Pe. Adilson José Colombi

Professor e doutor em Filosofia - padreadilson@omunicipio.com.br

O silêncio na Quaresma

Pe. Adilson José Colombi

Professor e doutor em Filosofia - padreadilson@omunicipio.com.br

O silêncio na Quaresma

Pe. Adilson José Colombi

A vida atual é barulhenta. Vivemos num mundo que parece cultivar os rumores. Vivemos numa cultura da poluição sonora e visual. Até a música, hoje, perdeu sua dimensão de levar a meditação e ao silêncio, para incitar ainda mais os rumores de todos os naipes. Vivemos num mundo cercado e quase dominado pelo barulho, presente em todos os ambientes.

Como faz bem, você depois de andar pelo Centro de São Paulo, adentrar na Igreja do Mosteiro São Bento de São Paulo, dos monges beneditinos e saborear o silêncio que vai penetrando até o íntimo do ser humano. Sensação que não se encontra em qualquer lugar. Apenas, em algumas “ilhas de silêncio” que lutam para se manter menos vulneráveis aos rumores reinantes.

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Todavia, nem todos têm a oportunidade de saborear esse ambiente de harmonia e paz. A Igreja, porém, sempre ensinou e proporcionou espaços para as pessoas que querem fazer essa experiência que tem seu aspecto externo, mas é mais um estado interior.

O verdadeiro silêncio, aquele construtivo vem “de dentro” para “fora”. Claro, que o exterior voga e muito. Mas, é a pessoa que cria condições para a existência do silêncio. Sem dúvida, tem que levar em conta a circunstância ambiental, mas muito mais a disposição interior. Essa, porém, não é “tão natural assim”, na psicologia do ser humano. É uma construção interior, à custa de muito esforço, treino, avanços e recuos, superados pouco a pouco com o tempo, paciência e perseverança.

A Quaresma, ao menos para a Igreja Católica, foi sempre um tempo de penitência, jejum e oração. O silêncio sempre foi presado e é até, hoje, um excelente instrumento de penitência, de jejum e de oração.

De fato, somos por demais imbuídos da mentalidade que “penitência” é quase sinônimo de “deixar de comer e beber alguma coisa”. O jejum segue o mesmo rumo. Não fomos educados a perceber que um jejum “de comentário do outro, de crítica desnecessária, conversas banais, etc” possa ser muito mais custoso do que a “penitência ou jejum” de chocolate, refresco… O autêntico silêncio eleva o interior a Deus e se faz prece, num grito de amor, de louvor, de ação de graça ou penitência pelas irresponsabilidades da vida.

O silêncio contribui para a saúde física, psíquica e espiritual da pessoa humana. No Cristianismo, a fé não é possível sem o exercício regular do silêncio, ele é uma realidade sempre cultivada, na espiritualidade católica, como um instrumental apreciado no progresso espiritual do ser humano. Jesus Cristo cultivou com frequência o silêncio. E ensinou seus discípulos a servir-se dele, em sua vida pessoal e pastoral.

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Em diversas circunstâncias, retirou-se em silêncio para rezar. Com a palavra e o exemplo, o Divino Salvador nos propõe o silêncio como práxis vital para a nossa “saúde integral”. A Quaresma é um tempo propício para nos dedicarmos à prática do silêncio, que exige empenho de nossa parte, pois aqui não basta apenas a boa vontade. Silenciar é um hábito que se adquire. Nunca é tarde para começar esse exercício bom e salutar.

Aproveitemos a quaresma e nos dediquemos à prática do silêncio para nossa saúde física, psíquica e espiritual. A busca do silêncio nos quarenta dias quaresmais, por meio da abstinência das palavras, dos sons e das imagens, pode ser um bom começo para uma nova vida que busca suas saudáveis raízes na interioridade, fonte de sentido e de verdade.

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