José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

O bem que existe em mim

José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

O bem que existe em mim

José Francisco dos Santos

A música “Voltei pra perguntar”, do padre Fábio de Melo, é emblemática. Fala do efeito que produzimos nas pessoas quando passamos por suas vidas. No nosso convívio, na relação que temos com os outros, um pouco de nós sempre fica, a menos que o convívio tenha sido tão superficial que sejamos simplesmente deletados. A ideia de voltar para perguntar é para que reflitamos, ou seja, que perguntemos a nós mesmos que tipo de pegadas estamos deixando.

Se fôssemos perfeitos, a pergunta seria desnecessária. Mas todos, misturados às nossas qualidades, possuímos uma pá de defeitos, manias, vícios, que, infelizmente, também deixam suas marcas nas pessoas, principalmente naquelas que nos conhecem mais de perto. Aliás, como diz Caetano Veloso, “de perto ninguém é normal”, ou outra frase, cujo autor desconheço, “ninguém é nobre para o seu mordomo”.

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Nós podemos fingir, dissimular, criar cascas para tentar proteger nossos defeitos do conhecimento das pessoas, e isso acaba funcionando muitas vezes. Mas como não oferecemos nossa essência, o efeito que deixamos será também superficial.

Mas não podemos fugir e fingir o tempo todo, e por isso é sempre bom perguntar o que realmente estamos deixando, sobretudo naqueles que nos são mais próximos e mais caros. Será que apesar de todos os meus defeitos e limites, fica ainda, na minha ausência, “uma saudade boa pra lembrar”? Ainda mais: será que, enquanto caminho entre as pessoas, deixo, de alguma forma, uma marca positiva, que possa produzir nelas algum crescimento, alguma evolução?

Não se trata aqui, em absoluto, de ficarmos preocupados com o que as pessoas pensam de nós, ou que tipo de “imagem” deixamos.

Se ficássemos realmente preocupados com isso, abriríamos mão de nossas responsabilidades, nossas crenças e convicções para fazer e dizer apenas o que fosse agradável aos outros, tentando, a todo custo, angariar sua simpatia. Esse é o comportamento que Aristóteles chama de “lisonjeiro”, e não é disso que estou falando.

O pai ou a mãe que deixam momentaneamente uma impressão desagradável nos filhos, por conta de uma proibição ou de algumas regras, certamente deixarão, a médio e longo prazo, uma lembrança e um efeito altamente positivos na memória deles, quando forem capazes de compreender suas razões.

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Quando nos perguntamos honestamente sobre o efeito que estamos produzindo nas pessoas, sobre os rastros que estamos deixando, perguntamos essencialmente sobre a qualidade da nossa própria existência, sobre a capacidade de lidar com nossos defeitos e superá-los a partir do que temos de bom. Quem é honesto consigo mesmo nisso certamente vai deixar para trás o melhor de si, mesmo que suas limitações e defeitos sejam bem reconhecidos.

Ao contrário do jargão político, considero preferível o esquecimento a uma má lembrança. Além disso, a pergunta sobre o que fica de nós é fundamental porque não faz sentido ter algo de bom que nunca se expresse, que não produza efeitos positivos ao nosso redor. Por isso é tão importante “que a nossa luz brilhe diante dos homens”, e que saibamos, tanto quanto eles, que em nós prevalece o que é bom.

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