Os obstáculos para produção de jogos digitais no Vale do Itajaí

Com curso de Jogos Digitais recém-lançado, Brusque incentiva o desenvolvimento do setor

Os obstáculos para produção de jogos digitais no Vale do Itajaí

Com curso de Jogos Digitais recém-lançado, Brusque incentiva o desenvolvimento do setor

A criação de um curso superior voltado ao desenvolvimento de jogos digitais, no início do semestre, aproxima Brusque de um mercado em crescimento. Santa Catarina concentra 6,2% dos desenvolvedores do setor na região Sul, segundo o 2º Censo da Indústria de jogos digitais, deste ano.

O mercado ainda é considerado em desenvolvimento na região. Na primeira turma do curso de Jogos Digitais da Unifebe, são 14 estudantes, com idades entre 18 e 22 anos. Depois do conhecimento básico sobre o processo de criação e experiências com jogos analógicos ou de cartas, a tendência é que o grupo tenha as primeiras experiências voltadas ao campo digital no próximo semestre.

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Entre os dias 22 e 25, eles tiveram a primeira semana acadêmica do curso no município. Na avaliação do coordenador, Fernando Luís Merízio, a abertura da programação para a população é parte importante para o estímulo ao setor. “É preciso fundar esta cultura por aqui”

Segundo ele, o desenvolvimento no município abre possibilidades não só para os entusiastas dos jogos, mas para outros setores da economia local. A abordagem foi desenvolvida durante as palestras e formas de aproveitar a interação dos jogos para gerar engajamentos com notícias, produtos ou marcas.

Campo para explorar
Jogos voltados ao mercado independente ou para portáteis são os campos mais acessíveis para os futuros desenvolvedores locais. O motivo está na facilidade de distribuição e custos envolvidos. A produção em língua inglesa, afirma, amplia a abrangência de possíveis projetos locais. “Hoje, um jogo produzido em Brusque poderia ser distribuído para o mundo inteiro”.

Segundo Merízio, mesmo sem tradição com games, a existência de empresas de produção de softwares voltadas a áreas administrativas e contábeis poderiam aproveitar o setor como forma de variar os produtos oferecidos. Ele acredita que o incentivo aos e-Sports, como a formação da equipe Havan Liberty, possam servir de estímulo para o setor na cidade.

Apesar do perfil atual, o coordenador destaca as diferenças da atuação dos profissionais do ramo em comparação ao de outros setores. Com os serviços de streaming e transmissão de dados, ele indica não haver a necessidade de uma centralização das atividades, fato que abre possibilidades para atuação da cidade em projetos de diferentes regiões.

Mercado descentralizado
O cenário descrito pelo professor é reforçado por representantes de empresas do setor. Cristiano Sieves é gerente de Produto da Playmove, de Blumenau. Ele classifica o momento do mercado de games no Vale do Itajaí como em desenvolvimento. “O Brasil todo e a nossa região estão engatinhando”.

Há quatro anos, a empresa se dedica à criação de jogos para um console próprio, a PlayTable. Desde lá, foram 58 games publicados, todos voltados ao estímulo ao aprendizado de crianças. Os produtos estão disponíveis em mais de 1 mil instituições do país.

Para os projetos, Sieves destaca a presença de 10 profissionais dedicados ao setor. Além deles, é utilizada uma rede de freelancers e 20 estúdios brasileiros, além de Portugal, França e Inglaterra. Em muitos casos, é comum a atuação de empresas com os profissionais em cidades diferentes.

Este intercâmbio profissional, afirma, é comum no setor. Há produtores brasileiros envolvidos em projetos de diferentes países. “Existem bons profissionais, mas muitos acabam produzindo para fora, por ter poucos estúdios já estabelecidos por aqui”.

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De acordo com ele, o surgimento de mais cursos na região é benéfico para o setor. No dia a dia da empresa, algumas especializações, como de game designer, costumam ser difíceis de encontrar alternativas para contratação na região. Já funções mais próximas de outros campos profissionais, como programação e ilustração, costumam ter oferta regional.

Obstáculos
Além da limitação de profissionais na região, um dos desafios mais recorrentes na avaliação do gestor está relacionado ao financiamento do setor. O retorno financeiro do comércio de softwares exige mais tempo em comparação com a de produtos físicos.

Entre as pessoas que estão começando no ramo, ele destaca a necessidade de montagem de um portfólio de criações como uma forma de chamar a atenção de profissionais e estúdios. Pela dinâmica do mercado, destaca a busca por diversificação constante das empresas de games e a necessidade recorrente de buscar habilidades diversificadas.

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