Pe. Adilson José Colombi

Professor e doutor em Filosofia - padreadilson@omunicipio.com.br

Padrão cultural

Pe. Adilson José Colombi

Professor e doutor em Filosofia - padreadilson@omunicipio.com.br

Padrão cultural

Pe. Adilson José Colombi

O que vem a ser: padrão cultural? A palavra “padrão” lembra modo comum, repetido, vivido por muitos. Então, podemos dizer que padrão cultural é um modo repetido, uma norma, uma regra de comportamento estabelecido por uma determinada sociedade. É uma maneira comum que os indivíduos de determinada sociedade normalmente se servem para os relacionamentos sociais.

Tanto a Sociologia como a Antropologia Cultural se servem deste modo de comportamento de um grupo ou de uma população, em suas reflexões sobre a sociedade e a cultura. Por isso pode ser chamado de Padrão de Comportamento Social ou simplesmente Padrão Cultural. Por isso, quando alguém daquela sociedade contraria um padrão de comportamento social é censurado ou punido. Pode-se dizer que o padrão cultural é o elemento básico ou fundamental de uma Cultura. Ou também, o conjunto de todos os Padrões de Comportamento Social ou Padrões Culturais dá-se o nome de Cultura de uma determinada sociedade.

Por que estou escrevendo tudo isso que muitas vezes repeti, quando lecionava Sociologia e Antropologia Cultural? Não é saudosismo, mas, por causa de um vídeo que esteve “girando” pelas redes sociais e até tornou-se destaque nos noticiários das TVs brasileiras. E o que mostrava o vídeo? Foi depois do jogo Japão e Colômbia, durante a Copa do Mundial de Futebol na Rússia. Mas, o que aconteceu que mereceu ser mostrado, inclusive em noticiários. Nada de superespecial. Apenas, um padrão cultural de um povo, isto é, após o jogo Japão e Colômbia, um grupo de japoneses da própria torcida toma uns sacos plásticos e com toda a calma recolhem o lixo deixado pela torcida. Onde esse povo aprendeu isso?

Certamente, a resposta não pode ser outra. Na família e na escola. Sem dúvida, as duas instituições sociais ainda continuam sendo os grandes fatores de educação e de socialização do ser humano. Em outras palavras, pode-se afirmar que é na família e na escola que se aprende a viver em uma determinada sociedade e se adquire sua cultura. Portanto, é nelas que ocorrem os processos de socialização e de aprendizagem social.

Bem, a pergunta que aflora espontaneamente: por que isso não acontece em nossa sociedade e em nossa cultura? Não é difícil também de responder. É porque, em nossa sociedade e em nossa cultura, tanto a família como a escola, com raras e belas exceções, perderam ou nunca tiveram essa consciência de educar para uma salutar convivência social. As escolas até têm “dia” ou “semana” do Meio Ambiente, mas, tudo indica, pela simples observação sem muito rigor científico, que pouco consegue no sentido de criar um padrão cultural aceitável nesse particular.

Creio que estamos longe de chegar lá. Mas, não se pode desanimar. Ainda continuo acreditando que é a família que é a primeira e a fundamental criadora de padrões culturais em uma determinada sociedade. Pena que a nossa sociedade e cultura brasileiras estão se omitindo ou, pior ainda, descaracterizando sempre mais a face ou o rosto da nossa família. Os efeitos já estão se manifestando em todos os setores da nossa realidade sociocultural, esgarçando sempre mais nosso tecido sociocultural.

Os pais (pai e mãe), boa parte deles, têm que refletir a respeito de sua função ou sua missão dentro do âmbito da sociedade e da cultura. São os primeiros agentes de socialização e de aprendizagem social. Mas, muitos estão se demitindo de sua missão.

Estão “terceirizando” a educação e formação dos seus filhos. Entregam para as creches ou escolas para educá-los. E pensam que estão cumprindo sua missão. Será? E pior ainda, não aproveitam a contento o tempo que têm para estar junto aos filhos quando não estão na escola. Tentam ocupar esse tempo com outros compromissos, quase sempre fora de casa e longe dos pais. Complicando ainda mais.

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