias no hospital, sendo que a maior parte foi na UTI para ganharem peso. Larissa confessa que já estava preparada para isso.

Clara foi a última a ir para o quarto pois era a mais magra. Após três dias, o médico decidiu dar alta para os três mesmo antes da mais nova alcançar os dois quilos. “Eu comecei a chorar”, relembra a mãe.

Para cuidar dos pequenos, Larissa morou na casa da mãe por um ano. Ela lembra que os familiares fizeram uma festa para recepcioná-los. Na época, ela imaginava que conseguiria dar conta deles sozinha, mas percebeu que a sobrecarga era muito grande e precisou da ajuda da mãe e de outra pessoa.

“Um dia eu dava banho em um, trocava o outro e colocava para dormir o terceiro para poder contemplar todos, porque fazer tudo com todos não era possível”, explica.

Quando soube que teria três filhos de uma vez, Larissa ficou com medo de ter que escolher entre a maternidade e a profissão. Mas como os três nasceram em 27 de agosto de 2013, no Dia do Psicólogo, ela entendeu como um sinal de que seria possível conciliar as tarefas. Depois dos seis meses de licença, ela voltou a trabalhar. Apesar de também atender em um consultório, inicialmente ela voltou a trabalhar apenas no colégio para poder dar atenção aos pequenos nos dias de folga.

Após alguns sufocos entre os três primeiros anos de vida, hoje os trigêmeos estão bem. No entanto, as crianças têm alguns médicos especialistas para acompanhar a saúde como endocrinologista e ortopedista, além do pediatra. “A Clara, que foi a que nasceu menor, foi a que engatinhou, andou e falou primeiro”.

ABC predomina os painéis de aniversários e é a marca registrada da família  / Foto: Arquivo pessoal

Devido às iniciais dos nomes, os trigêmeos ficaram conhecidos como o ABC. Hoje, os pais gostam do título e usam nas festas de aniversário, pois fica difícil colocar os três nomes no mural. A mãe até usa uma gargantilha com as iniciais. “Foi coincidência, porque eu sempre quis esses nomes e o meu marido escolheu o do menino. Ficou e é a nossa marca registrada”, conta aos risos.

Larissa até criou uma rotina para dar conta dos trigêmeos. Eles têm hora para acordar, comer, sair para escola, natação, balé, brincar e de dormir. O cronograma facilitou a vida de todos, segundo a mãe.

“Eu não me vejo não sendo mãe porque eu sempre quis ser mãe. Até a escolha da minha profissão é porque eu gosto muito e acredito muito que dá para ajustar, educar e transformar”, confessa.

Para ela, a maternidade é associada a Deus. “É amor, mas é uma dádiva de Deus por ter essa oportunidade e fazer com que nascessem em um dia especial para mim. É um amor que não tem explicação”.


Você está lendo: O ABC da psicóloga


– Introdução
– Surpresa no dia do parto 
– Gêmeos em dobro
– Unidas pela maternidade
– As três Marias de São João Batista
– Gerações de gêmeas
– Vencendo a morte
– Rua dos cinco gêmeos 
– Superação após a perda 
– Os meninos da casa

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