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João José Leal

Promotor de Justiça aposentado - joaojoseleal@omunicipio.com.br

O outono já começou!

João José Leal

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O outono já começou!

João José Leal

Quando estive em Bogotá, um taxista me perguntou se, no Brasil, as estações do ano eram marcadas por diferenciadas temperaturas. Disse-lhe que, no Sul, tínhamos, sim, as quatro estações com diferentes temperaturas. Falou-me, então, que gostaria que sua cidade tivesse um clima igual para usar roupas de verão. Entendi sua confissão ao verificar que a bela capital colombiana, situada nas alturas dos 2640 metros acima do nível do mar, por estar próxima à linha do Equador, tem temperatura nem muito baixa e nem muito alta, permanecendo em torno de 15 graus durante quase todo o ano.

Lembrei dessa conversa porque já estamos com o pé na estação que nos prepara para a chegada dos dias hibernais mais frios do ano. Com a precisão de quem fala em nome da ciência, dizem os meteorologistas que o outono começou ontem, precisamente, às 13h15, quando ocorreu o equinócio de março, fenômeno astronômico em que o dia tem quase a mesma duração da noite.

Os magos do tempo dizem, também, que os tenebrosos Niña e Niño, casal-mensageiro das tempestades e tormentas, nos darão uma trégua. Sem a interferência desses dois Poisedons perturbadores da temperatura dos nossos mares, teremos menos chuva a partir de abril e um outono sem catástrofes climáticas. Vamos esperar para conferir.

Os homens das artes não se importam com o rigor das verdades astronômicas. Nas telas dos artistas do pincel, cavalete e das tintas, a paisagem outonal típica é a de um quadro nebuloso pintado pelo vento, em só três cores, o amarelo, o castanho e o vermelho. É uma pintura das folhas avermelhadas caídas ao chão ou amareladas, esperando a hora da queda ao balanço do vento, no bailado final da volta à Terra-mãe. Na música, como na composição de Vivaldi, o outono é marcado pelo compasso lento, triste, pesado, e pelos acordes nostálgicos, melancólicos.

Os poetas, todos sabemos, falam com a voz do coração. Recorrem à figuras literárias para comparar a existência humana às estações do ano. Nossa juventude cheia de vigor, de flores e prazeres seria como a primavera e o verão. A velhice, esse tempo cinzento, nebuloso e da nostalgia, que marca o ocaso de nossas vidas, seria como o outono, estação da tristeza, da saudade, das folhas e dos cabelos caídos.

Neste ano, a natureza parece ter ouvido a voz da poesia. Ontem, o dia amanheceu cinzento, friozinho, com cara de outono mesmo. Mas as folhas só cairão mais tarde.

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