Em Brusque, uma coisa é certa: se tem festa, tem que ter cachorro-quente com linguicinha. O lanche é praticamente uma unanimidade. Poucos são os que resistem ao pão com molho de tomate bem temperado e linguicinha mista.

A origem deste prato tão tradicional em Brusque é desconhecida. O que se sabe é que há muitos anos o cachorro-quente é vendido em festas de igrejas e entidades, sempre com linguicinha. Salsicha, nem pensar.

O lanche já está tão presente na vida dos brusquenses que ninguém consegue esclarecer porque a salsicha, que geralmente é o ingrediente principal do cachorro-quente, foi substituída pela linguicinha. O fato é que o cachorro-quente brusquense é sucesso garantido em qualquer evento.

Isolete Venzon Foppa faz cachorro-quente nas festas de igreja há oito anos | Foto: Bárbara Sales

A receita é reproduzida o ano inteiro por voluntários, principalmente, nas festas de igreja. Há oito anos, Isolete Venzon Foppa, 42 anos, é uma dessas voluntárias. Começou a trabalhar na produção de cachorro-quente na igreja Nossa Senhora de Fátima, no Jardim Maluche. Hoje, coordena o grupo que faz o lanche na comunidade Santa Paulina, na Travessa Lagoa Dourada.

“Antes eu fazia o cachorro-quente em casa, mas não ficava igual. Depois que comecei a ajudar na igreja aprendi”, diz.

Para ela, o segredo é ferver bastante o molho de tomate com cebola e assar a linguicinha por 40 minutos antes de incorporar à mistura. “No mínimo uma hora de fervura. Aqui optamos por assar a linguicinha pra sair um pouco da gordura, mas também pode fritar ela antes de colocar no molho”, revela.

A linguicinha é o recheio preferido do cachorro-quente dos brusquenses | Foto: Bárbara Sales

O marido de Isolete, Jovaci Afonso Foppa, 48 anos, também ajuda no preparo do cachorro-quente. Ele é o responsável por assar as linguiças. “Tem que cuidar muito do ponto. Tem que ficar mais vermelhinha, mas também não pode assar muito porque senão fica muito fina e o pessoal não gosta”, conta.

O cachorro-quente das festas de Azambuja é, talvez, o mais famoso da cidade. O lanche é vendido na Festa de Maio, na festa dos Seminaristas e na principal festa do santuário, a Festa de Nossa Senhora de Azambuja, realizada todo terceiro domingo de agosto.

O cachorro-quente é preparado na cozinha do hospital com o auxílio das voluntárias do grupo Mãos que se Doam. Há 13 anos, a irmã Analuisa da Silva coordena a produção do cachorro-quente nas festas do santuário.

Para ela, o segredo do cachorro-quente é o molho feito artesanalmente, com muito tempero natural. No Azambuja, a linguicinha é fervida rapidamente na água quente antes de ser incorporada ao molho. “Jogamos na água bem quente, só pra aquecer. Não pode deixar muito para não perder o sabor. Depois, só colocamos a linguiça no molho perto da hora de servir. Aqui é só pão, molho e linguicinha. Sem milho, ervilha, batata palha”, explica.

O cachorro-quente, inclusive, é o queridinho da cozinha do Azambuja. “Ficamos muito contentes que o pessoal gosta do cachorro-quente. Sabemos que tem muita gente que vem na festa só pra comer o lanche. Nos preocupamos muito mais com o cachorro-quente do que com o churrasco, por exemplo, porque sai muito mais”, completa.

Das festas para o cardápio
O sucesso e a tradição do cachorro-quente de festa fez com que a empresária Gislaine Hodecker incluísse o lanche no cardápio do Kaldi Café & Bistrô. Ela e a família sempre gostaram do cachorro-quente de linguicinha e não perdiam a oportunidade de ir até as festas de igreja para comer o lanche.

“Quando assumimos o café pensamos: por que não ter o cachorro-quente de festa quando a gente quiser, a qualquer dia da semana ou em qualquer fim de semana?”, diz.

Cachorro-quente de festa é um dos sucessos do cardápio do Kaldi Café | Foto: Bárbara Sales

O local tem uma pegada mais simples, com pratos mais caseiros e, para ela, o cachorro-quente se encaixa perfeitamente na proposta. Hoje, o lanche é um dos mais pedidos da casa. “Ele é simples, mas ao mesmo tempo muito gostoso, por isso sai muito. As pessoas olham o cardápio e sempre perguntam o que é, acabam se interessando”.

Gislaine diz que o cachorro-quente da Festa de Azambuja é uma das inspirações do Kaldi Café. Outra inspiração vem dos aniversários realizados na família em que o lanche não pode faltar. “O da Azambuja pra nós é o mais tradicional, mas em casa fazemos muito. A receita é da minha sogra, Eliana Pruner Reitz, e veio desses aniversários ”.

O cachorro-quente típico brusquense, inclusive, chama muita atenção de clientes de outras cidades. “Faz toda a diferença por ser de linguicinha e os clientes têm gostado muito, têm muitos que são fãs desse cachorro-quente e trazem pessoas de outros lugares para experimentar. Acaba sendo uma coisa bem cultural nossa”.

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