Pe. Adilson José Colombi

Professor e doutor em Filosofia - padreadilson@omunicipio.com.br

O sentido da vida e felicidade

Pe. Adilson José Colombi

Professor e doutor em Filosofia - padreadilson@omunicipio.com.br

O sentido da vida e felicidade

Pe. Adilson José Colombi

Cada ser humano constrói a sua história. Só ele próprio pode ser o construtor. Os outros seres humanos, o mundo circunstante e Deus podem ser seus coadjuvantes. Em última análise, porém, a responsabilidade será sempre do protagonista: o sujeito da história. Essa história é repleta e permeada por acontecimentos e por momentos, os mais variados. Podem ser, por exemplo, de alegria ou de tristeza, de felicidade ou de frustração, de esperança ou de desespero de amor ou de ódio…

O ser humano busca respostas para o que acontece em sua vida. Boa parte das vezes, procura-as fora de si mesmo. Com frequência, culpa os outros; outras vezes, as circunstâncias existenciais ou sua vida como um todo. Também, destino, sorte, o azar, mau olhado, inveja, “olho gordo”, macumba, “trabalhos feitos” e assim por diante. Muitos encontram dificuldade em perceber que a problemática está dentro de si e que também a resposta pode ser encontrada dentro de si mesmo.

Bem, para isso é necessário “parar”, “tomar distância” diante de si e tentar a sós ou com ajuda de alguém buscar a compreensão da realidade presente, sem falseá-la ou idealizá-la. Mas, com os pés firmes na realidade, por mais dura e trágica que seja, e aceitá-la tal qual é. É evidente, jamais numa atitude de passividade, de resignação, de acomodação… Aceitação significa “esta é minha realidade existencial” e a partir dela como posso “ser mais”. A aceitação, então, é o ponto de partida para o “novo caminho na construção da própria história”.

Para isso, porém, tenho que inserir, nessa história, um sentido, isto é, qual é a razão do meu viver, qual é a motivação permanente da minha vida. Em última análise, pode-se traduzir, na prática, com o projeto de vida. Claro que este projeto tem que, necessariamente, incluir todas as dimensões existenciais fundamentais de minha vida, sem restrição alguma a qualquer delas.

Aqui, é bom lembrar que a Antropologia Cristã tem a pessoa humana como eixo e centro de toda a Sociedade e a Cultura. Elas são justamente resultado do exercício dessas dimensões. Portanto, da sua dimensão cósmica (física, biológica, corporal) enquanto se relaciona com o Universo, o mundo circunstante; da dimensão psicológica enquanto sujeito (eu, consciência) da história; dimensão social (alteridade) enquanto se comunica, dialoga, ama; dimensão transcendente (espiritual) enquanto se relaciona com o Infinito, Deus.

Estas dimensões não são gavetas, camadas, mas uma está relacionada à outra, interdependente, interligadas, inter-relacionadas. Jamais podem ser vistas e tidas como estanques. Pois, a pessoa humana, em todos os seus atos, sempre age como uma totalidade e uma unidade.

Por isso que não é possível privilegiar uma dimensão, em demasia, em detrimento das outras. Mas a maturidade da pessoa humana acontece, justamente, no exercício harmônico e equilibrado, permanente das dimensões fundamentais, como uma totalidade e unidade. E é, nesse processo contínuo de construção dessa maturidade pessoal, que o sujeito da história vai encontrar as respostas para sua vida. Em outras palavras, vai encontrar gradativamente as razões de viver, o sentido de sua vida (história) e, dessa forma vai enriquecer sua existência com um conteúdo que lhe dará a satisfação de viver. E quem tem verdadeira satisfação de vida encontrou o caminho para a construção de sua felicidade.

A felicidade não é um fim a ser alcançado, mas uma constante a ser vivida, e para isto basta termos razões para viver. O presente (a realidade pessoal e sociocultural) é a maior dádiva que a existência nos oferece. Não importa tanto como está atualmente, mas o que pode ser em futuro próximo ou mais remoto. Importa o que posso mudar e construir a partir da motivação, da razão de viver de minha existência.

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