Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

O comerciante, industrial e político Carlos Renaux

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

O comerciante, industrial e político Carlos Renaux

Rosemari Glatz

Com o lançamento do projeto Villa Renaux, ocorrido ontem, um nome veio novamente à tona: Carlos Renaux – comerciante, industrial e cônsul do Brasil. Um homem que, com forte espírito empreendedor, inteligente, sóbrio e econômico, fundou a primeira fábrica de tecidos de Santa Catarina e se transformou num dos principais industriais do estado e do Brasil.

A imigração e os primeiros tempos
Batizado luterano como Karl Christian Renaux, nasceu em 11 de março de 1862 em Loerrach, antigo Grão-Ducado de Baden, Alemanha. Filho de Johann Ludwig e de Sophia Ludin, em 1879 empregou-se como aprendiz no Banco Hipotecário de Loerrach, onde permaneceu por três anos. Com apenas 20 anos de idade e preparado – curso escolar secundário e prática bancária regular – , em 1882 Renaux emigrou para o Brasil, aportou no Rio de Janeiro e depois seguiu para Santa Catarina. Renaux se instalou na Colônia Blumenau e conseguiu trabalho no bairro Salto Weissbach como caixeiro. O seu nome foi abrasileirado para Carlos Renaux.

Os três casamentos
Em 1884, Renaux uniu-se em matrimônio, em Blumenau, com Selma Wagner, filha de Friederike Metzner e Peter Wagner, conhecido como “Pioneiro”, porque sua vasta propriedade ficava em uma zona ainda não explorada, tendo, inclusive, precedido a chegada do Dr. Blumenau à Colônia.

Depois do falecimento de Selma, em 1912 Renaux contraiu segundo matrimônio com a atriz Johanna Maria von Schoenenbeck. O governo brasileiro, reconhecendo os méritos de Renaux, nomeara-o Cônsul e, pelo ano de 1920, ele mudou-se para a Europa, estabelecendo domicílio em Arnheim, na Holanda, onde faleceu sua segunda esposa. Depois foi residir em Baden-Baden, Alemanha, onde também exerceu as funções de Cônsul. Nesse ínterim desposara Maria Luiz Auguste Lienhaerts (conhecida como Coucki), sua governanta.

Nos primeiros anos de 1930, abolidos os consulados, Renaux retornou para Brusque e fez construir a Villa Renaux. Em 1939 perdeu a esposa, vivendo, desde então, sozinho em sua Villa Coucki, que assim chamara em honra de sua última companheira. Carlos Renaux desviveu em 28 de janeiro de 1945 e, apesar dos três matrimônios, só teve filhos com a primeira esposa, Selma.

A trajetória como comerciante, industrial e político
Após curta permanência em Blumenau, graças à sua rara inteligência e capacidade organizadora, e também ao empenho Guilherme Asseburg, de Itajaí (parente da esposa Selma), Renaux passou a gerenciar a filial da venda de Germano Willerding em Brusque, a qual adquiriu pouco depois. Era uma venda pequena, financeiramente menos importante do que as de Bauer, Krieger e Buettner.

O jovem negociante adotou no comércio das vendas os princípios que até então eram desconhecidos por aqui: acabou com o sistema de troca entre colonos e vendeiros, adotando a base da moeda corrente para grande parte das transações. Foi bem sucedido e, em 1892, fundou uma pequena fábrica de tecidos – a primeira de Santa Catarina, em sociedade com Paul Hoepcke e August Klappoth, que depois se retiraram da empresa. Adquiriu um terreno e instalou a fábrica na estrada dos Pomeranos, atual rua 1º de Maio, o mesmo endereço onde ainda hoje se encontra a antiga fábrica.

Pelo ano de 1890, Renaux começou a participar nos acontecimentos políticos e duas vezes tomou parte em atos de suma importância política: na redação da Constituição do Estado de Santa Catarina, em 1891, e nas lutas da revolta contra Floriano Peixoto, em 1893. Apesar do envolvimento político, Renaux retirou-se definitivamente da direção de suas empresas só em 1937, deixando um legado que fez e ainda faz história.

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