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Os Alucinantes marcaram a juventude brusquense entre os anos 60 e 80

Conheça o grupo que levou grande público aos clubes e casas noturnas por décadas

Os Alucinantes marcaram a juventude brusquense entre os anos 60 e 80

Conheça o grupo que levou grande público aos clubes e casas noturnas por décadas

Conhecidos pela irreverência, alegria e qualidade musical, eles levavam multidões para seus shows. Os Alucinantes foi um dos conjuntos mais badalados de Brusque nos anos 70 e 80 e responsáveis por proporcionarem momentos memoráveis aos que frequentavam bailes, jantares dançantes e outros eventos da época.

Criada em 1968 por iniciativa de Odair José Pedrini, morador do Dom Joaquim, o grupo teve várias formações. Entre idas e vindas, mais de 20 músicos integraram a banda, que costumeiramente se apresentava nos clubes mais importantes da região, como o Paysandú, Clube Esportivo Guarani, Sociedade Beneficente, Sociedade Ipiranga, Santos Dumont, Clube Atlético Carlos Renaux, Clube Guabirubense e 1020.

No entanto, mesmo sendo formado em Brusque, o conjunto começou sua história de sucesso na região metropolitana de Florianópolis. O Clube 1º de Maio, em Barreiros, São José, foi onde o grupo estreou. Depois ficou cerca de um ano fazendo shows na capital catarinense, para então, levar os brusquenses à loucura em seus shows.

Nos tempos de glória, de 1968 a 1983, não havia quem não dançasse e cantasse ao som dos clássicos do rock interpretado pelos Os Alucinantes. Com um repertório de 80 músicas cover, na maioria internacional, as apresentações duravam cerca de cinco horas.

As principais canções eram de bandas como The Beatles, Creedence Clearwater Revival, Santana, Renato e Seus Blue Caps, Os Incríveis, The Fevers, Roberto Carlos, entre outros.

Formação original dos Os Alucinantes em 1968/ Arquivo Os Alucinantes

Amor à música
Presidente do grupo de jovens do bairro Dom Joaquim, Pedrini teve a ideia de formar um grupo para “tocar por brincadeira”. Na época, seus irmãos Isaías e Edi faziam parte, porém, começaram a trabalhar e precisaram deixar a música.

Em 1968, o fundador do grupo queria tocar na Festa da Juventude, mas não poderia fazê-lo sozinho. Foi aí que ficou sabendo que Jair Maurici tocava acordeon e o chamou para ajudá-lo. Maurici, por sua vez, convidou Irineu Pavesi, e desta “brincadeira”, aos poucos foi se formando a banda.

“Eu tinha uns 17 anos, sempre fui do coral da igreja e apaixonado por música. Era a essência da minha vida”, diz Pedrini.

Daquele ano em diante outras pessoas foram integrando-se à banda, até solidificar-se uma das formações de maior tempo, a original, composta por: Odair Pedrini, baixista (que mora em Brusque); Irineu Pavesi, baterista (Brusque); Otávio Bolsoni, guitarrista (brusquense que mora em Florianópolis); Jair Maurici, tecladista (Brusque); Davi Hilton da Silva (falecido), guitarrista (Florianópolis); e Ademar Pavesi, popular Bafo, vocal (falecido) também de Brusque.

No início os ensaios aconteciam na ferraria do pai de Pedrini e depois na casa dos pais de Maurici. Ali, os músicos passavam o dia e a noite. Alguns, até mesmo, moravam no local de ensaio, tamanho amor pelo que faziam.

Pedrini, o maior mantenedor dos Os Alucinantes, revelou que investiu no período que esteve na banda, em aparelhagem, o equivalente ao valor de uma casa e um carro zero.

Os Alucinantes na década de 80 na Sociedade Esportiva Bandeirante no Baile dos Amores/ Arquivo Os Alucinantes

As marcas da história
O forte dos Os Alucinantes sempre foi o vocal: todos cantavam. A energia dos irreverentes no palco contagiava o público, que antes mesmo deles chegarem às casas noturnas já os aguardavam ansiosamente.

Lauro Demarche, 87 anos, proprietário da 1020, do Águas Claras, uma das mais importantes casas de evento da época e a primeira de Brusque em que tocaram, lembra que a banda era muito animada e unida, e que quando chegavam, o palco de madeira “tremia”.

“Bem antes de começarem as apresentações, a parte externa do salão estava sempre tomada por um enorme público, que chegava cedo só para ver Os Alucinantes cantar”.

O que também chamava atenção dos músicos eram seus longos cabelos e a vestimenta audaciosa, no estilo do cantor grego Demis Roussos. Eles realmente não passavam despercebidos. Prova disso é que tinham muitos fãs, principalmente mulheres, e ao fim de cada festa, como contam, as caronas eram garantidas.

“Sempre tinha alguém que pegava carona conosco”, lembram.

Um dos integrantes, inclusive, chegou a ter três namoradas numa época, sendo que em um dos shows, as três resolveram aparecer.

