O Pelznickel foi trazido para a região de Brusque e Guabiruba por meio dos imigrantes provenientes do estado de Baden, na Alemanha, que colonizaram a então Colônia Itajahy-Brusque.

Conforme o historiador Alisson Castro, a tradição manteve traços da sua versão europeia mas foi repaginada para se adaptar à região. Criado no inverno da Europa, o Pelznickel que vestia roupas de pele teve sua roupa substituída por trapos e folhas, adequado às condições climáticas da região. 

Segundo o pesquisador, das 200 famílias estabelecidas na colônia até dezembro de 1862, 115 eram da região de Baden. Já em 1886, esse número saltou para 250. 

O pesquisador Walter Piazza, que estuda o Folclore de Brusque, conta que naquela época as pessoas se vestiam com trapos e carregavam correntes para aterrorizar as crianças. A atitude seria uma forma de preparar a criançada para o Natal, avisando que os que se comportaram seriam premiados e os que haviam sido maus seriam castigados.

O Pelznickel às vezes batia nas crianças que não obedeciam com uma vara. Muitas delas se escondiam embaixo da cama para não serem pegas por ele. 

Um registro de 1954 mostra quatro Pelznickel, sendo três com varas nas mãos e um carregando um acordeon. Eles usavam trapos e barba-de-velho e ao seu meio estava a Christkindl. 

Segundo Fabiano Siegel, 39 anos, guabirubense criado no bairro São Pedro, naquela época o ritual consistia em ir até as casas e tocar músicas e beber, o que explica o acordeon. Ele relata que era comum o Pelznickel passar horas em apenas uma família. 

Fonte: Acervo Histórico Digital da Fundação Cultural de Guabiruba publicado por Àlisson Castro

Um outro registro, deste mesmo ano, mostra três Pelznickel acompanhados de duas Christkindl. Eles estão vestidos em trapos velhos e barba-de-velho e utilizam máscaras e carregam varas. 

Um registro mais recente, de 1994, mostra o Pelznickel no bairro São Pedro. Ele usa trapos e a cabeça é ornada com barba-de-velho. Ele usa o chifre e segura uma corrente nas mãos. O rosto não é mais pintado de preto e ele usa uma máscara de papelão e os pés não estão mais descalços. 

De acordo com o historiador, os indícios apontam que era muito provável que apenas Christkindl e o Pelznickel teriam sido os presenteadores do Natal na região até a década de 1960. 

Os jornais indicavam que o presenteador do Natal era o Menino Jesus, mas essa atribuição começou a mudar em 1960, quando o Papai Noel começou a ser representado por pessoas e quase acabou com o Pelznickel em Brusque e Guabiruba. 

O Pelznickel na imprensa

A imprensa em Brusque surgiu em 1912, mas naquela época não se teve menção ao Pelznickel, conforme aponta Castro em sua pesquisa. A primeira menção foi apenas em 1993, em um artigo publicado no jornal O Município por Paulo Vendelino Kons. O artigo mencionava que o Papai Noel era acompanhado por um criado chamado de Pelznickel, que amedrontava as crianças que não se comportaram. 

Ao estudar o folclore da cidade, Piazza, diz que na década de 50 as casas recebiam visitas de um homem de barba branca, que usava roupas maltrapilhas, que carregava uma vara e correntes na mão e um amplo saco às costas. Ou seja, com exceção da barba, ele descreveu o Pelznickel. 

Segundo Castro, a historiadora Maria Luiza Renaux menciona o Pelznickel em um estudo, chamando-o de Pencenickel. Na descrição da pesquisadora, ele usa máscara e roupa escura e traz correntes para prender e bater nas crianças. 

Essa tradição teria relação com a Antiguidade clássica, quando em dezembro as pessoas expulsavam os demônios do inverno. 

O Papai Noel na região

Na imprensa brusquense o Papai Noel apareceu pela primeira vez em 24 de dezembro de 1931, na edição do O Progresso, em um anúncio da farinha de trigo Buda Nacional. No ano seguinte, no mesmo jornal, uma notícia dizia que a figura estava invadindo lares e distribuindo doces e brinquedos aos bons e varas aos maus.

Segundo Castro, a partir de meados de 1990 uma série de publicações no O Município trouxe histórias de intérpretes do Papai Noel. As reportagens indicam que o personagem se popularizou na região ao longo da década de 70. 


Você está lendo: O Pelznickel em Guabiruba: como a lenda se tornou tradição no município


Acompanhe:

– Introdução
– 
Conheça a história por trás da lenda do Pelznickel, o famoso Papai Noel do mato
– Christkindl: quem é a mulher vestida de branco que entrega doces
– As variantes do Pelznickel: como é o personagem pelo mundo
– Como é o Pelznickel em outros lugares do Brasil

– Na memória: os costumes do Pelznickel antigamente
– Sociedade do Pelznickel mantém viva a tradição em Guabiruba
 Por trás da fantasia: quem participa da Sociedade do Pelznickel
– Como é a produção da roupa do Pelznickel
– Dos passeios de casa em casa a Pelznickelplatz
– O Pelznickel como atração turística em Guabiruba