“Você se comportou bem esse ano?”, pergunta o Papai Noel às crianças que fazem fila para dar um abraço, tirar uma foto e fazer seus pedidos de Natal ao bom velhinho. Algumas garantem que sim, outras não sabem bem o que responder e são “deduradas” pelos pais que, rindo, dizem que “não dá pra mentir pro Papai Noel”.

Nos shoppings, na Casa do Papai Noel e pelas ruas, as crianças de todas as idades tem a chance de encontrar o senhor de barbas brancas – e é claro que não deixam de levar suas listinhas de presentes. Há quem chegue com uma cartinha, quem saiba decor todos os brinquedos que deseja e quem fique até meio sem jeito de fazer o pedido.

Mas, em meio aos carrinhos, bonecas, bicicletas e tantos outros, sempre há algumas crianças que fazem pedidos diferentes e que acabam marcando a memória dos Papais Noéis. Irineu Roque Theobald está trabalhando pela terceira vez como Noel no Shopping Gracher e conta que, por mais que os pedidos mais comuns sejam brinquedos e artigos eletrônicos, algumas crianças tinham desejos diferenciados.

Ele se recorda de um menino, por volta de seus 11 anos, que o abraçou e desejou por um mundo com mais paz. “‘Mas como assim, paz?’, eu perguntei, e ele me disse que já tinha brinquedos demais, só queria mais paz e união entre as famílias, pois é isso que está faltando no mundo”, relembra.

Pela terceira vez, Irineu é Papai Noel no Shopping Gracher | Natália Huf

Uma história que tocou o coração de Irineu é a de uma menina que, em 2013, primeira vez em que ele trabalhou como Papai Noel, decidiu pedir não por presentes, mas um aconselhamento: “Ela estava na escola e pensando em talvez parar de estudar. Aí veio aqui pedir a opinião para o Papai Noel, e o que eu aconselhasse ela iria fazer. Então eu disse para ela nunca desistir, continuar sempre estudando”, conta.

A surpresa maior aconteceu quando, neste ano, ele – novamente Noel -, foi abordado por uma moça. “Papai Noel, não sei se você vai lembrar”, disse ela, “mas, há alguns anos, você deu um conselho para uma menina, ela estava em dúvida sobre continuar estudando. Queria te agradecer e contar que eu me formei”.

Momentos como esse, segundo Irineu, são gratificantes: o trabalho em si já é uma gratificação, por fazer a felicidade das crianças. Porém, ele teve também a oportunidade de mudar a vida de uma criança.

Ele conta que a menina trouxe a irmã mais nova, e ele aproveitou para repetir o conselho: “Eu falei para ela que o que a irmã mais velha aconselhasse, ela deveria fazer, pois seria como se o Papai Noel estivesse dando o conselho. Encorajei a nunca desistir e sempre continuar estudando”.

Outra criança de quem Irineu não esquece é de uma menina cuja mãe havia falecido devido a um câncer. “Vieram duas meninas, uma delas tinha perdido a mãe. Ela estava muito abatida, sentia muita falta. Conversei com ela e tentei fortalecê-la, ela saiu daqui com outro humor”, relembra.

Primeiro Natal de Noel
Para Rafael Chagas, que é Papai Noel pela primeira vez este ano, o trabalho também está sendo uma boa experiência. Ele e a esposa foram convidados “de última hora” para serem Papai e Mamãe Noel na praça Barão de Schneeburg, no Centro, e decidiram aceitar.

Este é o primeiro ano de Rafael como o bom velhinho | Natália Huf

De acordo com ele, muitas crianças levam cartinhas e fazem pedidos. Mesmo com pouco tempo usando as roupas vermelhas e a barba, ele já recebeu um pedido que o emocionou: “Uma menina de uns cinco ou seis anos não pediu brinquedo, pediu para que eu abençoasse a família dela”. Mesmo sem palavras e impactado com o desejo da criança, ele deu a bênção, e diz que achou bastante inesperado, especialmente por ser uma menina ainda pequena.

“Nunca tinha pensando em ser Papai Noel”, diz ele. “Mas está sendo bem bacana, e tem bastante movimento.”

40 anos de histórias
Martins José dos Santos já é Papai Noel há 40 anos. Morador do Steffen, ele conta que seu preço para o trabalho é cobrado em brinquedos para a campanha de Natal que ele organiza anualmente.

Em todos esses anos, ele coleciona histórias de pedidos e encontros com crianças que o marcaram. “Na verdade, todas marcam, todas têm um sentimento por trás. Se eu for contar tudo, vai uns dois dias”, brinca.

Ele se recorda de uma menina que, uma vez, pediu ao Noel para conversar um pouco com a avó, já falecida. “Nesses momentos, a gente leva para o lado mais espiritual, conversa. Convenci ela de que a vovó já estava do outro lado, mas que ela iria sempre poder lembrar da avó e guardá-la na memória.”

Outros pedidos que ele se lembra são de crianças que não pedem nada para si, mas fazem um pedido para os pais, para os irmãos ou avós. “É bem emocionante e até chocante. Não querem só coisas materiais. É isso que faz com que a gente leve esse trabalho adiante, não é à toa que já estou fazendo isso há 40 anos.”


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