“Eu tinha uma em Florianópolis, outra em Itajaí e outra em Brusque. Numa apresentação as três vieram e eu não desci do palco até que a de Florianópolis e de Itajaí fossem embora. Eu pude, então, ficar com a de Brusque”, conta, aos risos.

A grande marca da banda foi o Baile dos Amores, no inicio realizado no Paysandú e depois no Beneficente, durante 15 anos, sempre na véspera da Festa de Azambuja.

Para Groh, um dos momentos mais especiais de Os Alucinantes foi quando acompanharam shows de artistas nacionais que se apresentaram em Brusque e em outras cidades do estado.

“Nós éramos o conjunto referência para acompanhar os cantores que vinham para a região”.

Além de Brusque e da capital, eles também se apresentavam em Joinville, Porto Belo, Itajaí, Balneário Camboriú, Blumenau, Curitiba (PR) e chegaram a tocar inclusive em São Paulo.

Os Alucinantes em Brusque, em 1973/ Arquivo Os Alucinantes

As viagens da banda eram feitas em kombis alugadas. Começaram com uma até chegar a três, mais tarde então passaram para o ônibus.

Certa vez o grupo decidiu ir para São Paulo comprar aparelhos musicais – na época, tinham uma das melhores aparelhagens do estado. A correria deixava os familiares muito preocupados.

“Simplesmente decidimos ir e ficamos uma semana fora, sem avisar os nossos pais, as esposas, as namoradas. Sobre essa aventura, ficamos em hotéis bons, gastamos a grana toda e não compramos nada. Como na época não existia comunicação como hoje, dá pra imaginar a loucura causada pela nossa irresponsabilidade”, recorda Bolsoni.

Outra façanha irresponsável efetuada pelos componentes, na década de 70, foi a aquisição de uma Xispa (moto) para cada componente. “Na época foi uma loucura”, ressalta Bolsoni.

Sonho de fazer gente feliz
Os Alucinantes se encontram, atualmente, esporadicamente para relembrarem essa trajetória de amizade e sucesso. No entanto, é inegável o quanto os anos de glória deixarão para sempre marcas em suas vidas. Para Groh, que possui empresa de transporte, a banda representa uma importante caminhada na sua vida.

“Aprendi a conviver com as pessoas. Escrevemos uma história e fizemos um pouco parte da história das pessoas. É um sentimento que nunca vai morrer, porque pode passar séculos e a música não vai desaparecer dos nossos corações”.

Pavesi, proprietário de uma confecção, destaca que Os Alucinantes foi uma escola na sua vida e que por meio da banda conheceu muitos lugares bonitos. “Foram 15 anos que vivi minha vida ali, na alegria, foi muito bom”.

Pedrini, hoje aposentado, afirma que todo jovem tem um sonho e o seu era ter um conjunto de jovens dispostos a dar alegria para quem queria dançar. “Não tínhamos ganância do dinheiro, mas do sucesso e de ver os outros aplaudindo nossas canções”.

Os Alucinantes neste ano em gravação para O Município no Clube 1020 (Da esq para à dir.) Pavesi, Maurici, Bolsoni, Groh, Pedrini, Toninho/ Wendel Rudolfo

Bolsoni, também aposentado, ressalta que o mais marcante é a amizade sadia construída entre eles.

“Foi um sonho que pude realizar na época marcante do rock n’roll. Hoje estamos todos com mais de 60 anos, somos pais de família, temos netos e uma história bonita e diferente para contar. Sem dúvida foi um momento especial e inenarrável em minha vida”.

Para Toninho, foi por meio do conjunto que aprendeu o que deve e não deve fazer, além de ter amigos dentro e fora da banda. “É uma experiência de vida que trago comigo”.

A volta
Em 16 de novembro de 1991 aconteceu no Santos Dumont um baile intitulado A Volta dos Os Alucinantes. Durante seis meses eles ensaiaram para se apresentar no evento beneficente cujo objetivo principal foi arrecadar fundos para colaborar no tratamento de Ademar Pavesi (Bafo), ex-integrante da banda, que mais tarde faleceu, aos 44 anos, devido a uma doença grave.

Integrantes de algumas formações
João Carlos Cervi (falecido), substitui o Pedrini no contrabaixo;
Mário (falecido), (Itajai), guitarrista;
Toninho (Jaraguá do Sul) substituiu o Davi na guitarra;
Groh (Brusque), substituiu João Carlos no contrabaixo e ficou até término da banda;
Carlinhos (de Itajaí) guitarrista;
Remi (Imbituba) – guitarrista;
Simas (Blumenau) – sax;
Chico (Brusque) – vocal;
Romeu (Laguna) – guitarrista;
Tico (Lages), substitui Pavesi na bateria em um período;
Silvinho (Brusque) – guitarrista;
Tião (Itajai) – Piston, chegou a ser sócio-proprietário na banda;
Zé Carlos – baterista;
Jair Maurici, foi o único músico que participou de todas formações.

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